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Sedes geram renda

Dinheiro certo: Clubes amazonenses utilizam suas casas para arrecadar verba para futebol profissional. 23/12/2012 às 15:13
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Sede de clubes geram renda para o futebol ao realizar festas
Adan Garantizado Manaus (AM)

A falta de identificação do torcedor com os clubes de futebol do Estado é apenas mais um dos problemas que enfraquece o esporte mais popular do País no Amazonas. Há inclusive, quem atribua a ausência desta identidade ao “pouco espaço” dedicado para o esporte local nas TVs, rádios e jornais locais.

A tese destes críticos, porém, esquece de lembrar um ponto fundamental para a criação de novos torcedores: os próprios clubes de futebol amazonense, que em sua maioria não fornece nenhuma ferramenta para a “formação” de torcedor e sequer apresentam resultados satisfatórios em campo.

As sedes sociais dos clubes da capital e do interior são o maior exemplo disto. Algumas agremiações modificaram suas fachadas, não tem sócios e não demonstram preocupação em criar vínculos com o torcedor. Criar museus, sala de visitação de troféus, espaços temáticos ou investir na estrutura dos locais então? Nem pensar. O Nacional, maior campeão do Estado por exemplo, não oferece títulos para novos sócios há mais de 30 anos. O CRAQUE conversou com vários dirigentes de clubes amazonenses e perguntou sobre as intenções de valorização das sedes sociais. O cenário, porém, não é animador.


Nacional e Fast são os únicos que conseguem ter recursos fixos para o futebol através do aluguel de suas sedes. O Leão arrecada cerca de R$ 15 mil por mês cedendo espaços em sua sede, na Rua São Luiz, Adrianópolis, para uma academia de ginástica e um parque de diversões infantil. O dinheiro do aluguel vai para a manutenção do CT Barbosa Filho, no Coroado, onde o clube e as categorias de base treinam. Na sede do Naça existe uma sala com os troféus conquistados pelo clube e algumas fotografias históricas. A diretoria do Leão, pretende revitalizar o espaço. “Quero resgatar a área social do Nacional. O primeiro passo será oferecer novos títulos de sócios”, revelou o presidente eleito do Naça, Mário Cortez.

O Fast consegue faturar R$ 10 mil com o aluguel da sede no Boulevard Álvaro Maia. Atualmente, uma casa noturna e uma peixaria funcionam no local. Quando precisa, o clube utiliza o espaço para concentração da equipe profissional. “Ali é um local bem localizado, um ótimo ponto comercial. A diretoria pretende transformar a sede em um espaço que dê retorno ao clube e atenda ao futebol, que é a nossa essência”, explicou Cláudio Nobre, vice presidente do Tricolor de Aço.

Bolero e camaradagem

A sede do São Raimundo ganhou uma reforma considerável nos anos 90, época em que o Tufão foi tricampeão da Copa Norte. As atividades sociais na sede do clube se resumem ao “Bolerão do Tufão”, festa que ocorre todos os domingos e segundas-feiras. Eventualmente a sede é alugada para aniversários e confraternizações. Tudo o que é arrecadado com os aluguéis é aplicado na mautenção do espaço.

Os únicos aluguéis que vão para o futebol do São Raimundo são os da Colina (é cobrado R$ 600 por partida amadora). E é justamente em um espaço no estádio que o Tufão deseja aproveitar para se aproximar mais do torcedor. “Futuramente na nova Colina, o São Raimundo terá uma loja com vários produtos oficiais do clube. Vamos deixar os troféus da Copa Norte expostos por lá e formar um pequeno museu”, adiantou o gerente de marketing do clube, Emerson Sampaio. A ideia do Tufão seria inédita no Estado. Grandes clubes do país, possuem lojas oficiais em suas sedes.


Já o rival Sul América geralmente utiliza a sua sede como alojamento para os jogadores que vem de outros Estados. São quatro quartos que comportam até 24 atletas. O salão da sede no bairro da Glória, que já foi palco de festas e shows, hoje é pouco movimentado. “Quando aparece algum torcedor ou amigo querendo fazer um evento no salão, a gente só cobra o valor para a limpeza do local. Se a pessoa quiser deixar limpa, melhor ainda. Recentemente fizemos uma pintura e reformamos a parte elétrica da sede, mas não temos planos de sair dali”, contou o vice-presidente do clube (e eventualmente atacante do Trem), Alex Coelho.

Valorizada e com tradição

Rio Negro e Penarol parecem “remar contra a maré” neste cenário. O Galo preserva sua sede histórica, no Centro da cidade, mesmo diante de todo o “assédio” imobiliário que já sofreu.

O salão de espelhos sobrevive ao tempo e ainda é referência quando o assunto são bailes de debutantes, formaturas, casamentos e bodas. “A procura é intensa. O Rio Negro faz parte da história de Manaus. A tradição do nosso clube está viva”, garante a diretora social do Galo, Hebe Pereira.

O clube da Praça da saudade aluga seu parque aquático para todos os tipos de festas. Hebe não revela quanto o clube arrecada com os aluguéis. Os recursos são aplicados na manutenção do espaço. Já o Penarol revitalizou sua sede, localizada no Centro de Itacoatiara em fevereiro deste ano. O Leão da Velha Serpa investiu cerca de R$ 100 mil na reforma. Alojamentos para os jogadores estão na sede, que também é alugada para festas.