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Futebol,Campeonato Amazonense 2012,Rio Negro - AM, Iane Geber

Técnico do Rio Negro (AM) conduz o time com maestria

Fora do tom no primeiro turno, quando somou apenas quatro pontos, Rio Negro renasce e deixa torcida esperançosa de que os dias de glória do clube não fiquem na saudade 08/04/2012 às 16:06
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Time comandado por Iane tem jogado por música e em tom maior
André Viana Manaus

Durante toda Taça Amazonas, primeiro turno do Campeonato Amazonense, o futebol apresentado pelo Rio Negro foi o samba de uma nota só, tocada em dó maior. Uma interminável sucessão de derrotas. Nas nove rodadas do primeiro turno foram sete fracassos, um empate e apenas uma vitória.

O terceiro rebaixamento da história do clube parecia um suplício inevitável, como uma letra dor de cotovelo costumeira de um samba-canção. Com direito a todos os elementos que fazem um homem se desesperar: Falta de dinheiro, humilhação e perda da autoestima.

Depois de duas mudanças de técnicos, o Galo foi buscar seu ex-goleiro e eterno ídolo para, ao menos tentar, inventar uma nova batida. Iane Geber aceitou o convite.

A estreia não poderia ser mais desafinada.

O Rio Negro foi arrasado por seu maior rival, o Nacional, por 7 a 0, em pleno sábado de Carnaval. Era a sétima rodada. Ainda faltavam duas para o fim do primeiro turno. Duas derrotas. Uma para o CDC - rival direto na briga contra o descenso - por 1 a 0, e outra para o Princesa por 2 a 0, que valeu a classificação para a semifinal à equipe de Manacapuru.

Águas de Março
Com quatro pontos, em nove jogos, e um pífio aproveitamento de 14% dos pontos, duas ameaças de greve por conta dos salários atrasados, o Rio Negro dava mostras de que seria varrido pelas águas de março.

Mas após 16 dias de treino na Base Aérea, o time decolou na Taça Cidade de Manaus. Em cinco rodadas, o aproveitamento subiu de 14 para 80%. Foram quatro vitórias e apenas uma derrota - para o Nacional, único clube que o venceu nos dois encontros, e que sustenta um tabu sem derrotas para o Galo desde 2004.

Felicidade
O excelente futebol da Taça Cidade de Manaus fez a felicidade voltar ao Rio Negro.

“Desde que fui contratado, sempre disse para a imprensa, para a diretoria e para torcida que me cobrassem no segundo turno. Qualquer treinador precisa de tempo para implantar sua filosofia de jogo. E os jogadores se adaptaram muito bem ao meu esquema”, destaca Iane Geber.

A situação do Galo só não é melhor porque a diretoria persiste na insensatez de não honrar seus compromissos contratuais. São quase quatro meses de salários atrasados.

Situação que deve ser atenuada em breve, de acordo com um membro da diretoria que não quis se identificar.

Jejum
Sem saber o que é ser campeão amazonense da primeira divisão desde 2001, o Rio Negro sonha alto. E por que não? Seu time joga por música. O compasso é harmônico. E sua apaixonada torcida acredita, a cada jogo, que finalmente chegou o momento de dar adeus à saudade.

E a massa rionegrina, no que depender da determinação de Iane e seus guerreiros, pode ficar esperançosa de que a única saudade que restará no fim do amazonense é a praça localizada em frente à sede do clube, no Centro de Manaus, que graças a reforma por qual passou pôde voltar a ser vista pela luz dos olhos deles.

Promessa de pagamento
A diretoria do Rio Negro garante que quitará parte dos salários atrasados nesta semana. Os jogadores dizem confiar nas palavras do presidente Eymar Gondim e que sabe que quanto mais sucesso tiverem em campo, mais chamarão atenção para a situação difícil em que passam.

Liderar uma competição com problemas financeiros não é pra qualquer um.

Reencontro em Iranduba
O Iranduba foi a única equipe que o Rio Negro venceu no primeiro turno. Naquele momento, os três pontos não foram suficientes para animar a torcida. O time não engrenava.

Neste domingo (8), às 15h30, no estádio Álvaro Maranhão, em Iranduba – a 34 quilômetros de Manaus -, o sentimento é outro. Embora ninguém admita abertamente, todos no clube sabem que uma vitória significa a garantia de uma vaga na semifinal do segundo turno.

“Uma vitória nos levará a 15 pontos. Mas isso não significa que estaremos garantidos entre os quatro e que vamos nos acomodar. Ao contrário, aí é que teremos que mostrar nossa força”, disse o meia Smith, que ao lado de Paca alimenta um ataque formado por três jogadores velozes (Delciney, Maranhão e Edinho Canutama).

Com seis pontos ganhos, o Iranduba tem duas missões neste Domingo de Páscoa: vencer para encostar no pelotão da frente e apagar a imagem que o tornou conhecido no Brasil, a lamentável cena em que seu volante Derlan surrou o árbitro João Batista Cunha de Brito.

“Já conversei com o elenco e pedi tranquilidade. Infelizmente não dá para voltar atrás e consertar. Mas temos que continuar fazendo bons jogos e pontuando. O Iranduba tem condições de chegar longe”, disse o técnico

Defesa afinada e respeitada
Um dia após a fantástica vitória de virada sobre o atual bicampeão Amazonense, Penarol, os jogadores do Rio Negro foram ao clube na esperança de receber parte dos quase quatro meses de salários atrasados. Não conseguiram. Mas a jornada não foi em vão. A carteira podia estar fazia, mas a alma estava lavada.

“Foi a vitória que dá moral. O Penarol é forte, saiu na frente e tivemos força para virar e vencer”, disse o experiente zagueiro Nei Júnior que fez dupla de área com seu filho Bianor.

Aos 35 anos, Nei diz que não pode considerar o prazer de atuar ao lado do filho como a realização de um sonho, simplesmente porque jamais imaginou que isso pudesse acontecer.

“Nunca mesmo. Não vou mentir. Acho que isso é um fato inédito na história do futebol mundial. Do amazonense, eu sei que é. E vai ser difícil se repetir”, acredita Nei, que tem mais dois filhos além de Bianor.

“Ele é o mais velho, tem 17 anos. E é o único homem. A Camile tem seis e a Beatriz, que é a caçula, tem apenas dois meses”, destacou orgulhoso.

O filho mira-se no exemplo do pai. Tanto que começou como volante e recuou para a zaga. A felicidade de atuar junto, eles sabem, pode não durar muito tempo.

“Somos profissionais. Foi um orgulho me profissionalizar no time que meu pai joga, mas se tiver que atuar contra ele algum dia e for marcá-lo numa bola aérea não vou darei moleza”, antecipa Bianor.

Nei rebate. “Me respeita moleque, você nem vai me achar dentro da área”, ri orgulhoso.