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Esportes
XERIFÃO

Símbolo de liderança, zagueiro Rogério segue sonho de se tornar campeão no Peladão

Pentacampeão do Barezão, o ex-capitão do São Raimundo, que atualmente defende o Força Jovem da Alvorada, atua no Peladão Principal 19/01/2018 às 15:59 - Atualizado em 19/01/2018 às 16:16
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Aos 39 anos, Rogério está em sua última temporada no Peladão Principal (Foto: Rui Costa)
Denir Simplício Manaus (AM)

“O respeito é um valor que permite que o homem possa reconhecer, aceitar, apreciar e valorizar as qualidades do próximo e os seus direitos”. Eis um dos conceitos da palavra respeito, um dos mais importantes valores do ser humano. O mesmo valor que fez de Rogério Ferreira da Silva, 39, um dos atletas mais respeitados da história do futebol baré.

Irmão mais novo do polêmico atacante Robson Garanha, 40, o zagueiro Rogério marcou seu nome no esporte bretão amazonense não apenas pelos títulos, mas pela postura dentro e fora das quatro linhas. Defensor técnico e líder nato, Rogério disputou o Peladão Principal desta temporada pelo Força Jovem do Alvorada, mas por conta do trabalho, atuou poucas vezes pela equipe da Zona Centro-Oeste de Manaus.

Mesmo com potencial para atuar por mais tempo, Rogério decidiu “pendurar as chuteiras” aos 32 anos. Indignado com o rumo do nosso futebol, o defensor revela o que o levou a parar precocemente.

“Parei basicamente pelo que acontece até hoje: um futebol sem perspectivas. Eu, já numa idade de não ter como buscar uma coisa melhor e não acreditar nos dirigentes que até hoje estão aí. Isso me fez parar, desgostar do futebol chegando ao ponto de não voltar mais aos estádios pra acompanhar amigos, até mesmo meus sobrinhos jogar, devido a falta de credibilidade mesmo de quem dirige o futebol”, desabafou.

Cinco vezes campeão do Barezão (duas com o São Raimundo e três vezes com o Nacional), Rogério seguiu no futebol disputando o maior campeonato de futebol amador do planeta, onde revela um desejo pessoal. “Ainda não consegui ser campeão, mas desde quando parei (profissional) sempre joguei o Peladão. Cheguei a ser terceiro colocado, mas não ‘cheguei’ ainda. Essa é uma vontade que tenho”, disse o defensor que nesta edição do Peladão jogou sua última temporada na categoria Principal.


Rogério nos tempos de Tufão da Colina (Foto: Arquivo A Crítica)

O zagueirão do último título estadual na Série A do São Raimundo (2006), completa 40 anos (idade limite para disputar o Master) em 2018 e revelou que vai estudar propostas para a disputa da categoria dos veteranos ainda este ano.

“Este ano vou disputar o Master. Já tá na minha idade e fica bem melhor pra mim. Vamos ver, ainda não tenho time, não tenho acertos, mas com certeza jogarei sim”, disse o zagueiro que chegou a tocar um projeto de futebol voltado para jovens carentes no Núcleo 5 da Cidade Nova, onde reside. Mas depois de algum tempo e algumas decepções, o projeto teve de ser paralisado.

“Ainda tenho a vontade de retornar meu projeto, mas de uma forma mais estruturada. Porque você fazer projeto dependendo de terceiros, fica muito difícil. Você pede, solicita e implora pra pessoas que podem ajudar e que tem a obrigação de ajudar e não fazem. Única e exclusivamente por não querer ajudar mesmo”, comentou o ex-defensor do Tufão confessando profunda decepção com o destino de alguns de seus ex-pupilos.

“Alguns dos meus meninos que tanto buscava que não fossem pro lado ruim da vida, infelizmente, alguns tomaram esse caminho. Isso me deixou muito triste e algumas vezes me deixa com uma certa decepção de não poder ter ajudado mais porque só tinha tempo um dia na semana, e eles tiveram essa opção de vida”, revelou Rogério afirmando que deve voltar com seu projeto, mas de forma totalmente independente.

“Espero voltar (projeto), se Deus assim permitir, mas com meios próprios, sem fins financeiros, só pra ajudar as crianças mesmo. E se eu puder ajudar e encaminhá-los pra algum clube aqui do Amazonas e que possa ser feito”, enfatizou o ex-jogador que ainda atuou no Campeonato Paulisto com a camisa do Ituano-SP.

Atualmente, Rogério comanda seu próprio negócio e assim como nos tempos de profissional, “joga” pela vitória de todos. “Trabalho de domingo a domingo, das cinco da manhã até às nove da noite. Graças a Deus tenho minha esposa que me ajuda muito e uma equipe que trabalha comigo que quer crescer junto e quero dar a resposta de crescimento pra eles também”, concluiu o xerifão.