Publicidade
Esportes
Craque

Um ano após quase perder a vida, amazonense é campeão no Brasileiro de Caratê

Lucivan Araújo retornou em grande estilo e mostrou que sua conquista neste domingo foi apenas o começo de uma bela história 09/07/2012 às 10:07
Show 1
Lucivan contou com a torcida local e ajudou a equipe amazonense a vencer
Nathália Silveira Manaus

O carateca Lucivan de Araújo, 28, é a definição do que é ser um campeão. A palavra não se adequa somente por ele ter conquistado, neste final de semana, o Tridecacampeonato (13 vezes) do Brasileiro de Caratê por equipe na categoria sênior. Mais do que isso. Ele recebe o termo por sua persistência, fé e dedicação ao lutar (literalmente) por uma causa nobre: Apagar as marcas da madrugada do dia 23 de julho de 2011, quando levou quatro tiros ao sair da casa de show  Charriot, na Cidade Nova (zona Norte), e transformá-las em vitória. Em sua primeira luta depois de quase um ano de reabilitação, fisioterapia, fonoaudiologia e cadeira de rodas, o carateca retornou em grande estilo e mostra que sua conquista neste domingo foi apenas o começo de uma bela história.

“Muitas pessoas não esperavam que eu voltasse agora. O prognóstico dos médicos era que eu retornasse aos poucos e só daqui a dois anos. Mas, com muita honra e glória consegui quebrar o paradigma da medicina”, vibra Lucivan, que além de competir, foi à disputa como diretor técnico. 

Bastante emocionado, o atleta explica que antes do incidente ele precisava enfrentar o adversário e o árbitro. Agora, a competição se tornava mais difícil, pois além de tudo isso, é preciso saber lidar com a insegurança, o medo e as dores. “Apesar disso, a ideia de desistir não passou um minuto sequer pela minha cabeça”, afirmou Lucivan, que ainda sente dificuldades para dar socos devido sua coordenação motora  estar comprometida.

Com um quadro em que ainda é necessário evoluir, Lucivan recorre a hemoterapia uma vez por semana, quando tira 5 ml de sangue e aplica no músculo da perna ou glúteo, para aumentar a imunidade. A fisioterapia e o uso do medicamento Etna, indicado para o restauro de lesões nervosas periféricas, também são seguidos a risca pelo atleta. “O próprio Qatar tem efeito em mim como fisioterapia, devido ele proporcionar equilíbrio, flexibilidade e resistência. O que ainda preciso trabalhar e é minha voz e a coordenação motora”, explicou o carateca.

Ao conquistar o Campeonato Brasileiro com uma equipe de mais quatro pessoas, incluindo seu ex-técnico, Retclis Matos e seus irmãos Luciano e Alderlan Araújo, Lucivan carimbou passaporte para o Mundial de Caratê, em novembro, na Austrália. Além disso, conquistou vaga para o Pan Americano da modalidade, que acontecerá no mês de outubro, em Sergipe. Para ir às duas disputas, Lucivan vai contar com um reforço que vem de Aracaju, o educador físico Marcelo Silva. “Ele vai ser o responsável por me ajudar a crescer ainda mais. Com o conhecimento dele, vou poder ter um trabalho aeróbico, físico e técnico. Tudo isso, com um único foco: estar preparado para nunca deixar de ser um campeão”, disse ele. Alguém duvida?

Retclis Matos - carateca e professor

1  Você foi primeiro lugar na Sênior e já participou de todas as edições do Brasileiro (19 vezes). Sendo assim, como você avalia sua participação na competição este ano?
Foi boa. No entanto, foi muito difícil conquistar o pódio. Enfrentei cinco combates e dentre eles havia um atleta de Sergipe que era bem mais rápido do que eu. Mas com minha experiência consegui eliminá-lo. Participo desde 1979 e essas foi umas melhores edições para mim.

2  Foi uma das melhores edições, devido a disputa ser em casa?
Também. Isso pesa bastante. Mas porque recebemos um número muito grande de atletas e tudo ficou muito competitivo, lutas de alto nível.

3 Você também conquistou 1º lugar por equipe junto com Lucivan. Como encara a volta deste carateca?
Com uma felicidade muito grande, é emocionante e bom ter ele na equipe novameente. Uma benção.