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Sem competições, jogadoras do AM passam a atuar em torneios amadores

Nos últimos dois anos, o Iranduba feminino foi praticamente o único time que se “candidatou” a disputar uma competição profissional, a Copa do Brasil de futebol feminino (organizada pela CBF desde 2007) 25/07/2012 às 09:50
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Vanda, 30, ilustra a realidade do futebol feminino do Amazonas
Jornal A Crítica Manaus

Se em nível nacional o futebol feminino ainda dá passos “discretos”, o cenário no Amazonas é ainda mais “desanimador” em termos profissionais. Sem competições, as jogadoras locais precisam atuar em torneios amadores como o Peladão e a Copa de Futebol de Areia da categoria. Nos últimos dois anos, o Iranduba feminino foi praticamente o único time que se “candidatou” a disputar uma competição profissional, a Copa do Brasil de futebol feminino (organizada pela CBF desde 2007).

Nas duas edições, as amazonenses chegaram até as quartas de final. Nascida no Pará, mas, radicada em Manaus há 10 anos, Vanda Pantoja Sena, 30, ilustra bem a realidade local. Ela começou no futebol aos 9 anos, já precisou jogar competições entre homens e mesmo assim, não desistiu do sonho de viver do esporte. Vanda também pratica futebol de areia e recentemente foi escolhida como a melhor ala da 1ª Taça Brasil de Beach Soccer, realizada no Rio de Janeiro, há duas semanas. As boas atuações nas areias cariocas lhe renderam uma pré-convocação para a Seleção Brasileira da modalidade. A jogadora ainda foi sondada pelo Foz do Iguaçu-SC, para disputar a Libertadores da América (no campo), no mês de novembro.

“Manaus tinha tudo para ter um timaço de meninas. Não faltam talentos aqui e mesmo com toda dificuldade, conseguimos bons resultados. A gente joga praticamente de graça. O problema é que ninguém apoia e outros tem mentalidade pequena. Já vi colega ser demitida do emprego porque o chefe não a liberou para ir a um treino ou jogo. Por isso muita gente desiste”, frisou Vanda.

Olavo Dantas - Treinador de futebol do Iranduba feminino

1  Mesmo com tantos resultados relevantes, porque o futebol feminino não “deslancha” no Brasil?
O Brasil tem muitas dificuldades na organização da modalidade. Não há um calendário. Uma Copa do Brasil é muito pouco. A renovação não ocorre de uma maneira natural. A Formiga, por exemplo, está indo disputar a quinta Olimpíada. Em condições normais de estrutura, isso não aconteceria.

2  Os grandes clubes do País também parecem desinteressados...
Na última Copa do Brasil de Futebol Feminino apenas o Atlético Mineiro e o Vasco da Gama eram clubes de “camisa”. O Santos era um exemplo, mas, acabou com o seu projeto. Quem sustenta o esporte no Brasil são algumas pessoas que gastam tempo e dinheiro na modalidade por paixão. Talento não falta, tanto que temos duas medalhas olímpicas - Pan-Americano e vice mundial. Falta renovar.