Publicidade
Esportes
Craque

Talento amazonense em tênis de mesa impressiona

Em um ano, o mesatenista Alexandre Alfon colecionou títulos e quer jogar as Paralimpíadas. Seu principal empecilho é o mesmo de atletas amadores do Brasil e do Amazonas, a falta de patrocínios, Alexandre Alfon precisa tirar dinheiro do próprio bolso para bancar seus equipamentos de treino 23/12/2012 às 10:36
Show 1
Alfon é o principal mesatenista paratleta do Amazonas
Isabella Pina ---

Caminhando tranquilo pelos corredores do bloco de química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ninguém imagina que Alexandre Alfon (31), auxiliar técnico de laboratório, é também o mais novo integrante da Seleção Brasileira Paralímpica de tênis de mesa e segundo colocado no ranking nacional.

Recentemente, Alexandre foi reconhecido oficialmente como atleta da classe 10 (paralímpicos andantes, com o comprometimento físico-motor menor) após ter passado por uma análise médica durante seu primeiro torneio internacional, e primeiro como representante da Seleção Brasileira, que aconteceu em San Diego, nos Estados Unidos, em novembro.

Sem muito talento para o futebol, esporte favorito dos amigos, Alexandre passou a criar gosto pelo tênis de mesa ainda criança. Em 2004, ele sofreu um acidente de moto em que teve a perna esmagada. Após passar por uma série de cirurgias, o atleta teve uma recuperação surpreendentemente boa, e seguiu com o hobby de “brincar” de tênis de mesa.

Foi somente no começo deste ano que Alexandre assumiu o desafio de se profissionalizar no esporte e, em menos de um ano, conquistou mais títulos que muitos veteranos. Ele já carrega na bagagem o título de campeão brasileiro, amazonense, na categoria convencional sênior I e III, da Copa Brasil de Natal-RN e Maringá-PR, e o segundo lugar em Santos-SP e Aracaju-SE.

Atleta da Associação dos Deficientes Físicos do Amazonas (Adefa), Alexandre é o grande nome do Amazonas no tênis de mesa. Mas, assim como a maioria dos atletas do esporte amador, ele sofre com a carência de apoio. Ele conta que o apoio que recebe de algumas entidades não sustenta a manutenção necessária para levar uma carreira profissional como deve ser.

“Só com os equipamentos (raquete e bolas), gasto cerca de R$400 por mês. Isso eu acabo tendo que pagar com meu próprio dinheiro. A Ifam (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas), grande parceira, é a única que realmente me dá um apoio. Para poder levar uma vida como profissional, o custo mensal é muito alto, e o auxílio da bolsa atleta só começa a valer praticamente um ano depois das conquistas que me deram o acesso a esse benefício”, explicou Alfon.

Em novembro, ele participou do seu primeiro campeonato internacional. Apesar de ter ficado em 5° lugar no final da competição, Alexandre conseguiu se destacar ao jogar contra grandes nomes do ranking mundial, o mesmo que espera ler seu nome entre os 40 melhores do mundo em janeiro, quando sai a lista atualizada com os resultados de 2012.

Nos dias 26 e 27 de janeiro acontece a seletiva paralímpica de 2013, em Piracicaba, a qual Alexandre foi convidado a participar.  Para se sair bem, ele treina há três meses durante 3h por dia com o grande técnico e jogador, Israel Barreto, no Centro de Alto Atendimento da Amazônia (CTARA).

Alexandre Alfon, que é registrado na Federação Amazonense de Tênis de Mesa (FATM) e Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), demonstra que está bastante confiante com o progresso de sua carreira no ano de 2012. A julgar pela experiência adquirida e as conquistas de alto nível, ele tem totais de condições de estar nas Paralimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.