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Um dia na Arena da Amazônia

Reportagem do CRAQUE ‘invade’ a Arena da Amazônia para contar como funciona essa megaobra, por dentro. O resultado você confere nesta reportagem e ainda num tour virtual inédito 23/02/2013 às 15:24
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Operários trabalham na Arena da Amazônia
Leanderson Lima Manaus (AM)

Ferro, concreto, sol, chuva. Trabalho. Muitas horas de trabalho duro! Manhã, tarde e noite. Nada para por aqui. A Arena da Amazônia é um “organismo vivo” que, a cada dia, cresce um pouco mais e vai ganhando a forma do palco onde será encenado o maior espetáculo do futebol mundial: a Copa do Mundo de 2014.

A reportagem do CRAQUE invadiu o território de engenheiros, técnicos e operários e acompanhou, no último dia 7 de fevereiro, um dia inteiro de trabalho no novo templo do futebol amazonense, para contar como tudo funciona por lá. Enquanto isso, o editor de fotografia de A CRÍTICA, Clóvis Miranda produziu tour virtual na Arena em 360º, o qual os internautas podem acessar e também via smartphone na etiqueta no centro da página do jornal A Crítica.


Bom dia

O dia começa cedo para quem labuta na Arena da Amazônia. São 7h da manhã. Na mesa, café com leite, pão com manteiga e uma laranja. É preciso “encher” o tanque, mas nem tanto. Afinal, o dia está apenas começando.

No canteiro de obras, depois de “forrar o estômago” é hora de reunir os grupos de trabalho. Já são 8h.

Uma grande obra como a Arena da Amazônia tem as suas células. Núcleos de trabalhadores que são comandados por um chefe.

É hora de receber as instruções. O discurso preza pela segurança. Os operários são lembrados que, depois do expediente, são aguardados por suas famílias, por isso, todo o cuidado é pouco.

Depois da rápida palestra é hora de fazer uma oração para que tudo ocorra bem. Mãos dadas. Um Pai Nosso vai bem para quem procura proteção. E por falar em proteção é hora de colocar o restante dos equipamentos de segurança. Quem vai para o sol não esquece o protetor solar. O tempo muda o tempo todo. A manhã é de sol, mas já vai chover. É assim no inverno amazônico.

Os “núcleos” começam o trabalho de forma quase simultânea. É como se tudo funcionasse como um relógio com suas inúmeras engrenagens. É só que esse relógio é barulhento. Muito barulhento. Daqui pra frente fica difícil até conversar.

Nosso “guia” nesta etapa é o engenheiro Maurício Biasin, 42. Este paulista de Jundiaí – que é corintiano - está no comando nas obras da Arena da Amazônia. Sempre atencioso, ele nos leva por vários setores da obra e fala sobre esse novo momento da engenharia no Brasil. “Já fizemos muitas obras em vários lugares do País, mas construção de uma Arena é algo novo no Brasil, então tudo é uma grande novidade”, explica.

Seguimos enfrente. Conhecemos um grupo de alunos de construção civil que tomam aulas práticas na obra. “A empresa tem um programa de formação de mão de obra”, explica Maurício. De fato, a Andrade Gutierrez, responsável pela construção da Arena, forma muita mão de obra. Mas, com o mercado em franca expansão, às vezes fica difícil reter esses talentos. A rotatividade aqui é grande.

Arquibancadas

Depois de conhecer vários setores da Arena, tomar aquela água gelada para “matar” a sede, é hora de conhecer as arquibancadas. Deu até tempo de brincar de olá. O espaço entre um degrau e outro é grande. Nem de longe lembra o antigo estádio Vivaldo Lima. Até porque, na Arena da Amazônia, cada cadeira terá assento próprio e será numerada. Padrão Fifa.

A visão do campo também impressiona. Com a angulação exigida pela Fifa é possível ter uma visão total do campo independente do local onde o espectador esteja acomodado. Por enquanto, nada de grama, apenas as gruas trabalham elevando para os pisos superiores, as arquibancadas pré-moldadas.


Pausa

Já passam das 10h30. É hora de dar uma pausa na visita pela obra para matar uma curiosidade natural principalmente para um repórter que tem grande apreço pela gastronomia. É hora de conhecer as pessoas que trabalham para alimentar todo esse batalhão. Para fazer isso, basta atravessar a rua e conhecer a base da Andrade Gutierrez.

Lá mudamos o visual. Deixamos os coletes de lado e trocamos os capacetes pelas toucas descartáveis. Conhecemos a nutricionista responsável pela alimentação do exército. É a amazonense Elisângela Moraes e Silva, de 39 anos. Ela levou nossa equipe por um passeio pela cozinha. O desafio dela e de sua equipe é montar um cardápio que ofereça a nutrição adequada aos trabalhadores. Isso é algo relativamente fácil de fazer para quem é formada em nutrição. Só que não basta oferecer o ideal...

O ‘placar eletrônico’

O desafio da equipe de nutrição é agradar também o paladar dos operários. No refeitório existe uma espécie de “placar eletrônico” no qual os funcionários podem marcar se o almoço estava “ótimo, bom ou regular”. O placar positivo prevalece, mas tem muita gente que reclama também. “Que é para a qualidade não cair”, dizem alguns operários.

Só no dia de nossa visita a cozinha preparou 1.662 kg de alimentos para servir 2.079 funcionários. Deste total de refeições, 950 eram almoços. Haja comida! E o cardápio do dia? Carne moída (o popular picadinho), linguiça, arroz, feijão e um bolo – para celebrar os aniversariantes do mês.

Depois de tanto falar em comida nada melhor do que fazer uma “boquinha”. Como ninguém é de ferro, nossa equipe fez um pit stop no refeitório. O almoço estava bom. O assustador mesmo foi ver como o povo come. “Isso acontece porque eles precisam repor o gasto energético”, explica a nutricionista.

De barriga cheia

Depois do almoço e do merecido descanso, visitamos o “cérebro” da Arena. Um escritório montado em frente ao novo estádio. É lá que é feito todo o planejamento da obra sob o comando de Maurício Biasin. São vários computadores, plantas no papel e até é usado um moderno software (ArqCAD) onde é possível visualizar como o estádio estará nos próximos meses.

O outro lado da rua

De volta ao outro lado da rua, no quartel general da construtora, visitamos o setor onde são confeccionadas as armações de aço que serão devidamente concretadas. Difícil mesmo é entender como eles conseguem se entender naquele emaranhado de aço. São 14h em ponto. Lá vem a chuva. Ainda bem que estamos protegidos porque ela veio forte.

Controle tecnológico

Todo o material que é usado na construção da Arena passa por um rigoroso controle tecnológico. Quem comanda o setor é o paraibano de Campina Grande, Jordam da Silva Chagas, de 49 anos.

O concreto, por exemplo, passa por um teste de pressão. O cimento vai para um recipiente de formato cilíndrico, passa pela cura até ser submetido aos testes de pressão. “Testamos aproximadamente 2.400 blocos deste por mês”, informou Jordam. “Tudo é testado por aqui. Se detectarmos qualquer problema o material é descartado na hora”, avisa.

Carpinteiro

Foi na carpintaria que conhecemos um dos personagens mais curiosos desta reportagem, o senhor Arandir da Silva Correa. Aos 62 anos ele é o funcionário mais velho trabalhando na Arena. São 33 anos na função.

Seu Arandir tem toda a paciência do mundo para ensinar os novatos que chegam a seu setor, mas confessa com o vigor de seus 62 anos: “Tem muito jovem que passa por aqui e não gosta de trabalhar. Não gosta de pegar no pesado. Tem bastante trabalho para fazer, mas não é todo mundo que gosta de suar a camisa”, revela o carpinteiro que é paraense de Alenquer.

Incrível Hulk

O dia já está quase acabando, mas ainda deu tempo de conhecer o homem que comanda o “brinquedinho” mais inusitado da obra: o “Incrível Hulk”, o maior guindaste em operação na obra. Para se ter uma idéia essa “belezinha” atinge 66 metros de altura, pesa 750 toneladas quilos e suporta erguer o mesmo peso. Haja força! Quem pilota essa máquina é o português Antonio Martins, de 53 anos. Há dez anos ele trabalha com o “Hulk”.

Antonio, que nasceu em Ericeira, – a terra do surf em Portugal – já trabalhou na construção dos estádios do Benfica e do Sporting Clube de Portugal. No Brasil ele trabalhou na construção do novo estádio do Grêmio.

Os próximos passos

Bem humorado, o português fala sobre o trabalho. “Nada é difícil quando se sabe fazer”, brinca. “É a primeira vez que trabalho no Amazonas. O clima é um pouco complicado. Tem mais calor e umidade do que em Portugal, mas no fim trabalho é trabalho e é igual em qualquer parte tudo mundo”, ressalta.

Torcedor do Benfica, ele se envaidece quando fala sobre a importância sentimental que a obra terá. “É gratificante, pra qualquer profissional, participar da construção de um empreendimento desta natureza. Ter um bocadinho do seu trabalho nisso é algo para o resto da vida”.

Quando perguntamos se a remuneração pelo serviço é boa... “Não!”, dispara em meio a gargalhadas. “Não se pode dizer que é mal, mas também não se pode dizer que é boa, mas eu ganho em Euro”, avisa.

Cronograma da obra

De acordo com o coordenador da Unidade Gestora da Copa, Miguel Capobiango, a Arena da Amazônia será entregue em dezembro deste ano. “Estamos cumprindo o prazo religiosamente. A colocação de pré-moldados termina em abril e já estamos fazendo alguns acabamentos”, explica. As peças da cobertura já começaram a ficar prontas em Portugal e começam a viajar até Manaus a partir do próximo mês. “Em maio começamos a colocar a cobertura, que será finalizada em outubro. Novembro e dezembro faremos a parte do campo e drenagem”, enumera.

Fim do dia para a nossa equipe. Cansaço e as últimas fotos feitas, já fora do canteiro de obras do estádio, na última arquibancada do Centro de Convenções. Um lugar de onde é possível ter uma vista maravilhosa da Arena da Amazônia. A labuta é encerrada para o nosso time, mas continua para os operários que atuam no turno da noite, na concretagem. Eles acabam de chegar enquanto “recolhemos o acampamento”. E como funciona o turno da noite? Bom, isso já é uma outra história...

Viaje pelas obras da Arena da Amazônia: Uma verdadeira viagem em ângulo de 360º.


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