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Esportes
Craque

Uma aula de esporte e de Vida

Hoje com 60 anos, professor de Educação Física é o único técnico amazonense que foi a uma Olimpíada 29/04/2012 às 15:06
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Aly destaca que o sucesso na profissão veio com muito estudo e dedicação
Nathália Silveira Manaus

Entrevistar Aly Almeida é uma aula de esporte e de vida. Por isso que, ao longo da conversa, foi possível entender porque este homem de 60 anos chegou ao auge de sua profissão como educador físico: ser o único técnico amazonense a ir para uma Olimpíada e ter um atleta no evento mais competitivo do mundo, o nadador Eduardo Picininni, em Barcelona, em 1992 cuja melhor colocação do nadador foi a 12ª. No entanto, Almeida teve o privilégio de participar da comissão técnica que na ocasião desses jogos, conquistou sua primeira medalha, no caso, a de prata, com o nadador Gustavo Borges.

“Manaus tem 342 anos e  somente eu consegui chegar nas Olimpíadas. No começo achava bom, mas hoje fico preocupado”, comentou na sala de sua casa, onde recebeu o CRAQUE e fez questão de mostrar um mural com recortes de jornais que lembra sua passagem e de seus atletas por diversos campeonatos nacionais e internacionais.

Chegar a ser um técnico Olímpico não foi fácil e como o próprio amazonense frisa, “nem foi do dia para noite”.

Aly buscou conhecimento e estudou muito. “O segredo é simples, executá-lo que é difícil. Pois não é qualquer pessoa que está disposta a obter conhecimento para ser um  técnico. Você acha que é mais fácil ter um atleta olímpico ou um técnico olímpico?! Pode ter certeza que um técnico, pois se não ensinamos ao atleta, ele não evolui”.

Preparação

Almeida conta que 1986 começou a ser preparado para ser um técnico olímpico. Segundo ele, a oportunidade veio através de um projeto da Kibon, que financiava os estudos e campeonatos, tanto para ele, quanto para Picininni. Nessa época, Aly começou a ir a cada 20 dias estudar Fisiologia com o médico deportólogo, Juan Carlos Mazza. “Foi aí o meu grande salto. A Fisiologia me deu base para crescer e desenvolver um planejamento olímpico para o Eduardo. Se um técnico falar para você que está preparando um atleta para ir as Olimpíadas e não te mostrar uma programação, é enganação”.

Através do estudo, Almeida implantou uma programação baseada em exames que constatava o que o Picininni precisava para obter êxito nas competições. “Eu conseguia manter uma programação que melhorava o sistema cardiorespiratório, a oxigenação no cérebro,  queimava gordura e aumentava a intensidade na piscina”, disse Aly, que em 1991 foi convocado oficialmente pela CBDA para ir a Barcelona. Com ele, mais dois técnicos foram recrutados: Alberto Klar, do E.C. Pinheiros (SP) e Daltely Guimarães, um dos maiores técnicos rubro-negros da história e que chegou a comandar Patricia Amorim nas águas.

Competência

Com sua experiência e competência, Aly Almeida ressalta três pontos valiosos para que um atleta possa chegar e conquistar medalhas numa Olimpíada: preparação técnica, física e psicológica. De acordo com ele, sem os três itens, não há como chegar ao topo. “Nada pode ser comparado a uma pressão olímpica. Por isso, o atleta tem que estar afiado nas três questões”, ressaltou o técnico amazonense que há 34 anos é professor do Instituto Federal do Amazonas (Ifam).

Em 1993, Aly Almeida foi convidado pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) para atuar no Projeto Olímpico Atlanta de 1996. Entretanto, Eduardo Picininni disse que não participaria dos jogos. Almeida, como mestre e amigo do nadador, não foi para sua segunda Olimpíada.

Sendo o único técnico amazonense a estar numa Olimpíada é natural que se questione a Almeida quando Manaus poderá ter outro representante num evento esportivo tão grandioso. Com seu jeito sereno, Almeida foi sincero: “Do jeito que está, nunca”, disse o mestre em educação voltada para o desporto.

De acordo com ele, existe no Amazonas atletas e técnicos com potencial olímpico, mas precisam ser trabalhados, moldados, além de obterem investimento para chegar lá.