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Série Nacional 100 anos: Histórias do clube geram polêmicas e indgnações

Quinto capítulo da série em homenagem ao centenário do Nacional aborda os embates do clube que foram além das quatro linhas 13/11/2012 às 10:53
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Homenagem ao Nacional Futebol Clube gera polêmicas
Bruno Tadeu ---

É supostamente impossível completar 100 anos de glórias sem se envolver em grandes polêmicas. Longe de ser uma exceção diante desse raciocínio, o Nacional tem sua história manchada pelo excesso de triunfos questionáveis, definidos fora das quatro linhas ou por critérios no mínimo suspeitos. O “Tribunaça”, os “rankings salvadores” e a revolta dos adversários são o tema deste quinto capítulo da série sobre o centenário nacionalino.

A primeira polêmica que se tem registro envolvendo o Leão da Vila Municipal é a do Rio-Nal decisivo de 1939. O jornalista e historiador Carlos Zamith ainda era uma criança, mas assistiu à partida no Bosque Municipal e foi quem relatou o episódio. O jogo era acirrado e estava com o placar de 4 a 4 até os 30 minutos do segundo tempo, resultado que dava o título ao Rio Negro, quando o árbitro Tácito Moura marcou um pênalti discutível a favor do Nacional.

Contrariado, o técnico rionegrino Cláudio Coelho entrou em campo, segurou a bola e impediu a cobrança, alegando que não houve infração. A discussão se estendeu sem consenso e foi para o tribunal, onde foi definido o recomeço da partida nas mesmas condições até a interrupção.

Sendo assim, Pedro Sena, do Naça, cobrou a controvérsia penalidade com sucesso. O Galo ainda empataria a emocionante partida em 5 a 5, mas Emanuel marcou o gol do título para o Nacional nos segundos finais da decisão.

Um capítulo mais polêmico da rivalidade entre Rio Negro e Nacional aconteceria seis anos depois. E a consequência foi bem mais grave. O Olímpico Clube, hoje extinto, descobriu que o Naça utilizou em sua campanha o jogador Canejo de forma irregular, o que foi reconhecido no tribunal desportivo. “Mas o Nacional se mexeu, porque queria disputar o título com o Rio Negro. O representante da CBD (Confederação Brasileira de Desportos) aqui em Manaus era membro da diretoria do Nacional, ai o negócio acomodou”, lembrou Zamith.

Em resumo, o Nacional foi registrado como campeão estadual de 1945. Indignados com a reviravolta, os dirigentes rionegrinos, com adesão de atletas e grande parte da torcida, suspenderam as atividades do clube no âmbito do futebol, num afastamento que perdurou por nada menos que 14 anos. Apesar do título de 1945 constar para o Naça, os “Barriga Preta” se consideraram os verdadeiros campeões daquele ano.

De volta ao futebol em 1960, o Rio negro não demorou muito para reclamar de uma nova injustiça durante um clássico com o arquirrival. Na decisão de 1962, o árbitro Dorval Medeiros expulsou o atacante Lacinha, do Nacional, aos 16 minutos do primeiro tempo. A diretoria nacionalina interrompeu a partida para protestar, entrou em um acordo com os diretores do Galo e o árbitro e foi decidido que o atleta expulso seria substituído.

Mesmo com a decisão absurda, o Rio Negro venceu por 2 a 1 e foi campeão pela primeira vez após o retorno. Vale ressaltar que o gol marcado pelo Nacional foi bastante contestado. Isso porque o chute de Jaime Basílio, aos 26 minutos do segundo tempo, bateu na trave e no solo, gerando dúvida se a bola entrou ou não. No dia seguinte, conforme constatou Zamith em seu blog, os jornais consideraram, ironicamente, o árbitro Dorval Medeiros como autor do gol.

Dez anos depois, em mais um Rio-Nal que definiria o campeão amazonense, outra divergência com fatores extra-campo ficou marcada na história. Recusando-se a aceitar arbitragem local na final, o Naça resolveu não entrar em campo. “Naquela época, talvez por excesso de fanatismo, não coloquei o time em campo. E o fanatismo às vezes leva a pessoa a tomar atitudes emocionais”, reconheceu Manoel do Carmo, o Maneca, presidente do clube na época.

O Nacional ainda tentou recorrer junto ao Conselho Nacional de Desportos (CND), mas o “Tribunaça”, termo inventado pelo comentarista esportivo Luis Saraiva Nogueira, em meados de 1968, não teve efeito novamente.

Diabo injustiçado

O ano era 1994 e o futebol amazonense vivia uma de suas piores fases. Apenas quatro equipes participaram do Campeonato Amazonense daquele ano e a luta era para garantir uma vaga na Série C do ano seguinte. Nos pênaltis, o América derrotou o Nacional na decisão e foi campeão, porém, a utilização de um jogador irregular deu início a um pesadelo para o lendário Amadeu Teixeira, então técnico do Mecão.

Reforço para a zaga, Marcos Vinícius foi o pivô da situação. A transferência do atleta não chegou em Manaus a tempo das inscrições, mas segundo Artur Teixeira, filho de Amadeu e jogador na época, existiu uma ressalva. “Meu pai inscreveu o cara e obteve autorização por meio de um ofício. Mas, depois do título, o América foi considerado campeão irregularmente”, lembrou Artur.

Segundo colocado, o Nacional não perdeu tempo e solicitou a vaga direta para a disputa da terceira divisão brasileira. A princípio, o clube chegou a ser considerado campeão no lugar do América, mas uma ligação do advogado desportista Valed Perry foi o começo de uma reviravolta para Amadeu Teixeira. “Não demorou muito e ele (Valed) ligou dizendo que nós poderíamos comemorar, porque o título era nosso”, recordou Artur.

De acordo com Artur, o advogado ainda acenou com a possibilidade de o América entrar no Campeonato Brasileiro de 1995, o que foi dispensado por Amadeu Teixeira. “Ele só queria o título. Só vi meu pai chorando três vezes na vida, uma foi nessa vez e outras em mortes de familiares. O América foi campeão de fato e de direito", ressaltou Artur. Frustrada e endividada com o futebol, a família Teixeira hoje está afastada do esporte, sem previsão de retorno.

Critério do ranking e briga com o Fast

De todos os adversários supostamente prejudicados por influências extra-campo do Nacional, talvez nenhum seja mais frio e direto que o Fast.

Beneficiado pelo inusitado ranking nacional de clubes, o Naça herdou a vaga do representante de Roraima na Série D do Campeonato Brasileiro de 2011, fato considerado injusto e desonesto pelo Rolo Compressor, segundo colocado na tabela geral do Estadual na época e no ano anterior.

Na ocasião, o Fast ainda tentou recorrer ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que deu provimento ao recurso do clube, mas medidas cautelares enviadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) fizeram o presidente do STJD, Rubens Approbato, decidir pela permanência do Leão da Vila Municipal na quarta divisão, mesmo o clube estando eliminado àquela altura.

Magoado com o resultado do episódio, o vice-presidente do Fast, Cláudio Nobre, preferiu não relembrar o caso, mas não poupou críticas ao Nacional. “A situação não deu em nada. A respeito disso, é o histórico do que é o Nacional, infelizmente. Passar por tudo e por todos custe o que custar. De 100 anos, acho que em 85 o Nacional foi desse jeito, passando por cima de todos com esses métodos”, disparou. “Eu quero que o Nacional tenha muitas glórias, mas que mude a mentalidade”.