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Tharcísio Anchieta fala sobre expansão do futsal no interior do Amazonas e muito mais

Federação Amazonense de Futebol de Salão (FAFs) se esforça para levar o futsal para o interior do AM, mesmo com a crise econômica e até mesmo política dentro da Confederação Brasileira que afetou a entidade e a fez abrir mão da sede 23/01/2016 às 21:37
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Tharcísio também comemorou acesso à elite do futsal brasileiro
Anderson Silva Manaus (AM)

2015 foi um ano de aperto no bolso do brasileiro e todos os setores sofreram com o impacto da desaceleração da economia. O futsal Baré, assim como outros esportes, também  sentiu os efeitos da crise. E ainda tem  aquele velho ditado que diz que “o que está ruim, pode piorar”. Neste caso, o que piorou foi  a saúde financeira da  Federação Amazonense de Futebol de Salão (FAFs). A entidade está tendo que se virar sem os recursos que recebia, outrora, da Confederação Brasileira de Futsal (CBFS), já que a entidade máxima da modalidade brasileira teve seus convênios suspensos por problemas de prestações de contas. Com isso, todos os repasses para as federações locais também foram suspensos, e o prejuízo foi grande.

Em Manaus, por exemplo, a FAFs teve que abrir mão de sua sede, que antes era alugada. Apesar dos pesares, a modalidade seguiu a diante, estreou novas divisões e até comemorou boas colocações em nível nacional.

E para falar sobre este cenário, o CRAQUE entrevistou o presidente da FAFs, Tharcísio Anchieta, que falou sobre o que se deve esperar do futsal amazonense em 2016.

O que marcou o ano de 2015 para o futsal?

O ano de 2015 marcou a estreia da série ouro e série prata no futsal amazonense. Foi algo inédito a criação dessas divisões de acesso da categoria adulta. A federação quer que seus afiliados participem de muitos jogos e foi o que conseguimos. Tivemos 26 competições, tanto no masculino quanto no feminino, e isso foi muito legal. Foi muito movimentando de fevereiro a dezembro.

E como funcionaram as séries?

A série ouro teve oito equipes em 2015 e agora em 2016 serão 10 com as que subiram da série prata. A (série) prata teve times de Manaus e do interior... Iranduba, Tefé, Careiro, Manaquiri e foi bem interessante. Temos que pensar o Campeonato Amazonense como amazonense mesmo, não um campeonato só com times de Manaus.

E como está o futsal no interior do Estado?

Hoje temos um departamento na federação só para competições do interior. A federação foi para o interior e está realizando as competições com polos. Se um time lá de Uarini quiser se inscrever, vai ser inscrever. Não é fechado. É aberto! E hoje temos uma série prata criada para os times do interior. Nós sonhamos estar no interior inteiro.

Quanto ao futuro do futsal, como é feito a garimpagem dos novos talentos?

Criamos os festivais pela primeira vez. Foram quatro festivais em 2015 para as crianças sub-9 e sub-11, para que elas joguem sem aquela necessidade do ganhar. Trabalhamos com o sistema de convites. Convidamos os projetos de bairros do São José, Novo Israel mesmo sem estarem formalizados como equipes. A dificuldade dos projetos é que eles não têm um estatuto regularizado. Aí eles participam como convidados. Também doamos bolas oficiais para os times de bairros. É o retorno social que a federação pode dar.


Em 2015, o que o futsal amazonense conquistou?

O melhor resultado do ano em nível nacional foi o do time da Tuna Luso, que foi vice-campeão da Taça Brasil sub-17 da primeira divisão. Perdeu para o João Pessoa, time da casa na final, na prorrogação. Foi uma campanha boa com acesso à divisão especial. Temos isso como um resultado muito importante. Também tivemos na Liga Norte, no Pará, o Manaus Esporte Clube que ficou em terceiro lugar. Perdeu para os donos da casa. Tivemos o azar de pegar os donos da casa nas competições. Mas não deixou de ser um bom resultado. Também conseguimos nos manter na divisão de acesso nas outras categorias.

Como será o calendário para esta temporada?

Estamos com um calendário bem extenso. Teremos todas as categorias, feminino e masculino, também sub-9, sub-11 até o final do ano. Serão 26 competições novamente. Precisamos fazer jogos para que as equipes nos representem bem nas competições nacionais.

Teremos competições nacionais disputadas em Manaus?

A única coisa que a gente tem programado, já combinando com as equipes da região Norte, é a Copa de Seleções sub-18. Mas vamos discutir a copa que poderá levar um nome de um homenageado que não posso revelar ainda.

A seleção que vai disputar a copa já esta montada?

Vamos aproveitar que a competição é sub-18 para trabalhar e termos uma equipe sub-20 forte. O Marcelo (Galvão) vai comandar esses meninos. São os mesmos meninos que no ano passado eram sub-17 e este ano são sub-18. A expectativa é que esse grupo fique trabalhando junto por três anos para defender o Amazonas. Queremos ter uma categoria adulta disputando com igualdade a divisão especial.

E quanto ao feminino em competições nacionais?

Em junho temos a Taça Brasil Feminino e o Estrela do Norte é bicampeão. Ano passado por conta de problemas da confederação não teve a Taça Brasil feminino e como nenhum estado se prontificou a fazer a taça o Estrela do Norte não foi. E esse ano ainda bem que eles ganharam e tem novamente a possibilidade de ir para a competição nacional.

Qual o problema que ocorre com a Confederação?

O problema com a CBFs é longo. Em 2013 a prestação de contas do ex-presidente, Aécio de Borba, que estava desde 1979 na confederação foi reprovada na assembléia. A partir do momento que essa prestação de contas foi reprovada, os contratos públicos que eram os grandes contratos de patrocínios da confederação foram cancelados. Eram contratos com o Banco do Brasil, correios e isso gerou uma dívida de milhões que ela não consegue pagar. O presidente teve que renunciar o cargo e assumiu o Renan (Tavares, vice-presidente), aí algumas federações num movimento que diria até estranho organizaram uma retirada, então ele acabou renunciado. Foi feito uma nova eleição e assumiu agora o presidente da Federação de Minas Gerais, que pegou uma confederação cheia de dívidas e problemas. Problemas políticos com os próprios atletas que não queriam mais servir a seleção, enfim... Ele está tendo que resolver um problema bem grave e com isso ele não está conseguindo mais passar o apoio que dava para as federações. Até 2014 as federações recebiam R$ 4 mil por mês e desde lá as federação não recebem nada e agora temos que pagar várias taxas. A situação está difícil para a confederação e também para as federações. Não é só a do Amazonas, mas em todas.


Essa ausência do repasse está prejudicando a FAFs?

Tivemos que fechar a sede no Parque 10. Até fevereiro deve sair à sala prometida pelo governo do Estado no Ginásio Renê Monteiro. Nós alugávamos a sede no Parque 10, e estamos sem nada, e estamos contando com a sala. Precisamos de um local para a parte administrativa se não fica numa situação bem complicada. Como não tem mais dinheiro fica uma situação difícil de pagar um aluguel de R$ 900.  Antes na Praça 14 pagávamos um aluguel de R$ 1.300  e procuramos um lugar mais barato. Mesmo assim agora não conseguimos pagar nem os R$ 900. Não tem outra receita e não posso repassar os custos para os clubes.

A entidade conta com algum patrocinador?

Eu tenho patrocínio do Sushi Ponte Negra e da Comepi. Corremos atrás de todos os patrocínios possíveis, mas com essa situação que vive o Brasil está difícil. Aí acabamos vivendo atrás da ajuda do presidente, das contribuições dos clubes. Também temos o apoio da Kagiva, que nos doaram as bolas e doamos elas para os clubes.

Falando dos profissionais. O que o FAFs tem feito para melhorar o nível dos profissionais?

Para os árbitros, estamos fazendo o curso de arbitragem e   desde 2014 eles fazem uma atualização no começo do ano. No curso de arbitragem eles têm palestras com psicólogos, profissionais de educação física e o mais importante de tudo é a discussão de regras. Normalmente trazemos alguém da confederação para passar uma atualização. Esse ano também os treinadores vão participar, que é para tentar diminuir essa diferença de interpretação que ocorre muitas vezes entre o treinador e o árbitro. Vão sentar e discutir juntos para tentar diminuir a reclamação. A ideia nossa é que antes de começar as competições diminua esse problema. Fevereiro temos o curso para treinadores. Faremos um grande fórum para discussão, com especialista, mestres para ter uma troca de experiências.