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Agricultores temem mais queimadas em Apuí (AM)

Agricultores do sul do Amazonas dizem que prazo para receber incentivos do Governo acabou e prometem desmate 11/12/2012 às 08:28
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Presidente do Sindisul, Carlos Koch, lembra que agricultores foram atraídos pelo Governo Federal para a Amazônia para produzirem e “desbravarem” a região
ANA CELIA OSSAME ---

Apuí (AM) - A informação de que o município de Apuí (a 476 quilômetros de Manaus), no sul do Amazonas, foi o segundo mais desmatado na Amazônia Legal em alguns meses de 2012, segundo o Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD) do Imazon, não surpreendeu o president e do Sindicato Rural do Sul do Amazonas (Sindisul), Carlos Roberto Koch, 49. De acordo ele, as queimadas devem avançar nos próximos meses, quebrando um acordo feito há dois anos com o Governo Federal, porque os assentados cansaram de esperar pelos créditos agrícolas não liberados por que suas terras não são legalizadas pelo próprio governo.

“Nós respeitamos os dois anos do acordo de não desmatar, mas o povo começou a derrubar de novo porque só temos direito no que trabalhamos”, disse o presidente, afirmando que ninguém ali tem título de terra, apesar de alguns estarem no local há mais de 20 anos. Natural de Santa Catarina e radicado em Apuí há 11 anos - onde foi viver depois de passar 26 anos em Rondônia -, Carlos lembra que o documento de posse da terra é o primeiro passo para o acesso ao crédito agrícola. “O que mais dói é saber que este ano um total de R$ 11,2 milhões voltou para o Governo Federal, crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)”, lamentou.

Dados do Imazon revelam que Apuí perdeu 2.620 hectares de florestas, dos quais 2.380 hectares (91%) foram dentro da área do Projeto de Assentamento do Rio Juma (PA Juma). Para o presidente do Sindisul, não há outro caminho, pois ninguém sabe explicar a razão da não emissão dos títulos, a não ser o fato de que quando as leis são contra os agricultores têm execução rápida, ao contrário das que são favoráveis. “Temos oferta de crédito com dez anos de prazo para pagamento, dois anos de carência com juros a 2% ao ano, mas não temos como receber esses recursos. O governo diz que tem dinheiro, mas nos não podemos pegar”, desabafa.

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