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Sandro Viana treina pesado para os Jogos Olímpicos de Londres

No mês de fevereiro, o CRAQUE visitou o velocista em São Paulo, e acompanhou um pouco da rotina de nosso atleta na capital paulista. Ele mostrou o quão focado está para que seus planos de participar de mais uma Olimpíada se realizem 18/04/2012 às 07:51
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Sandro Viana dedica todo o seu tempo aos duros treinamentos para disputar os Jogos Olímpicos de Londres
Adan Garantizado São Paulo

Em 11 anos de carreira, Sandro Viana deixou de ser um leigo no atletismo para se tornar atleta olímpico de ponta. Qualquer pessoa estaria satisfeita com a trajetória de vitórias.

Mas, o velocista amazonense de 35 anos quer mais. Desde janeiro, o atleta pega “pesado” nos treinamentos em São Paulo, com o objetivo de participar de mais uma Olimpíada. A seriedade é tanta, que Viana batizou o período de seis meses de treinamento longe da terra natal como “Projeto 6”.

A partir do dia 5 de maio, no GP Brasil de atletismo em Belém (o primeiro de cinco GP´s que acontecerão no mês), o “resultado” do “Projeto 6” poderá ser testado, e o amazonense terá a chance de alcançar os índices que podem “carimbar” seu passaporte rumo a Londres.

No mês de fevereiro, o CRAQUE visitou Sandro em São Paulo, e acompanhou um pouco da rotina de nosso atleta na capital paulista. Ele mostrou o quão focado está para que seus planos de participar de mais uma Olimpíada se realizem.

“Este ano é o ano do xeque. O ano da decisão e da resposta. Estou mais maduro e com uma boa bagagem. Minha autoestima está muito boa também, principalmente após o ouro no Pan de Guadalajara”, frisa o atleta do E.C. Pinheiros.

Após uma manhã puxada de treinamentos, Sandro resolveu relembrar o tempo de “vacas magras” na capital paulista.

Ele levou a equipe de reportagem do CRAQUE ao restaurante Bom Jesus I, que fica na esquina da avenida Brigadeiro Luiz Antônio com a rua Batataes. Pelo preço acessível, o modesto restaurante foi por muito tempo a “salvação” do atleta na hora do almoço. E entre uma garfada e outra no bife comercial e um gole em um guaraná que nem de longe lembra o sabor dos guaranás amazonenses, Sandro reviveu algumas memórias das épocas difíceis em Sampa.

“Como tinha pouco dinheiro, minha diversão era subir aqui a Brigadeiro e ir andar na avenida Paulista. Às vezes entrava em um cinema e ficava lá até à noite. Saía da pista do Ibirapuera e vinha caminhando pro restaurante. A sede do Pão de Açúcar (supermercado) é aqui ao lado. Cansei de ver o Abílio Diniz pousando de helicóptero aqui, enquanto eu andava a pé (risos)”, brincou.

A saudade de Manaus também faz parte da rotina de Sandro. Nem mesmo a proposta de passar seis meses sem vir à capital amazonense conseguiu ficar de pé. Em março, ele veio comemorar o aniversário de 35 anos na cidade e ontem, esteve presente em um evento de seu novo patrocinador, a Equatorial. A distância das pessoas, sons e sabores amazônicos renderam algumas boas histórias ao atleta.

“No meu mp3 só toca Rabo de Vaca e toadas do Caprichoso. Uma vez minha mãe me enviou seis garrafas de guaraná Baré pelo correio. Eu só tomava em momentos especiais. Era como se fosse champagne (risos). Olho para a farinha daqui e me dá uma tristeza. Minha mãe já me enviou farinha de tapioca de Manaus também. Se ouço falar em jaraqui então, dá uma vontade de pegar o avião e me mandar. Estou em São Paulo só para treinar. Vou voltar para Manaus com certeza quando parar. Sou muito nativista”, confessa Sandro, esperando que Londres seja logo ali ao lado.

Sandro Viana velocista amazonense

1  O revezamento 4x100 fez excelentes marcas em 2011. Dá pra brigar por uma medalha olímpica em Londres?
Nós fizemos a quarta melhor marca do mundo. Chegamos em 2012 com chances reais de medalhas. Estou ciente de que se fizermos o melhor, poderemos ser campeões. A gente vai entrar com o intuito de ser campeão mesmo. Respeitamos os adversários, mas, precisamos dar uma resposta para nós mesmos.

2  Valeu a pena abrir mão de tanta coisa nos últimos anos por conta do esporte ?
Valeu muito a pena. Desde o meu primeiro momento no atletismo eu passei a dizer “eu quero”. Antes eu dizia “eu queria”. minha vida mudou bastante. Sempre tive a vontade de me permitir realizar o que sonhei. Jamais disse não para as oportunidades. Não queria viver com a dúvida de jamais ter tentado. Se não tivesse dado certo no esporte, estaria vivendo minha vida em Manaus.

3  Pensa em parar após às Olimpíadas?
Enquanto estiver rendendo em alto nível, vou continuar nas pistas, em busca de bons resultados e medalhas.