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Show de superação, história e tecnologia marcam abertura dos Jogos Paralímpicos de Londres

A cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos de Londres explorou história e tecnologia. Show de fogos de artifício, contou com pessoas portadoras de deficiência para falar de igualdade. 30/08/2012 às 08:30
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Queima de fogos após a pira paralímpica ser acesa foi grandiosa
A Crítica Manaus (AM)

Dezessete dias após o encerramento dos Jogos Olímpicos, Londres está respirando esporte novamente desde esta quarta-feira (29) quando as Paralimpíadas foram iniciadas. Na cerimônia de abertura dos Jogos, a capital inglesa optou por ressaltar a evolução mundial da tecnologia.

Com discretos números artísticos, mas todos guiados pela peça “A Tempestade”, de William Shakespeare, o evento de ontem foi protagonizado pelas invenções e descobertas de gênios como Isaac Newton e Stephen Hawking.

A presença do físico britânico, aliás, foi um dos pontos altos da cerimônia. Hawking, que sofre de esclerose lateral amiotrófica e hoje, aos 70 anos, raramente faz aparições públicas, narrou grande parte da cerimônia.

Cento e oitenta e um atletas brasileiros vão participar dos jogos paralímpicos. A expectativa é que o nono lugar em Pequim 2008 seja superado. A delegação verde-amarela sonha ganhar pelo menos duas posições no quadro geral, superando as 47 medalhas (16 de ouro, 14 de prata e 17 de bronze) conquistadas há quatro anos.

Show

Após dançarinos se apresentarem com guarda-chuvas que juntos formavam um grande olho no meio do estádio olímpico, a atriz Nicola Miles Wildin, que tem deficiência física, apareceu no palco interpretando a personagem Miranda, de “A Tempestade”. Guiada pela narração de Hawking, Miranda acompanhou no estádio uma dramatização sobre a evolução da tecnologia ao longo da história. Ao seu lado estava o ator Ian McKellen, de personagens como Magneto (da franquia "X-Men") e Gandalf (da trilogia "Senhor dos Anéis"), interpretando Próspero, também da peça shakesperiana.

O primeiro bloco da festa se encerrou com uma reprodução do fenômeno Big Bang, que teria dado origem ao universo, e com a entrada da rainha Elizabeth II. Não foi uma chegada triunfal, como na abertura da Olimpíada em que a titular da coroa britânica participou de uma cena com Daniel Craig, o atual James Bond, e simulou entrar no estádio em um helicóptero. Dessa vez, a rainha apenas ocupou seu lugar no camarote real ao lado do presidente do Comitê Paralímpico Internacional, Philip Craven.

O desfile das 164 delegações que disputarão os Jogos começou logo em seguida. O multimedalhista Daniel Dias, da natação, foi responsável por conduzir a bandeira do Brasil. Oscar Pistorius, principal atleta desta Paralimpíada e primeiro biamputado a disputar uma Olimpíada, carregou a bandeira da África do Sul.

O grande momento da noite, o acendimento da pira paralímpica, começou com um vídeo mostrando imagens do revezamento da tocha pelo Reino Unido. O fogo entrou no estádio pelas mãos de Joe Townsend, triatleta paralímpico e comandante da Marinha Real, e depois foi conduzido por outros esportistas com deficiências até chegar a Margaret Maughan. Primeira britânica a conquistar uma medalha paralímpica, nos Jogos de Roma-1960, ela acendeu uma das pétalas da grande pira em forma de flor. Todo o objeto foi tomado pelo fogo.

Heroína

Na abertura, primeira britânica a conquistar uma medalha paralímpica em Roma, 1960, Margaret Maughan acendeu a pira.

Mudança no nome

A palavra “paraolímpico” e suas derivadas começaram a “sumir” do do paradesporto brasileiro. O termo “paralímpico” e suas variações foram adotados pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB - que também mudou de nome) no final do ano passado. O Brasil era o único país de língua portuguesa que ainda adotava o termo “paraolímpico”. E há muito tempo protelava a mudança. “A mudança foi gradual. Começamos com a troca de nomenclatura nas assinaturas de emails e o lançamento do novo portal. Depois veio todo o material de papelaria conforme o antigo foi acabando”, explicou o diretor de marketing do CPB Frederico Motta.

O Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016 foi o primeiro a oficializar a troca do nome para paralímpico, mas as entidades parceiras do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) terão até 18 meses para se adequar às alterações no nome. “Ainda existem entidades que têm uniformes ou tendas com o nome paraolímpico e não vamos forçá-las a jogar tudo fora só porque trocamos de nome”, explicou o gerente de Comunicação e Marketing do CPB, Frederico Motta.

Números

09 medalhas, sendo quatro de ouro, foram conquistadas pelo nadador Daniel Dias em Pequim. Ele quer superar as marcas em Londres.

165 milhões foram investidos pelo Comitê Paralímpico Brasileiro para o ciclo paralímpico de Londres. O Brasil quer terminar entre os 10 melhores.