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UFC pede cautela após 'boom' de lesões, mas especialistas dizem que é difícil evitá-las

Desde o início de maio, aconteceu uma explosão no número de competidores machucados, com cerca de duas dezenas de gladiadores indo parar na “enfermaria" 12/06/2012 às 12:17
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Bruxa solta: Aldo tem lesão muscular, Belfort machucou a mão e Cruz rompeu ligamento
Uol/ Esporte ---

O trabalho dos chefões do UFC costuma ser complicado: organizar dezenas de eventos pelo planeta, casar lutas de mais de 300 atletas e conciliar a agenda de todos estes envolvidos. Mas não é só. Imprevistos acontecem. E o maior pesadelo pelo caminho são as lesões. Desde o início de maio, aconteceu uma explosão no número de competidores machucados, com cerca de duas dezenas de gladiadores indo parar na “enfermaria".

Esta “bruxa solta” passou por astros como José Aldo, Vitor Belfort e Dominick Cruz e, além de desfalcar cards importantes para o evento e mudar uma série de combates já agendados, acabou abrindo a discussão sobre o ritmo de treinos e a possibilidade de os lutadores pegarem mais leve para tentar garantir uma preparação em que cheguem ilesos em seus combates.

O presidente do Ultimate, Dana White, falou sobre a onda de problemas e apelou aos lutadores. “Essas coisas começaram a acontecer com mais intensidade no ano passado, e foi devastador. Agora sei que é parte dos negócios. Mas esses caras precisam baixar um pouco o ritmo dos treinamentos e parar de machucar uns aos outros”, afirmou o norte-americano, à Fuel TV.

O UOL Esporte conversou com lutadores, técnicos e empresários para entender se é possível atender ao pedido do dirigente. O problema, segundo eles, é que o esporte é naturalmente de contato e de impacto e que a exigência dos treinos de diversas artes marciais com intensidade elevada, puxada pela exigência de bons resultados, acaba causando tantos problemas, mesmo com trabalhos de prevenção.

“O primeiro motivo para tantas lesões é que um esporte de impacto e de contato já aumenta muito a incidência. São acidentes que acontecem quando os lutadores tentam levar o corpo ao limite máximo de sua capacidade”, explica Márcio Tannures, médico que cuida de Anderson Silva. O próprio campeão dos médios admitiu lutar com problemas nos últimos anos: contra Chael Sonnen, uma contusão na costela; contra Yushin Okami, um problema no ombro.

O médico detalha que as lesões musculares são mais comuns, devido às repetições de movimento, ao cansaço e aos golpes recebidos. A prevenção é feita com um trabalho de base, reforços musculares e muita fisioterapia. Mas os treinos no ritmo de combate, como os de sparring, facilitam para que imprevistos aconteçam.

“Não adianta as pessoas falarem: ‘tem que treinar mais leve’. Você precisa mimetizar o que faz na luta. Se aliviar, vai para a luta mal treinado”, completa Tannure.

O veterano Minotauro, ex-campeão do UFC e do Pride concorda e cita o comum excesso de treinos, chamado de overtraining: “Para se sentir seguro, o atleta precisa chegar mais do que bem treinado, e às vezes passa do ponto. Eu mesmo acho que lutei 40% das minhas lutas com dores. Tem  uma frase que se fala que é: ‘Se não lutei machucado, é porque não treinei direito’. Mas não gosto de ir para o octógono assim. A performance piora bastante.”

Para o baiano, as cobranças também acabam afetando o psicológico, e por consequência os treinos. “A cobrança dentro do UFC para que se esteja 100 e aquele papo de que se perder duas lutas você já pode sair também fazem o atleta treinar mais. E todo mundo quer ver lutas, não quer saber se você está ou não com dores”, afirmou.