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A cinco dias do Dia Mundial da Água, Encontro das Águas, em Manaus, ganha abraço simbólico

O cartão postal de Manaus será o palco do protesto pela degradação dos recursos hídricos e matas ciliares, que não é combatida de maneira eficaz pelos órgãos ambientais. O evento é organizado pelo movimento SOS Encontro das Águas 16/03/2012 às 13:25
Show 1
Encontro das Águas
Monica Prestes Manaus

O Dia Mundial da Água é só na próxima quinta-feira, 22 de março, mas os manifestos em favor da preservação – e recuperação – dos recursos hídricos, no Amazonas, começam neste sábado, 17, com uma ‘pedalada’ até o Mirante Encontro das Águas, no bairro Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste de Manaus.

O ato público, promovido pelo Movimento Socioambiental SOS Encontro das Águas e a Coordenação dos Moradores da Colônia Antônio Aleixo, pretende mobilizar 250 pessoas, que devem dar um ‘abraço simbólico’ no cartão postal da capital amazonense, como forma de protesto pela degradação dos recursos hídricos e matas ciliares, que não é combatida de maneira eficaz pelos órgãos ambientais.

Crítica

A crítica é da bióloga e membro do Movimento SOS Encontro das Águas, Elisa Wandelli, que questionou as licenças ambientais expedidas pelos órgãos fiscalizadores a empreendimentos localizados, até mesmo, dentro de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e também tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

É o caso de duas obras iniciadas no entorno do encontro das Águas, ambas com licença ambiental do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), informou Wandelli. Uma delas foi demolida atendendo a ordem da Justica Federal, que concluiu que não foram respeitados os limites da APP naquele trecho, que deveria ser de 500 metros da margem do rio Amazonas. A obra estava a cerca de 50 metros da margem.

O outro caso, também licenciado pelo Ipaam, deixou um passivo ambiental de cerca de 30 hectares, área que foi desmatada e terraplanada por uma empresa, que também teve o empreendimento embargado, mas depois dos estragos feitos, contou a bióloga.

Para ela, os órgãos ambientais não estão “fazendo a parte deles”.

“Estamos representando todos os recursos hídricos do Amazonas com o Encontro das Águas, por isso o abraço simbólico, a alguns dias do Dia Mundial da Água, pretende chamar a atenção da sociedade e do poder público para esse problema que, inevitavelmente, vai afetar a todos em um futuro bem próximo”, alertou.

Programação

O evento terá início às 8h30 de sábado (17), com uma carreata e um pedalaço, partindo da frente do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) – antiga escola agrotécnica -, no bairro Grande Vitória, Zona Leste de Manaus. De lá, os manifestantes seguem até o Mirante Encontro das Águas, percorrendo duas do bairro Colônia Antônio Aleixo.

No mirante, acontece o ‘Show das Águas’ com apresentação dos artistas Candino e Inês e da banda Maracatu Eco da Sapopema, declamação de poesias,  manifestação das lideranças populares e políticas e um abraço simbólico ao Encontro das águas.

Organização

Os ciclistas serão coordenados pelo grupo Pedala Manaus!, um dos parceiros do SOS Encontro das Águas no evento. Já os pedestres terão ônibus gratuito à disposição, que partirá do posto de gasolina São Lucas, localizado ao lado do Complexo Viário Gilberto Mestrinho, no Coroado, às 8h de sábado e também deve passar pelo Ifam da Zona Leste às 8h30.

Tombamento

Após uma longa discussão envolta em polêmicas, o Encontro das Águas, cartão postal de Manaus, foi tombado como patrimônio histórico e cultural pelo Conselho Consultivo do Iphan, mas ainda não foi reconhecido.

Elisa Wandelli explica que a pendência ocorre por conta da homologação da decisão do Iphan, que ainda não ocorreu. "Estamos empenhados nessa luta final. Por lei, o Encontro das Águas está tombado, mas falta uma etapa burocrática, que é a homologação. Mas independente disso, toda aquela área é protegida por lei, por se tratar de uma APP", esclareceu.