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Torcida única: brasileiros e haitianos fazem a festa na Arena da Amazônia

A Seleção Brasileira olímpica deu mais um show e goleou o Haiti por 5 a 1 no segundo amistoso em Manaus. Torcedores dos dois países deram um show de alegria e vibração no “esquenta” para a Olimpíada na cidade 12/10/2015 às 23:45
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Brasileiros e haitianos deram um show de vibração na Arena da Amazônia.
Denir Simplício e Camila Leonel Manaus (AM)

Mais que um jogo, uma festa. As torcidas de Brasil e Haiti deram um verdadeiro show na Arena da Amazônia na noite de ontem. Como já era de se esperar, a Seleção Brasileira olímpica venceu, e novamente, de goleada – desta vez por 5 a 1. No entanto, um fato chamou a atenção no duelo entre brasileiros e haitianos. Nas arquibancadas, uma sensação de que ambas as torcidas vibravam com os mesmos lances. Não importando se era o time canarinho ou o azul royal da camisa do Haiti, o que todos queriam ver era bom futebol.

E foi o que os pouco mais de 27 mil espectadores na Arena presenciaram. Boa parte destes, torcedores haitianos refugiados em Manaus. Claro que o time canarinho, com nomes conhecidíssimos no cenário nacional e internacional, atuou com seriedade e não deu chances ao bom time do Haiti. Prova de que os haitianos endureceram a partida  foi a dificuldade inicial da Seleção Brasileira, dirigida interinamente por Rogério Micale, em furar a defesa haitiana.


O primeiro gol do Brasil só saiu aos 35 minutos com uma jogada de dois defensores, que surpreendeu a zaga do Haiti. O segundo saiu logo em seguida, mas a Seleção Brasileira contou com uma “ajudinha” da defesa do time caribenho. Como o próprio Micale cansou de dizer nas coletivas durante o período que esteve na capital amazonense: “Os amistosos da Seleção em Manaus servirão  para testar os jogadores que poderão ir a Olimpíada”.

Melhor para o atacante Gabriel, do Santos. O Gabigol deixou ótima impressão nos dois jogos da Seleção Brasileira em solo baré. O santista já havia marcado contra os dominicanos na sexta-feira (9) e ontem, além de dar assistência para gol, balançou as redes por duas vezes, se tornando o maior goleador da Arena da Amazônia, com 4 gols (Gabriel marcou na vitória do Santos contra o Princesa do Solimões no estádio, em maio de 2014, pela Copa do Brasil).


Outro que encheu os olhos da torcida foi o menino Jesus, do Palmeiras. Insinuante, o atacante do Verdão deu provas de que o futebol alegre e vertical do Brasil ainda vive. O outro estreante do time canarinho, o irreverente Valdívia, foi disparado o mais festejado entre os torcedores amazonenses. O jogador do Inter jogou com a camisa 10 diante dos haitianos e, apesar de não ter feito gol, ontem, se movimentou bastante e municiou o ataque com bons passes.

Em resumo, por mais que os adversários não fossem de “peso”, a Seleção Brasileira olímpica caiu nas graças da torcida local e, bem treinada, é favoritíssima - como em outras ocasiões -ao ouro olímpico. Vale lembrar que essa equipe ainda deve ganhar reforço mais do que bem vindo do craque Neymar.   

No mais, é ver o que Dunga tem em mente para essa geração quando assumir a equipe Sub-23 do Brasil e por sua metodologia em prática. Rogério Micale deu o recado e mostrou que soube explorar bem as qualidades dos jogadores, vamos ver se o treinador da Seleção Brasileira principal não vai deixar a “peteca cair” e manter o mesmo ritmo até a Rio 2016.

A goleada

Nada de vaias, mas aplausos para a entrada de ambas as seleções na Arena da Amazônia. Nas arquibancadas do estádio as torcidas dos dois países se misturavam, não resguardando espaços ou trocando insultos. Os haitianos radicados em Manaus vibravam com cada toque de seus atletas na bola, uma euforia de dar gosto de ver.

Diferente dos dominicanos, a Seleção do Haiti soube se defender e até chegou a assustar a zaga do Brasil nos contra-ataques. O Brasil teimava em errar passes com Maicon pela direita. Pela esquerda, Vitinho chegava bem, mas errava o penúltimo toque na bola. O Brasil seguia pressionando, mas sem muito entusiasmo. Foi quando, aos 35 minutos,  Wallace enfiou linda bola para Maicon, que tocou na saída do goleiro Ceu e abriu o placar. O gol quebrou o ânimo do time haitiano, que se desconcentrou e Gabigol - o melhor em campo - roubar a bola e passar para Vinicius Araújo fazer o segundo do Brasil, aos 41 minutos.


No segundo tempo, Rogério Micale voltou com Gabriel Jesus e Wendell, nas vagas de Vitinho e Maicon. O endiabrado Jesus - com licença ao trocadilho - entrou e, aos 5 minutos, aumentou pro Brasil depois de receber de Valdívia. Micale fez várias alterações na equipe e uma delas, Felipe Anderson, sofreu pênalti. Gabigol cobrou aos 38 minutos e fez o quarto da Seleção. O quinto veio pouco depois com o mesmo Gabigol com passe de Felipe Anderson: 5 a 0, aos 41 minutos da etapa final  e festa da torcida brasileira na arquibancada.


Mas, euforia mesmo aconteceu aos 42 minutos, quando Belfort recebeu bola no ataque haitiano, passou pela defesa brasileira e fuzilou o  gol de Uilson. Gritaria geral em todo o estádio. Isso mesmo, brasileiros e haitianos nas arquibancadas da Arena da Amazônia vibraram como uma única torcida. Simplesmente surpreendente e lindo de ver. Foi possível ver haitianos abraçando brasileiros e fazendo a festa juntos.

Depois do gol, ambas as torcidas não pararam mais de vibrar no estádio. A Seleção do Haiti conseguiu o seu gol e a brasileira conseguiu a segunda goleada em sua passagem por Manaus.


Para Gabriel Gabigol, agora o maior artilheiro da Arena da Amazônia, com quatro gols, em três partidas, a sensação é de Manaus lhe trás muita sorte e comemorou o fato de ser goleador máximo do estádio amazonense.

“Muito contente. Agradeço muito a Deus pelos gols. Joguei muito pouco aqui, acho que essa é a segunda vez que eu vim para cá. Sempre fazendo gol e eu tô muito contente por essa marca”, disse o atacante do Santos. Para os demais atletas foi a chance de mostrar suas qualidades para o chefe Dunga. Agora é esperar pela sequência dos trabalhos na Seleção olímpica até a Olimpíada no Brasil.