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“Um de nós vai correr a final”

Nascido no Amazonas, Sandro começou tarde no atletismo, mas, curiosamente, foi depois de “velho” que ele conseguiu suas melhores marcas 22/07/2012 às 17:11
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Sandro Viana disse não saber se estará nas próximas Olimpíadas, em 2016, no Rio de Janeiro
Leandro Prazeres Londres

A luta de todo velocista é contra o tempo, mas para Sandro Viana, essa briga não é apenas contra o cronômetro, mas contra o calendário. Aos 35 anos, ele vai para sua segunda olimpíada (a primeira foi em Pequim, em 2008) e parte da imprensa especializada acredita que Londres será sua última participação em Jogos Olímpicos. Nascido no Amazonas, Sandro começou tarde no atletismo, mas, curiosamente, foi depois de “velho” que ele conseguiu suas melhores marcas.

Entre um treino e outro, Sandro encontrou tempo para receber a reportagem de A Crítica em Londres e deu essa entrevista exclusiva. Na conversa, o velocista fala sobre suas expectativas e estratégias para as Olimpíadas. Para falar do futuro, ele volta ao passado: “Não sei se estarei na próxima. Mas eu também nem sabia se iria para a primeira”.

Você não vem de bons resultados em 2012 nos 200 metros rasos, mas mesmo assim, conseguiu a vaga. Como isso interferiu no seu treinamento, já que você também vai correr o revezamento 4x100?
É...realmente, se fossemos olhar o retrospecto, eu não teria a vaga nos 200 metros, mesmo tendo o índice olímpico. Mas quando chegou em maio, o Diego Cavalcante, que é meu colega, me disse que não suportava mais as dores que ele vinha sentindo. Ele disse que iria fazer exames, e que só participaria das olimpíadas se o resultado não apontasse nada. Não foi isso que aconteceu e então em junho, eu já estava sabendo que ele não iria e que eu iria ficar com vaga. Como eu vinha num processo muito forte para tentar a vaga, eu acabei tirando o pé do acelerador e mudei minhas estratégias de treinamento, já que teria duas provas para disputar. A partir daí, eu foquei meu treino nas olimpíadas, e não na conquista do índice.

Qual será sua estratégia nos 200 metros rasos, prova em que você terá adversários como Usain Bolt?
Pra chegar à final, são necessários quatro tiros. No meu caso, como eu já tenho o índice, eu já elimino uma bateria. Sobram duas. Entro na eliminatória. Para ir à final, em tese, eu tenho que correr abaixo de 20 segundos e 30 centésimos. Meu melhor tempo neste ano foi 20 segundos e 40 centésimos. Ou seja, com o meu melhor tempo, eu teria que depender de outros resultados. Mas isso é muito subjetivo. Tem dois tipos de competição. A que você corre para chegar na frente, quando os tempos são mais lentos, e aquela em que você precisa fazer o tempo. Pelo que eu vi, aqui a gente tem muito vento, chuva. Isso deixa a prova mais lenta e mais aberta. Vai pra final quem chegar na frente, e aí eu acho que fica mais fácil chegar à final. Se a prova tiver tempo bom, pouco vento, aí sobra só a elite mesmo.

Quais os principais favoritos nos 200 metros rasos? São os jamaicanos. O Usain Bolt e o Yohan Blake, por exemplo. Os Estados Unidos vão chegar com um grande favorito, o Wallace Spearmon. Antes, os americanos chegavam com quatro favoritos. Fora esse tem um francês (Christophe Lemaitre), que está entre os 10 do mundo. Esses quatro vão brigar pelas medalhas, com certeza. Ainda sobram quatro raias e aí a briga é aberta.

Quais as chances dos brasileiros?
Nós temos atletas bastante velozes, mas nossas melhores chances são dentro do cenário em que a prova for um pouco mais lenta. Somos bons de chegada, mas como eu disse, se nas eliminatórias, os atletas começarem a fazer tempos abaixo de 20 segundos, vai ficar difícil pra gente. Ter os três brasileiros (Sandro Viana, Aldemir Gomes e Bruno Lins) na final seria um sonho, mas acho que pelo menos um de nós consegue a vaga na final.

E no revezamento 4x100? O favoritismo segue entre jamaicanos e norte-americanos?
Eu diria que a prova está aberta. Olha... nós nunca tivemos uma equipe tão rápida. Todos os corredores fizeram tempos abaixo do índice. O que estamos fazendo agora é uma lapidação. Estamos treinando a passagem do bastão porque esse é um dos momentos mais críticos da prova. Veja que os Estados Unidos, há quatro anos, não termina uma prova importante no revezamento por problemas como esse. Em 2008, eles deixaram o bastão cair. Já foram desclassificados por passarem o bastão fora da zona, já tiveram colisões. Os jamaicanos também já tiveram problemas. Acontece que os atletas estão muito rápidos, mas não têm domínio da técnica da passagem do bastão. Agora, se os jamaicanos acertarem a mão, eles batem o recorde mundial, porque têm muita potência pra isso. Mas hoje, temos equipes como a República Tcheca, Itália e Holanda que nem são tão rápidas, mas que têm domínio dessa técnica e que podem surpreender. Assim como a gente.

Perfil
Sandro Ricardo Rodrigues Viana

Idade: 35

Naturalidade: Manaus (AM)

Altura: 1,88

Peso: 77kg

Modalidade: 100 e 200 metros e revezamento 4 x 100m.
Títulos Medalha de ouro no Pan de 2007 no Rio e em Guadalajara, México, em 2011, no 4 x 100m; participação nos Jogos Olímpicos de Pequim: Segunda fase dos 200 m (30º lugar) e final do 4 x 100 m (quarto lugar).