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VII Campeonato Amazonense de Muay Thai revela novos atletas em Manaus

O evento que reuniu 24 atletas e 12 lutas casadas no Ginásio Renné Monteiro, na Chapada, com seis categorias em disputa (de leve a pesadíssimo) conseguiu reviver os tempos de glória da modalidade e apresentou os novos guerreiros do esporte 16/07/2012 às 09:30
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Amazonense de Muay Thai revelou talentos como Tailândia ( de branco)
Nathália Silveira Manaus

Após cinco anos sem realizar uma competição de caráter estadual, a Federação Amazonense de Boxe Tailandês (FABT) promoveu neste final de semana o VII Campeonato Amazonense de Muay Thai, que reuniu 24 atletas e 12 lutas casadas no Ginásio Renné Monteiro, na Chapada. Com seis categorias em disputa (de leve a pesadíssimo) o evento conseguiu reviver os tempos de glória da modalidade e apresentou os novos guerreiros do esporte, que se destacaram não somente pelas lutas de altíssimo nível, mas por suas histórias de vida.

Há 11 meses, Michel Costa estava afastado das competições devido a uma luxação no ombro esquerdo. Mas, ontem, o atleta obteve o retorno de cada noite mal dormida, do cansaço das fisioterapias, das doses fortes de remédios e das intermináveis bolsas de gelo. Com golpes direcionados principalmente na perna, Michel foi o campeão da categoria leve, fazendo Valdemir Torres (Arena Muay Thai) desistir da luta por incessantes dores no joelho e nos pés.

“Estou muito grato ao Silvinho (Silvio Miguel, técnico) e a minha torcida. Fui duro estar aqui hoje, nada veio fácil. Depois de quase um ano, tive apenas um mês de treinamento e retorno à luta como campeão. Isso me ajuda a continuar e é ótimo poder superar cada obstáculo”, comentou Costa, ao beijar o tatame e erguer o troféu emocionado.

Em sua estreia em eventos de boxe tailandês, Tailândia (nome bem sugestivo para modalidade) já carimbou seu nome na competição estadual, na categoria 55Kg a 60 Kg. Nos primeiros minutos de combate, o lutador da Arena Muay Thai foi coberto por uma sequência de socos em cima e na linha de cintura por Luiz Felipe (BTT). Além de ter recebido várias joelhadas e uma cotovelada do adversário (que foi advertida pelo árbitro).

No entanto, Tailândia foi capaz de reverter com êxito a situação e acertou uma giratória no abdômen do oponente, ganhando por nocaute técnico. “Fiquei muito nervoso. Foi a minha primeira luta, e  ele (Luiz) acertou muitos golpes. Minha mão chegou a cansar, mas ainda tinha força nas pernas. Estou feliz,  quero continuar a ganhar e para isso vou continuar investindo em treino”, avisou o atleta.

batalhador

Com apenas 18 anos de idade, Luiz Filho coleciona vitórias não somente no tatame. Mas, também fora dele. O atleta, que venceu por nocaute Normando Lopes, sonha como muitos em fazer parte do seleto grupo de lutadores do UFC, é fruto de uma rotina massacrante. E o esporte que poderia ser tratado como opção diante de tantos afazeres, é visto como prioridade e esperança para melhoria de vida.

Todos os dias, o jovem sai de casa às 6h para trabalhar como ajudante de caminhão. Às 13h, Luiz Filho vai para Escola Estadual Antônio Lucena Bittencourt, onde cursa o 1º ano do ensino médio. Ao sair do colégio, às 17h20, ele segue direto para a Academia BTT, onde conquistou uma bolsa e treina por seis horas.

“Retorno para casa depois de meia noite e no outro dia começa tudo de novo. Mas, quero ter um futuro melhor, poder conquistar coisas para minha família (esposa e filha) e ter orgulho das minhas lutas. Minha inspiração é ver como o Anderson Silva e o Ernesto Hoost conseguem ser admirados pelo trabalho que exercem dentro de um octógono. Quero ser assim e sobreviver da luta”, disse Luiz, que com um salário de R$700, tem dificuldades de comprar material para a prática do Muay Thai. “É difícil, mas dizem que tudo tem uma recompensa. E se eu não tivesse tanta certeza que poderia crescer na luta, já teria desistido”, disse o lutador, confiante que seus golpes possam mudar seu destino.

Lutador supera deficiência
 Gênesis Oliveira Freitas, 75 quilos, 26 anos de idade, portador de deficiência física e lutador de Muay Thai. Com uma alteração fisiológica de 45º no pé esquerdo, ele poderia ter desistido da luta nos primeiros meses de treino, quando nem conseguia ficar em pé no tatame. No entanto, com a garra de um campeão, ele conseguiu vencer todos os obstáculos e mostrar que sua deficiência não chega a ser nem um detalhe na hora do combate. Aí, já se vão 13 anos de carreira.

“Eu nasci com o pé torto. Mas, aos 13 anos de idade comecei a praticar luta e isto me serviu como fisioterapia. Levei três meses para poder criar estabilidade e conseguir dar golpes, antes eu caia muito”, disse Oliveira, ao contar que até hoje ainda sofre preconceito quando entra para uma disputa. “Olham estranho, duvidam da minha capacidade. Mas eu deixo pra mostrar minha força e meu tamanho no tatame. Nessa hora, ninguém me barra”.