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Torneio Grande Circular de Boxe Amador movimentou o sábado em Manaus

Boxeadores inspirados em Muhammad Ali e Rocky Balboa foram destaques no evento da Zona Leste 18/06/2012 às 11:26
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Boxeadores inspirados em Muhammad Ali e Rocky Balboa foram destaques do Torneio Grande Circular de Boxe Amador
Nathália Silveira Manaus

Herdeiros de uma história e de nomes importantes do boxe mundial. Em Manaus, dois lutadores que disputam o Torneio Grande Circular de Boxe Amador, se destacam por honrar a trajetória de grandes heróis do ringue. O pai do tricampeão amazonense Morramad Araújo, pode até ter errado na escrita do nome, mas não se enganou quanto ao futuro e a essência do filho na luta.

Assim como o campeão dos pesos pesados e lenda viva do esporte  Muhammad Ali, o pugilista da terrinha baré adotou os movimentos de corpo e tronco do Norte americano para se dar bem nos combates, e vem colhendo frutos. Não foi à toa que conseguiu o empate na luta principal, após três rounds (por 10 a 10) com Benegildo Silva, no evento do último sábado, realizado na Zona Leste.

Basta observar por alguns segundos Morramad Araújo, que logo é possível identificar os primeiros indícios de seu referencial: A famosa dancinha em cima do ringue. O chamado balé da luta, fui usado pela primeira vez pelo “desportista do século” (eleito pela revista americana Sports Illustrated em 1999), e vem sendo seguido por muitos atletas, inclusive pelo grande  nome do MMA, Anderson Silva.

“A dança é uma das minhas  estratégias para despistar e deixar meu adversário confuso e nervoso”, afirmou o manauara, que há 11 anos faz parte do projeto da Federação Amazonense de Pugilismo (FAP) e ensina boxe para 20 meninos.

“É uma forma de tentar educá-los através do boxe. Fazemos um trabalho social”, disse o pugilista,  que batalha dia sim, dia não, como agente penitenciário da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP/ Zona Leste).

“Trabalho 12 horas com dias intercalados e por isso o meu treino nas folgas intensifica, fico oito horas investindo nas partes técnica e física. Carregando um nome tão famoso, não posso fazer feio no ringue. Tenho mais responsabilidade por isso”, observou o peso pesado, que sobrevive com dois salários mínimos, e longe dos holofotes e da fama de seu ícone, recebe doações para poder continuar no esporte.

“O boxe é um esporte caro. Meus amigos fazem doações dos materiais (protetor, luva, faixa). Sem eles, não posso estar lutando. Mas, pra gente ser herói, tudo tem que ser com sacrifício, não é?”. É sim, Morramad. Seu próprio ídolo dizia que “Campeões não são feitos em academias. Campeões são feitos de algo que eles têm profundamente dentro de si — um desejo, um sonho, uma visão.” (Muhammad Ali).

‘Rocky’ baré impõe respeito
 Nos anos 70, Sylvester Stallone viveu nas telinhas do cinema Rocky Balboa, um humilde lutador de bairro da Filadélfia, que se tornou o lutador de maior respeito do mundo após vencer o peso-pesado Apollo Creed. Pois bem, apesar de ser apenas um personagem fictício, Rocky deixou sua história de vida para muitos admiradores do esporte.

E pelo mundo, existem milhares que desejam conquistar a  habilidade e resistência do americano. Willian Guedes de 22 anos, é um desses “filhos” do Garanhão Italiano. Como “descendente”, herdou não somente o nome do lutador famoso, mas o modo de entortar a boca, gestos brutos e poder de defesa.

“Não ganhei esse apelido por acaso. Sou muito parecido com ele quando entro numa briga, meu soco é bem forte e esquivo bem. Tento seguir os passos dele, sempre respeitando meus adversários. Quem vem lutar comigo, às vezes nem me conhece, mas, meu apelido já consegue impor medo”, avaliou Willian, que realizou uma das mais belas lutas no sábado e por 10 a 7, conseguindo bater Anselmo Melo.