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DO BECO

Times do mesmo beco no São José I mostram sua união na disputa do Peladão 2017

Os times do Peladão 'Tigres' e 'Fúria' do São José I compartilham a mesma rua, família e paixão pelo futebol 22/09/2017 às 05:00 - Atualizado em 22/09/2017 às 17:41
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Família e amigos se uniram para formar os times. (Foto: Evandro Seixas/A crítica)
Jéssica Santos Manaus - AM

A Fúria dos Tigres? Tigres em fúria? Bem que podia ser um desses o nome das equipes ‘Fúria’ e ‘Tigres’ do São José I. Isso porque as duas equipes vêm do Beco Roraima, no bairro do São José, e, apesar de estarem, cada uma por si, na disputa do Peladão, são uma única família.

Tudo começou quando a comunidade do Beco Roraima montou um time para participar do Peladão: Os ‘Tigres do São José I’. “Aqui todo mundo é unido, então resolvemos criar o time apenas como uma brincadeira entre amigos. Mas, este ano, mudamos o elenco, reforçamos a equipe, para tentar chegar mais longe no Peladão”, explica o representante e técnico do Tigres, Viola. 

Assim, eles resolveram investir no campeonato de peladas, convidando jogadores de vários lugares, e deixando sem time os garotos da comunidade, que jogavam pelos Tigres.

Técnicos do dois times do Beco Roraima, no São José I, são unidos, e colaboram um com o outro. (Foto: Evandro Seixas)

Foi quando surgiu o segundo time do Beco Roraima, o “Fúria do São José I”. “O ‘Tigres’ queria vir com força máxima para chegar pelo menos aos oito melhores do Peladão, então, tivemos a ideia de montar outro time com aqueles jogadores que ficaram de fora, e se sentindo rejeitados, para a gente brincar também”, conta o técnico do ‘Fúria’, André Barbosa.

André disse que o time iria se chamar ‘Tigres B’, mas a pessoa responsável por inscrevê-los no Peladão resolveu colocar um nome diferente, e parece que esse nome tem tudo a ver com a equipe. “Se formos pensar, é o time dos furiosos mesmo, que foram rejeitados pelo Tigres (risos)”.

Mas os furiosos agora não querem só brincar não. “Montamos o time com uma garotada, mas vamos que vamos, e já chegamos dando trabalho, pois perdemos de 2 a 1, mas foi para o Niteroy, que ficou entre os oito do Peladão no ano passado, e poderíamos ter acertado o pênalti que tivemos no final. Vamos melhor nos próximos jogos”, disse ele.


Hoje, com dois times, a comunidade do Beco Roraima é só alegria. Katiane Souza é organizadora da torcida do beco. “Nós somos uma só família, que se reúne para torcer pelo ‘Tigres’ e pelo ‘Fúria’. E mesmo que os dois times joguem no mesmo horário, somos uma torcida grande, e podemos nos dividir para estarpresentes nos dois jogos”, disse. 

Katiane disse que tudo começou para unir amigos e família para jogar futebol, e assim continua sendo. “Estamos sempre juntos lá, e quando acabam os jogos, a torcida corre pro beco, e faz a festa”, disse ela. 

Mas nem tudo é amistoso desse jeito, pois na hora de cobrar do time, a torcida entra pra valer. “A torcida vê além do que eles conseguem enxergar de dentro do campo, então vemos quem está jogando e quem não está, e gritamos: - tira o fulano! Às vezes eles nos ouvem, mas outras não, e ficamos chateadas, mas não podemos fazer nada, eles mandam”, explica ela.

“A nossa torcida também é furiosa, inclusive se eu não fosse parente deles, minha cabeça estaria em jogo, com certeza (risos)”, disse o técnico, André.

Torcida impressiona jogadores

William Souza, do Fúria, também mora no São José I, e falou sobre a união do Beco Roraima. “Todos acolhem a gente, se preocupam com os jogadores no campo, e eu não tenho do que reclamar”, ressaltou.

Do lado dos Tigres do São José I, Marcinho Gaúcho veio do bairro Zumbi para integrar o time, e se impressionou com o apoio ao time. “A torcida daqui é muito empolgante, faz a diferença, e incentiva muito o nosso time desde o começo até o final do jogo” enfatiza.

Buiuzinho já foi campeão no Peladão pelo time da Manaus Moderna, e também venceu a Copa dos Bairros. Mas o jogador ficou mais de um ano parado, após uma contusão no tornozelo, e voltou a jogar há um mês, quando aceitou jogar pelo Tigres. “Voltei a jogar futebol pelo incentivo dos amigos do São José”, disse ele, que também vive no bairro. “Ainda não conhecia este beco, mas logo que vim aqui fui acolhido e fiz amizade com todos, e percebi que a comunidade apoia não só o Tigres como o Fúria, e os dois times se ajudam”. Vamos tentar ser campeões, não é impossível”.