Publicidade
Esportes
ATLETISMO

Velocista amazonense Sandro Viana prepara mudança de cenário para nova fase

Maior nome do atletismo amazonense em todos os tempos, ele pavimenta carreira para se tornar gestor esportivo, após 'pendurar' as sapatilhas 18/09/2017 às 13:44 - Atualizado em 18/09/2017 às 15:51
Show spo.al r14.
Amazonense raiz, Sandro Viana aceitou o convite da equipe do acritica.com para um ensaio fotográfico especial no Teatro Amazonas (Fotos: Antonio Lima)
Leanderson Lima Manaus, AM

Sandro Viana é o que podemos chamar de um amazonense raiz. Aos 40 anos ele já andou pelos quatro cantos do mundo competindo. Mas é aqui, em Manaus, que ele se sente feliz. É aqui que ele se sente em casa. 

Símbolo da resistência e persistência no esporte, ele segue firme rumo a mais uma temporada no atletismo, impulsionada pela conquista de 12 medalhas neste ano, mesmo com a idade já avançada. 

Apesar do vigor físico, a transição para uma nova fase na vida já começou. E ele contou todos os detalhes em uma entrevista exclusiva ao acrítica.com. 
O cenário do encontro para esta reportagem não poderia ser mais significativo: o Teatro Amazonas. Palco de grandes espetáculos da arte cabocla, o Teatro também é agora testemunha do início de uma “mudança de palco”, na vida desta lenda do atletismo brasileiro.

Apoio


Neste aspecto ele conta que recebeu um apoio e tanto do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que o recrutou para estudar gestão esportiva na própria entidade. “É um curso que é ministrado pelo COB, onde geralmente as pessoas escolhidas são ex-atletas e também não-atletas e visa colaborar neste processo de transição da carreira. Eu pessoalmente sempre tive um fascínio muito grande pelo olimpismo em geral, então isso tá sendo bem interessante. Tô gostando e vejo que tenho futuro nisso”, explica. 
A indicação de Sandro foi feita por Jorge Bichara, que é gerente de performance esportiva do COB. “Ele esteve comigo como chefe da delegação do Brasil desde 2007. Eu o conheci nos Jogos Pan-Americanos (do Rio). Desde lá, ele sempre acompanhou minha carreira”, conta o atleta, que nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, chegou a ser guia da delegação brasileira na Terra da Rainha, o que, segundo ele, teria mostrado aos gestores do COB seu perfil de liderança.

Apesar da pavimentação da nova estrada, Sandro entrega que não é tão simples dar um ponto final na carreira. 
“É uma fase demorada. Hoje eu entendo porque alguns atletas, eles não param, eles abandonam o esporte. Porque fazer uma transição de carreira é algo muito complexo. Geralmente, o atleta é lembrado quando ele é campeão, quando está na mídia, quando tá competindo, mas de repente, quando ele vai fazer esta transição, a situação é diferente”, conta.

“Fazer este curso e me formar como um futuro gestor do COB é um caminho bem longo. Muito difícil. É muito aprendizado. E todos os 17 anos que tenho de carreira no atletismo vão servir apenas como um ponto de partida para esta nova missão”, pontua. 

‘Benjamin Button’
Enquanto o “fim” não chega, o velocista vai curtindo cada minuto de competição. E, por conta da idade avançada, revela que até já recebeu um apelido curioso dos colegas: “Benjamin Button”. Para quem não conhece, o filme estrelado por Brad Pitt conta a fábula de um homem que nasceu velho e que vai rejuvenescendo a medida em que o tempo passa. Nada mais apropriado para alguém como Sandro Viana. Antonio Lima Sandro Viana certamente tem muito a acrescentar ao esporte brasileiro, principalmente ao atletismo, modalidade que o projetou para o mundo 


Perguntas para Sandro Viana

Recentemente a Polícia Federal deflagrou uma operação que investiga suspeita de suborno para escolha do Rio de Janeiro como cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Como você acompanhou esta polêmica?

Eu vou dizer pelo que eu vi e vivi internamente. Eu particularmente tenho várias participações com delegações brasileiras sendo elas por confederação e por Comitê Brasileiro. Particularmente dentro da história do esporte brasileiro, a parte que eu vivi, eu não consegui ver ou identificar qualquer tipo de irregularidade. Não só nos fatores que ocorreram, mas na própria filosofia que era aplicada nesta época. Tudo vai ser apurado. Nós vamos esperar para ver o que vai acontecer. Mas eu entendo que a Olimpíada para o Brasil foi uma conquista para a nação. Uma conquista eterna. Eu torço para que esta conquista não seja perdida. O legado olímpico brasileiro já não foi tão bem aproveitado como deveria e ainda perder esta conquista seria um retrocesso muito grande. 

Se o Sandro Viana já fosse hoje dirigente o que ele faria para melhorar o atletismo brasileiro? 
 

O Brasil é muito grande. Eu acho que você, quando vai entrar no jogo, um jogo de cartas, ninguém sabe com que carta você vai bater. Então você não pode abrir mão de cartas do baralho. Você pode ganhar o jogo com “ás” ou dois de paus. Então, se elitiza muito o esporte no Brasil. Não é que o esporte só atraia a elite da sociedade. É que se busca apenas a elite do esporte. Mas o esporte é feito com um todo. Então isso (elitização) deixa o esporte capenga. O que é preciso? É preciso usar todas as cartas do baralho. O Brasil é um País multicultural, multiétnico... Você precisa de todas as peças juntas para depois saber com qual vai ganhar o jogo. Você precisa massificar o esporte. Abrir as portas. A elitização visa ter menos trabalho com o esporte, porque você trabalha só com os melhores, porque acredita que dali vai sair o melhor resultado e não é assim que funciona.

Notícias do bronze
O caso que envolveu o corredor jamaicano Nesta Carter, e cassou ouro daquele País no revezamento 4 x 100, nos Jogos Olímpicos de Pequim, na China, em 2008, deu o que falar. O velocista mantém um grupo de WhatsApp com os companheiros do Time Brasil. Naquele ano, eles ficaram na quarta posição. Com cassação da Jamaica, país então medalha de ouro, o COI abriu caminho para que a equipe brasileira herdasse o bronze. O processo está agora na fase de alegações finais , pelo tribunal internacional do esporte e, de acordo com Viana, deve emitir uma decisão definitiva sobre o recurso impetrado pelos jamaicanos até 15 de novembro deste ano. Se o recurso for negado, o COI marcará a entrega do bronze para a equipe brasileira.