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Um mês após internação para se livrar das drogas, Bazinho mostra-se um novo homem

Pouco mais de um mês da internação para se livrar das drogas, Bazinho mostra-se um novo homem Rotina Jogador segue rígido sistema de tratamento para voltar ao convivio em sociedade. Confira uma conversa franca com o homem que foi um dos maiores artilheiros do campeonato Amazonense da última década. 18/08/2012 às 16:13
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Bazinho abre as portas para o futuro
Adan Garantizado Manaus (AM)

Os últimos 36 dias se transformaram em um período de aprendizado, sofrimento e muita reflexão na vida de Francimar Cota dos Santos. O jogador de futebol conhecido como Bazinho, que por inúmeras vezes esteve entre os artilheiros do futebol amazonense, foi internado em uma clínica de reabilitação durante o período citado para tentar colocar um ponto final em uma angústia que já durava 16 anos: o vício em pasta-base de cocaína.

Ele está recuperando a forma, os sonhos e aproveitando aquela luz que apareceu “no fim do túnel” no dia 11 de julho, quando foi parar no presídio de Manacapuru, após roubar seis quilos de carne de um mercadinho (que foram vendidas para financiar o vício).

Liberado no dia seguinte, o jogador resolveu encarar o problema e buscou tratamento. Na última quinta-feira, Bazinho recebeu o CRAQUE no Instituto Novo Mundo (localizado no km 53 da AM-010) e abriu o coração. Além de retornar ao futebol, o jogador quer reconquistar a confiança de todos os que apostam em sua recuperação.

A mudança já fica evidente ao avistar o atleta. Ele engordou 7 quilos desde a internação e já está quase em seu peso normal (64 kg). No Instituto, o jogador cumpre uma rotina rígida de atividades. Ele divide o alojamento com cinco companheiros e desperta às 5h45 todos os dias. Apesar dos monitores do local evitarem chamar os internos por apelidos, o nome Bazinho “pegou” entre os 60 internos que estão no local.


O tratamento na clínica consiste no “programa dos 12 passos” - muito utilizado em grupos como os alcoólicos anônimos - e na laboterapia (terapia através de trabalhos de jardinagem, panificação, agricultura, psicultura e serviços gerais). As atividades são complementadas com reuniões de orientação e partilha de sentimentos.

“As coisas estão se abrindo de uma forma que eu jamais pensei. Estou tendo uma oportunidade única. Estou mais feliz do que se tivesse ganho um título. E agora será só felicidade”, admitiu o jogador de 33 anos.

Nos primeiros dias, Bazinho teve problemas de adaptação (o que por conta da abstinência é normal para quem opta pelo tratamento). O fato de encontrar um amigo de infância de Itacoatiara na clínica foi fundamental para a ambientação do artilheiro. Mas, bastou avistar um campo de futebol no Instituto para Bazinho se sentir em casa.

“No meu segundo dia aqui, já participei do futebol. Aí o conhecimento já foi total (risos). Sou o cara mais disputado da pelada e o que mais leva ‘trancos’ também”, brincou o jogador, que está contando seus gols nos jogos. Já foram 46 bolas na rede, o que prova que o a habilidade de se livrar dos marcadores e estufar as redes permanece. Resta agora a Bazinho se livrar de alguns “zagueiros” que apareceram em seu caminho, e recuperar-se para a vida. Ainda faltam três meses de tratamento.


Três perguntas

1 - Como tem sido para você viver nessa rotina disciplinada aqui no Instituto?

É como se eu estivesse em um clube de futebol profissional. Faço atividades novas pra mim. Faço pão, cuido da horta, limpo os alojamentos. Isso um dia lá na frente pode ser muito útil.

2 - Você já teve vontade de largar o tratamento?

Isso dá diariamente. Mas, sempre vem aquele pensamento de olhar para trás e ver o sofrimento da minha esposa e dos meus filhos. Tudo isso me fortalece. Aquilo é passado. Não quero mais! Todo mundo está acreditando em mim e não posso decepcioná-los.

3 - Assumir o vício e não ter medo de expor isso para todos te ajudou de alguma forma?

Já vinha com isso na garganta há muito tempo e eu queria me libertar. Conversar com as pessoas aqui do instituto me ajuda também. De vez em quando eu choro.