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Vida de Olheiro: Talentos do futebol descobertos por homens dos olhos grandes

Farejadores de craques contam como se dar bem num mundo onde não basta se valer do talento com a bola no pé para ser um vencedor 23/02/2012 às 18:38
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Visão Apurada: O olheiro Paulinho se apresenta como o maio revelador do norte
Nathália Silveira Manaus (AM)

Olheiros. Quem já não ouviu falar desse ser que é comum na história de jogadores de grandes e pequenos clubes? Figura esta que passa “de campo, em campo” para encontrar mais um fenômeno futebolístico e se adapta a cada dia às exigências do mercado, que preza tanto por um profissional apto a identificar um garoto bom de bola, mas também acompanha a evolução natural do esporte.

Paulo Nascimento, o Paulinho, que atua na área de desvendar novos jogadores há seis anos no Amazonas, já enviou mais de 30 atletas para diversos clubes do País e afirma que desses, 12 atuam na elite das categorias de base. “Lá fora sou visto como o maior revelador do Norte do País. Esse crédito que tenho é justamente pelo trabalho sério que estou desenvolvendo há anos e pelo fato de ter conseguido bons contatos lá fora”, disse Nascimento, explicando que é registrado em mais de oito clubes para onde leva seus pupilos, como o  Vasco, Flamengo, Botafogo, Corinthians, Goiás, Atlético Goianiense, Portuguesa, Boa Vista do Rio de Janeiro, Fluminense, entre outros.

Longe da vida de ficar na beira do campo assistindo aos jogos, o olheiro, hoje em dia, também utiliza a gravação de DVDs e vídeos do You Tube para avaliar a atuação de jogadores. Além disso, prepara relatórios e viaja para acompanhar torneios pelo Brasil.

Passo a Passo
Olheiro há cinco anos em Manaus, Roberley Assis explica que após a identificação de um bom jogador, o segundo passo é  conversar com a família e depois da aceitação dos responsáveis do menor, há o contato com um agente Fifa - agentes licenciados no Brasil pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e pela Fifa que têm função de representar atletas e clubes nas transações nacionais, internacionais e outros tipos de negócios profissionais, além de fazer assessoria material, social e profissional - que realiza  o intermédio entre o jogador e o clube. “Após a aceitação do jogador no clube, a porcentagem do contrato é divido por três e o agente Fifa fica responsável pelo jogador”, comentou Assis.

Segundo Paulinho, não adianta a boa performance em campo, mas aspectos psicológicos e de comportamento podem ser decisivos para que um atleta seja aceito em um grande clube. “O boleiro não tem vez, é necessário que o atleta saiba obedecer regras, tenha um temperamento calmo e compreensivo  e saiba lidar com a falta de pessoas da família ao seu lado. A saudade é um dos principais obstáculos a serem vencidos pelo atleta. É necessário que o jogador seja bom fora de campo também”, ressaltou.

E quando o jogador, após anos defendendo um clube, não consegue se estabelecer como titular ou é dispensado da categoria de base? Para Roberley Assis, o fato não mede a qualidade do jogador. “Como em todo clube, o atleta tem que estar preparado para a troca de técnicos e quando isso acontece, as demissões também podem vir. Afinal, o novo comandante geralmente já tem seu próprio time e jogadores preferidos. O mundo do futebol é pequeno na frente dos milhões e milhões que querem ser consagrados como jogadores”, finalizou, em tom de lição de vida.

Boas opções

 

Ariel Bruno

Ele conta que está no Vasco, mas anda negociando com o Goiás. Segundo ele, a proposta do Goiás é boa para ele, para o clube e para seu olheiro, Paulinho Nascimento.

Promessas no campo do Vasco
Ariel Bruno, de 18 anos e Arlen Cleyton, de 16 anos, têm algo em comum além de compartilharem o mesmo sonho de ser um jogador de futebol com prestígio, fama e dinheiro: eles foram descobertos por Paulinho Nascimento e ambos defendem a categoria de base do Vasco, no Rio. Além, é claro, de dividirem um apartamento na cidade maravilhosa.

Arlen, meia atacante, que está no SUB-17, está no Clube de Regatas há dois anos. O garoto conta que foi descoberto por Paulinho quando jogava numa competição do bairro Japiim. “Deus iluminou e fez com que o Paulinho gostasse da minha jogada. A partir daí ele conversou com a minha mãe e com o meu pai, que demoraram, mas liberaram a minha ida”, disse o Vascaíno de coaração, afirmando que lidar com a saudade em terra desconhecida foi difícil.

“Eu ficava com o coração na mão logo quando meu filho foi para São Paulo. Mas fui visitar o Arlen e percebi como ele era bem tratado e respeitado pelos outros jogadores. Hoje em dia, a estadia dele lá não me preocupa mais. Só torço para que tudo possa dar certo, se não der, ele será recebido em casa com muito amor” comenta a mãe de Arlen, Minea Brasil Ribeiro, com o coração dividido, mas feliz.

Futuro promissor


Arlen Cleyton é só orgulho para a mãe

A mãe de Arlen, “dona” Minea Brasil, acredita que o filho pode mudar a vida da família através do futebol. No entanto, é consciente da exacerbada disputa no mercada futebolístico.

Trê perguntas a Paulo Nascimento, olheiro há 6 anos

1. É possível dizer que cada time tem preferência por um tipo de jogador? Ou não há esse tipo de critério?

Sim, isto acontece. Os clubes do Sul, por exemplo, preferem jogadores com habilidade e que tenham altura a partir de 1m70. Já os clubes do Sudeste pedem atletas com mais técnica e velocidade.

2. Como se chama a atenção de um olheiro?

Saber jogar é importante, mas não é tudo. Às vezes a vontade de jogar consegue sobressair muito mais num garoto que ainda falta trabalhar a parte técnica ou que não dispões de tanto talento. Outra coisa muito importante é o aspecto psicológico e os estudos. Saber investir nos estudos e ter um comportamento maduro.

3. Como identificar que um olheiro é furada? Existe algum conselho para os garotos e os pais do jovens?

É sempre bom pedir referências.  Conversar com a criança e obter um histórico do profissional, é essencial. O bom olheiro jamais promete mundos e fundos. Nós sabemos que tudo é conquistado com muito trabalho e às vezes temos que contar com a sorte.

Grana no bolso
Paulinho chega a ganhar de 15% a 30% quando seu pupilo assina contrato com um clube. Sendo um agente Fifa, a porcentagem aumenta.