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Treze índios são levados de aldeia por homem que se identificou como pastor, no Amazonas

Funai e Polícia de Lábrea, Humaitá e Canutama estão à procura do homem que se identificou como pastor, cantor e advogado a índios 20/01/2012 às 15:53
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Aldeia paumari, em imagem registrada pela antropóloga Oiara Bonilla
Elaíze Farias Manaus

Treze indígenas da etnia paumari da aldeia Crispim (entre eles dois adolescentes e duas crianças), no sul do Amazonas, estão desaparecidos há mais de uma semana após serem levados por um homem que se identificou como pastor, cantor, advogado e filho de desembargador. A aldeia fica localizada na região do município de Lábrea (a 610 quilômetros de Manaus), na calha do rio Purus.

Acionadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai), as polícias de Lábrea e do município de Humaitá e Canutama estão à procura do suposto pastor, que deu o nome de Alexandre Campos aos indígenas.

O coordenador substituto da Coordenação da Funai em Lábrea, Izac Albuquerque, disse ao portal acrítica.com que Campos seria um ex-presidiário solto recentemente pela polícia de Humaitá e que teria dado outros nomes para as pessoas com quem já teria contatado anteriormente.

“Ele apareceu na aldeia com um CD se dizendo cantor evangélico e com um papo muito bonito para o lado dos indígenas. A gente estava sabendo dessa situação, tentou ir lá investigar, mas os próprios índios não nos davam muitas informações. Foi quando ele decidiu levar os indígenas numa viagem numa canoa da própria aldeia com a promessa que voltaria com vários equipamentos. Como ele demorou para voltar, os índios nos procuraram preocupados”, disse.

Conforme Albuquerque, investigações preliminares da polícia atestaram que Alexandre Campos chegue de canoa junto com os indígenas ainda nesta terçaa ou quarta-feira (18) a Canutama, vindo de uma área conhecida como KM-70 ou Vila da Preguiça, na estrada que liga Humaitá a Porto Velho (RO).

“Se ele aparecer mesmo vai ser preso. Soubemos que ele esteve na cadeia e que, por meio de um preso, se identificava com o nome artístico de Jhain Rai”, disse o coordenador da Funai.

Promessas

Edilson Osório Paumari, primo de uma das indígenas desaparecidas e morador, disse ao portal que Alexandre ficou uma semana na aldeia fazendo “várias promessas” aos índios.

“Este homem afirmou que vinha de Humaitá se dizendo advogado, cantor, compositor, filho de desembargador. Ficou alguns dias e arrumou uma esposa, que é a minha prima. Na segunda-feira (10) ele pegou uma canoa da aldeia, emprestou dinheiro e disse que ia viajar para trazer equipamentos. Junto com a minha prima levou os filhos dela e outra família junto, de madrugada”, disse Edilson.

Conforme o indígena, Alexandre entrou em contato com a aldeia na sexta-feira (13), dizendo que estaria no KM-70, mas desde então não deu mais notícias.

Edilson disse que mesmo que reapareça, Alexandre não será mais aceito na aldeia e terá que “devolver” a indígena que tomou como esposa.

Buscas

A antropóloga Oiara Bonilla, que atua como pesquisadora junto aos paumari, disse que a mãe de uma das mulheres desaparecidas entrou em contato com ela na semana passada demonstrando preocupação com o desaparecimento da filha.

“Ontem (16) voltei a falar com ela. Novamente ela me confirmou que a não tem notícia da filha. Uma das netas, que tem celular, também não atendeu as ligações”, disse Oiara, que atualmente reside no Rio de Janeiro.