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‘Temos a chance de ser campeões’, diz judoca Leandro Guilheiro

Judô> Atleta de ponta acredita que Brasil pode trazer o ouro olímpico de Londres 24/06/2012 às 14:43
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Leandro Guilheiro, judoca.
Nathália Silveira Manaus (AM)

As horas de lazer têm sido raras na vida de Leandro Guilheiro. Não é para menos. Ser o número um do mundo, no judô, requer total dedicação. Nos intervalos de cada treino, o atleta fica tão cansado que prefere optar por saídas pacatas.

“Fico muito em casa, lendo, ou assistindo a algum filme. Saio para comer, ir à praia. Nada muito cansativo”, disse o judoca de 28 anos, que arranjou um tempinho e concedeu uma entrevista exclusiva ao CRAQUE.

No meio dessa loucura, o atleta aproveita para se aperfeiçoar cada vez mais. No Grand Slam do Rio de Janeiro, aproveitou para treinar um pouco de ne-waza (luta de solo) com um especialista na área, Flávio Canto. Em 2007, Leandro sofreu com uma hérnia de disco lombar, que só foi curada um ano mais tarde após uma cirurgia. Mas a doença deixou resquícios ao lutador, como a perda de força em alguns músculos periféricos, o que torna a luta de solo bastante complicada.

Logo, a ajuda de Flávio Canto é essencial para que o paulista supere essa deficiência. Além disso, o atleta tem viajado o mundo para chegar afiado às Olimpíadas de Londres. Este mês, o lutador passou 20 dias no Japão e ficou satisfeito com o resultado. “Este tempo no Japão foi importante para melhorar nas técnicas de pegada no kimono, para a competitividade e algumas correções. Acho importante também pelo fato de ficarmos um pouco isolados e numa rotina diferente da que estamos acostumados no Brasil”, disse o brasileiro, que soma duas medalhas de bronze Olímpicas (Atenas 2004 e Pequim 2008) e que ao seguir para sua terceira Olimpíada,  está confiante em trazer a dourada da terra da rainha. “Espero sair de lá satisfeito com o meu desempenho, sabendo que lutei com toda a determinação possível. O Brasil vai (a Londres) com 14 atletas”, comentou.

Você fechou o ranking internacional de Judô em primeiro lugar na categoria 81kg e vai para Londres como número 1 do mundo. Estar no topo traz mais pressão e responsabilidade para vencer as Olimpíadas?

De forma alguma. Sei que nenhum resultado passado garante muita coisa em competições futuras, especialmente nos Jogos. Assim, todos os atletas estarão em iguais condições desde o início. Tenho 32 adversários com chances iguais de lutar pelas medalhas.

O Pan-americano serviu de laboratório para as Olimpíadas?

O nível do Pan é bem inferior ao dos Jogos Olímpicos, então não serve muito como parâmetro. Meus principais adversários não estavam lá.

O que muda para você ao ir para sua terceira Olimpíada? O que espera dela?

Chego com mais experiência e, teoricamente, com uma preparação melhor elaborada. Espero sair de lá satisfeito com o meu desempenho, sabendo que lutei com toda determinação.

Temos chance de trazer das Olimpíadas ouro nos 81kg?

Sim, assim como em todas as outras categorias. O Brasil vai com 14 atletas com chances de serem campeões.

Como é sua rotina de treinamento para as Olimpíadas? Consegue alinhar as partes psicológica, física e técnica?

Treino seis vezes por semana, duas vezes por dia. Isso significa treinamento físico e técnico diariamente. Trabalho duro e cercado por excelentes profissionais em todas as áreas. O fator mental faz toda diferença no Judô e estou sempre buscando esse alinhamento entre mente e corpo.

O que foi trabalhado neste estágio de três semanas em Tóquio, quando passou pela Universidade Tokai, Centro de Treinamento “Ajinomoto”, Kodokan, Polícia de Tóquio, Universidade Nihon e Universidade de Ciências do Esporte do Japão? Acha que com essa experiência, você vai mais preparado para Londres?

Este tempo no Japão foi importante para melhora nas técnicas de pegada no kimono, para a competitividade e algumas correções. Acho importante também pelo fato de ficarmos um pouco isolados e numa rotina diferente da que estamos acostumados no Brasil.

Quem são seus principais adversários nas Olimpíadas? O sul-coreano Kim Jae-Bum, será seu principal oponente?

Todos os que estiverem na chave. Cruzo com Jae-Bum em uma eventual disputa de medalha, então preciso vencer muita gente até chegar lá.

Você tem alguma estratégia traçada para ganhar as Olimpíadas?

Entregar-me ao máximo, luta após luta, encarando cada uma delas como a mais importante. Vou pensar num combate por vez. Essa é minha estratégia.

O que o Flávio Canto ensinou a você que será levado para suas próximas competições?

O Flávio começou a cooperar com a seleção brasileira no trabalho de solo. Algumas evoluções aconteceram na equipe neste quesito, mas ainda tivemos poucos encontros a ponto de mudar radicalmente algumas coisas.

Você afirmou em recente entrevista, que no Pan de judô, pôde perceber claramente o quanto está sendo estudado por seus adversários. Essa percepção foi devido à marcação cerrada que enfrentou, ou você se referiu a algum episódio específico? E o que os seus adversários descobriram que você terá que mudar ou aperfeiçoar no tatame?

Isto vem acontecendo há algum tempo. Tenho tido muita dificuldade de lutar com a maioria dos adversários, até alguns que vencia com certa facilidade. Todos nós temos brechas e dificuldades enquanto lutamos. Certamente os que têm resultados mais consistentes acabam as expondo mais. O que tenho tentado é transformar minhas dificuldades em pontos fortes.

Você parou por duas semanas no começo do ano, quando aproveitou para fazer trabalho de reforço muscular e de peso. Como foi esse tempo, e eles ainda estão dando resultado?

Precisava ganhar peso, mas com qualidade. Meu desafio foi manter este peso adquirido e estou conseguindo.

O que pensa do Brasil ser sede das Olimpíadas de 2016?

É a chance de nos tornarmos uma potência olímpica a partir daí. Realmente é algo que todos que dedicam sua vida ao esporte querem ver.

Acha que tem uma reserva boa de judocas para 2016, ou os brasileiros vão poder contar com você?

A princípio pretendo estar no Rio em 2016, mas minha cabeça hoje vive Londres 2012.

Com tanta competição e treinamento, ainda é possível ter horas de lazer?

Tem sido raro ultimamente. Nos intervalos entre cada treino fico tão cansado que não tenho muita energia para muitas coisas. Desta forma, fico muito em casa, lendo ou assistindo a algum filme. Saio para comer, ir à praia. Nada muito cansativo.

O que o esporte  ensinou de mais valioso para você?

O esporte nos dá duras lições. Isto fez com que eu adquirisse maturidade, autoconhecimento e uma determinação enorme desde muito cedo.

Perfil

Leandro Marques Guilheiro

Nascimento: 7 de agosto de 1983 (28 anos).

Naturalidade: Suzano (SP).

Altura: 1,76m

Peso:  80Kg

Conquistas: Medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004; prata no Pan do Rio de Janeiro em 2007. Nos Jogos de Pequim, em 2008, conquistou medalha de bronze. Em 2010, ganhou a prata no Mundial de Tóquio. Em 2012, foi campeão Pan-Americano.