Publicidade
Amazônia
Cotidiano, Escalpelamento, barcos, cirurgia plástica, SBCP, Amapá

Ação humanitária inédita realiza cirurgias plásticas em vítimas de escalpelamento no Amapá

Considerado um problema de saúde pública na região amazônica, o escalpelamento é uma lesão extremamente grave e acidental, em que ocorre o arrancamento total ou parcial do couro cabeludo 07/05/2012 às 14:47
Show 1
Acidentes são comuns nas embarcações regionais, transporte comum da região amazônica
acritica.com Manaus

Sessenta e duas pacientes vítimas de escalpelamento no Amapá serão atendidas por um mutirão humanitário inédito, no dias 11 e 12 deste mês, para a realização de cirurgias reconstrutoras. O mutirão é resultado de uma parceria entre o Ministério da Saúde, Defensoria pública da União, Marinha do Brasil, Governo do Amapá e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Considerado um problema de saúde pública na região amazônica, o escalpelamento é uma lesão extremamente grave e acidental, em que ocorre o arrancamento total ou parcial do couro cabeludo.

Crianças e mulheres são as maiores vítimas do problema que em 80% dos casos acontecem na região Norte do país, conforme segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública.

Os acidentes ocorrem dentro das pequenas embarcações motorizadas, onde o motor se localiza no meio do barco para manter o equilíbrio e necessita de um eixo que o ligue à hélice.

“Geralmente, esse motor fica descoberto e gira com força e em alta velocidade. Quando as mulheres abaixam-se para tirar água do fundo do barco é que acontecem os acidentes, os cabelos enroscam no eixo e ocorrem as mutilações” explica o cirurgião e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Dr. Luciano Chaves.

Os estados do Amazonas, Pará e Amapá são os locais com maior número de casos em função das muitos barcos que circulam pelo local.

De acordo com dados da Capitania dos Portos, estima-se que 20 mil embarcações circulem pelo Amapá, embora apenas cinco mil estejam registradas.

Consequências
Segundo os médicos da Sociedade, o impacto pode levar a fratura dos ossos da face, perda de tecidos totais ou parciais, comprometimento dos movimentos do pescoço e dos ombros, além de dores crônicas de cabeça e desenvolvimento de tumores na área óssea, já que sem o couro cabeludo o crânio fica totalmente desprotegido.  Além disso, a vítima se sente excluída da sociedade, em função das sequelas estéticas difíceis de serem revertidas.

“O tratamento é demorado e os procedimentos médicos são inúmeros e complexos. Os pacientes são submetidos a várias cirurgias e extensos curativos”, explica Dr. Luciano.

A iniciativa de oferecer mais qualidade de vida a essa população partiu do Departamento de ação social da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica que vê no número de casos de escalpelamento um dado preocupante se considerado a dimensão dos estragos causados nas vítimas. 

Pensando nisso, de acordo com o Presidente da Sociedade, Dr. José Horácio, será enviada uma equipe de 41 voluntários entre cirurgiões, residentes e anestesiologistas para operar as 62 pacientes cadastradas.

“Essa ação é muito importante, pois estamos criando a possibilidade de tratamento para pessoas que não tem nenhuma alternativa, essas mulheres estão esperando há mais de 20 anos”, conta o presidente. 

Apesar de, estatisticamente, o número de escalpelamentos ser pequeno em relação a outros acidentes, não há comparação com o drama que essas pessoas enfrentam. A atuação da SBCP na ação, atendendo um pedido da Defensoria Pública da União, acarretou na inclusão da cirurgia plástica reparadora na tabela do SUS, que por seu custo altíssimo conta ainda com a complementação do Governo do Estado.

Uma campanha preventiva articulada pela Defensoria Pública com início em 2010 já registrou uma redução de 80% (oitenta por cento) de acidentes, considerando que no ano de 2012 já foram constatados cinco casos de vítimas do acidente.