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Soldado abandona corporação em prol da paixão pelo UFC

Lutador e soldado do Bope, Paulo Thiago, terá luta crucial no dia 10 de vovembro que pode garantir sua permanência na organização 03/11/2012 às 09:12
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O “Caveira” vem de três derrotas nas últimas quatro lutas
Paulo Ricardo Oliveira ---

Soldado do Bope de Brasília (DF), Paulo Thiago, 31, vai deixar de lado a farda da corporação para calçar as luvas do UFC e entrar em ação na grade octogonal dia 10 de novembro, em Macau, China, contra o sul-coreano Dong Hyun Kim, um ano mais novo, outra pedreira no caminho dele.

O brasiliense viaja neste sábado (03), às 20h (horário de Manaus), saindo de Brasília rumo a Macau, cruzando o continente em 24 horas, com passagens por São Paulo, Joanesburgo, até chegar ao destino.

Na mala, Paulo Thiago levará algumas peças de roupa, mas o pensamento dele deve ir a mil durante a viagem. O desafio diante de Dong Kim na primeira edição chinesa do Ultimate pode definir a permanência do Caveira ou não na organização. O faixa-preta de jiu-jitsu da equipe Constrictor Team vem de três derrotas nas últimas quatro lutas, a última, por nocaute aos 42 segundos de luta para o afegão Siyar Bahadurzada. “Eu tenho consciência de que existe a possibilidade de ser demitido. Mas essa luta (contra Dong) é a chance que eu tenho para me reerguer na organização. Estou bastante focado e preparado para todas as possibilidades. Tenho vontade de vencer. Isso é o que importa”.

O lutador-soldado quer deixar uma boa impressão no UFC China para voltar a figurar entre os dez melhores da categoria meio-médio (entre 72 e 77 quilos), onde o canadense Georges St-Pierre reina absoluto.

“Para voltar a pensar em disputar o cinturão tenho que fazer uma bela luta, de repente ganhar por nocaute ou finalizar. Esse é o meu pensamento. Vai dar tudo certo”.

Além de treino exaustivo diariamente e pensamento positivo na guinada na carreira de lutador, Paulo Thiago buscou inspiração nos filhos gêmeos Paulo e Thiago. “Eles moram com a mãe, mas sempre passam os fins de semana comigo. É o momento que eu aproveito para desligar um pouco da pressão do UFC para brincar e sair com eles. Eu curto bastante isso”

Acompanhado

Paulo Thiago não estará sozinho na China. No córner dele, o treinador de boxe, Ulisses Pereira, o mestre de jiu-jitsu, Alex Macfur, e o preparador físico, Lula Guerreiro. O Caveira também vai contar com o apoio do empresário dele, Wallid Ismail, dono do Jungle Fight, que atua também como uma espécie de psicólogo antes das pelejas na grade mais famosa do mundo. “Tenho uma equipe muito boa me dando o suporte que eu preciso. O Wallid não vai estar no córner, mas sempre me dá forças antes das lutas, porque é um cara experiente, que viveu muito essa adrenalina de luta”.

Três perguntas

1  Você estudou o jogo do seu adversário? Qual o caminho para se dar bem?

Estudamos bastante o jogo dele, eu e minha equipe. Ele é um cara mais alto, é canhoto, tem boa base de queda por se tratar de um  judoca olímpico.  Eu me preparei para todas as situações. Me sinto muito à vontade. Sou mais agressivo e, se colocá-lo para baixo, posso trabalhar a finalização. Esse é o espírito. Meu adversário inspira cuidados. Não posso bobear de jeito nenhum.

2  Você vai lutar sob pressão de ser demitido dependendo do resultado na China?

Sei que existe essa possibilidade. Mas isso não me preocupa. Estou mais focado na luta em si. Eu me preparei bem e tenho vontade de vencer. Vou entrar lá para dar o melhor de mim e vencer. Isso é o que me motiva. Essa luta será importante para inaugurar uma nova fase na carreira. Eu penso nisso.

3  Você divulga o nome da corporação Bope aos quatro cantos do mundo. Não seria hora de uma promoção para sargento, por exemplo?

A promoção vem no tempo certo. É uma consequência do plano de carreira. Estou bem na corporação, fazendo o gosto. Dou instrução de tiros, salvamento aquático e combate corporal no momento. Está rolando vários cursos que estou na instrução. A corporação me ajuda bastante na minha carreira no UFC. Sou grato por isso. A promoção vai vir na hora certa.