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Poliesportivo, Vela, Robert Scheidt, Londres 2012, Olimpíadas 2012

Velejador Robert Scheidt se prepara para mais um ouro olímpico

O maior medalhista olímpico brasileiro da história, a fera Robert Scheidt concede entrevista exclusiva ao editor do caderno Craque, Leanderson Lima 20/05/2012 às 14:51
Show 1
Scheidt e Prada: entrosamento da dupla é a receita do sucesso
Leanderson Lima Manaus

Robert Scheidt. Um nome. Sinônimo de vitória. Uma lenda do esporte mundial. No Brasil, soberano. Aos 39 anos (comemorados em 15 de abril) o velejador detém o status de o maior medalhista olímpico do País, na história. Em Olimpíadas ele conquistou a primeira medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, prata em Sydney, em 2000 e conquistou mais um ouro em Atenas, em 2004. Isso quando ainda competia pela classe Laser.

Para efeito de comparação, o velejador brasileiro pode ser considerado uma espécie de Michael Schumacher dessa categoria. A diferença é que o alemão tem um título a menos. Enquanto Schumacher foi sete vezes campeão do mundo na Fórmula 1, Robert subiu no lugar mais alto do pódio em oito ocasiões. Só pra quem pode!

Absoluto
O domínio na classe Laser foi tanta que o iatista brasileiro “cansou” de ser campeão e decidiu partir para novos desafios. Mudou para a classe Star onde hoje compete com o amigo de longa data, Bruno Prada. A dupla, aliás, deu certo até demais.

O primeiro título mundial veio em 2007 e no ano seguinte, na China, Scheidt conquistou a sua quarta medalha Olímpica, desta vez a prata, nos Jogos Olímpicos de Pequim. O bicampeonato mundial na classe Star veio no ano passado e o tri no último dia 11 deste mês, conquistado em Hyères, na França – um feito inédito para a vela brasileira – o que mostra que a dupla Scheidt/Prada vai chegar literalmente na “ponta dos cascos” nos Jogos Olímpicos de Londres.

Com o tricampeonato mundial garantido, o supercampeão fez uma pausa na sua agenda (sempre lotada) para conceder uma entrevista exclusiva ao Craque.

Competitivo, Scheidt revela uma curiosidade. Apesar do currículo invejável de conquistas, o velejador brasileiro diz que nunca entra numa disputa na posição de favorito.

“Nunca espero resultado. O resultado se constrói. Tem que batalhar cada ponto. O negócio é nunca desistir. Sabemos que temos potencial e armas, mas sabemos que tudo depende de nós. Jogo é jogo, se ganha na hora”, afirma o campeão dos mares.

Rotina
O senhor dos mares também revelou um pouco a sua rotina antes de competir. Para quem pensa que velejar é coisa simples de fazer... “É preciso saber as condições de vento e de corrente do dia pra decidir as velas e regulagem do dia e discutir com o técnico”, revela. Só de pensar cansa. E tem mais... “Chegar com uma hora ou uma hora e meia antes na raia e testar qual a tendência do vento. A partir daí já começa a formar um plano para a regata. Já largamos na regata imaginando o que fazer para chegar na frente na primeira boia”, conta.

Sucesso
A rotina de Scheidt é assim. Repleta de trabalho e dedicação. Os resultados continuam vindo em forma de títulos. Em Londres, um novo capítulo dessa história será escrita. Em caso de mais uma “douradinha”, o velejador se consolidará ainda mais no posto de maior atleta olímpico brasileiro de todos os tempos. Que os bons ventos estejam com Scheidt.

Contra os britânicos
A conquista do tricampeonato na Classe Star poder ser considerado um feito e tanto para o iatista brasileiro. Mesmo para ele que já detém tantos títulos. Para se ter uma ideia, apenas uma dupla em toda a história, os italianos Agostinho Straulino e Nicolo Rode, conquistou o tri mundial, assim como Scheidt e Prada, mas isso foi nos distantes anos de 1952, 1953 e 1956. O recorde de títulos – com parceiros diferentes – é do norte-americano Lowell North – que foi cinco vezes campeão da categoria (1945, 1957, 1959, 1960 e 1973).

Para conquistar o terceiro título, Scheidt e Prada precisaram superar seus principais adversários na atualidade: a dupla inglesa Percy e Simpson. A conquista teve um sabor especial para o supercampeão. “Tive vários momentos legais, muito emocionantes na carreira, mas o tricampeonato mundial foi de virada, porque os ingleses (Percy e Simpson) estavam muito bem e ter conseguido virar o resultado mostrou muito preparo mental e maturidade da nossa dupla. Fiquei muito feliz por conseguir isso diante de uma das melhores duplas do mundo.

Este (título) é um dos mais importantes, além do bi-olímpico em Atenas e do primeiro ouro em Savana e dos mundiais de Laser”, comemora Scheidt. O novo encontro das duplas Prada/Scheidt e Percy/Simpson já tem data marcada e vai ser em Londres. A diferença é que o encontro agora vai ser na casa dos rivais. Ou seja, conquistar o ouro na Terra da Rainha terá um sabor especial para a dupla brasileira. “Se vencermos será muito especial por ser em cima de uma dupla inglesa”, avisa. Alguém duvida que ele possa conseguir mais esse feito?

Números
Robert Scheidt detém 162 títulos tem ao longo da carreira. Foram 80 conquistas em nível internacional e 82 títulos nacionais, o que faz do velejador um verdadeiro fenômeno. 210 pódios ao longo da carreira.

Além das três medalhas Olímpicas (duas de ouro e uma de prata), Robert ainda foi eleito o melhor velejador do mundo, pela ISAF em 2004.

Robert conquistou ouro em Atlanta (1996), prata em Sydney (2000), ouro em Atenas (2004) - pela classe Laser e prata pela classe Star, na China (2008).