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Água longe dos indígenas em debate no Rio+20

Diretora da ONU denuncia que índios estão perdendo o acesso aos recursos hidrícos por conta da exploração capitalista 19/06/2012 às 07:56
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Cunningham listou três violações internacionais a direitos dos indígenas no que diz respeito aos recursos hidrícos
ELAÍZE FARIAS ---

Rio de Janeiro –  A nicaraguense Mirna Cunningham denunciou, ontem,  durante a  Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a ‘Rio + 20’,  três violações internacionais praticadas contra os povos indígenas: A aplicação de políticas discriminatórias e racistas que excluem estes povos dos serviços hídricos; a poluição e a contaminação de rios e lagos  por indústria de extração e de mineração; e a transformações destas fontes já protegidas, consideradas “sagradas” pelos índios, em “áreas de mera recreação e de lazer”.

Diretora do Fórum das Nações Unidas para os Povos Indígenas, Mirna foi uma das painelistas do penúltimo dia do debate “Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável” cujas recomendações farão parte da agenda oficial .

Esta programação vem sendo a única a qual a sociedade civil, por meio da Internet e dos eventos da Rio+20, antes da reunião oficial, pode participar. O tema “Água” foi um dos três discutidos ontem, no horário da tarde. Os Diálogos encerram hoje  com o debate sobre oceanos.


Mirna Cunningham dividiu o painel de discussão com outros especialistas sobre o tema água, entre eles o Prêmio Nobel da Paz de 2006, o economista Muhammed Yunus, de Bangladesh, o mais assediado pelo público, ao final do evento. Em seu país, ele é considerado o “banqueiro dos pobres”.

“A água é um dos elementos fundamentais para a vida dos povos indígenas. Ela faz parte do equilíbrio destes povos”, disse Mirna, que fez uma ligeira referência à construção de hidrelétricas em alguns países da América Latina (não citou o Brasil), mas sua provocação não ecoou entre os demais painelistas.  Mirna defendeu ainda o “aspecto cultural” das populações nativas devem ser levadas em consideração pelos empreendimentos desenvolvidos pelas autoridades públicas.


Mouhammed Yunus destacou ainda que há pouca água potável no mundo e, muitos destes recursos, estão contaminados. Em seu país, ele lembrou que, por meio do banco Grameen, procura levar água potável para poços. “Criamos pequenos negócios para fornece a um custo baixo água para os vilarejos. Chamamos isso de sistema sustentável”, disse Yunus.


Para quem acha que o acesso a água é uma reivindicação aparentemente ingênua, David Boys, do Conselho Consultivo das Nações Unidas, lembrou que existem países que negam o direito a água e tentam negar, nos debates internacionais, essa “referência”. Daí a necessidade do acesso a este recurso ser contemplando no documento final da Rio + 20.  “Como é que um governo pode se convencer de estar fazendo o certo para o povo quando não assegura o acesso a água?”, questiona Boys

Participação ativa pela rede mundial

Mais de 60 mil pessoas de 138 países se manifestaram pela Internet sobre o que mais querem para um planeta mais sustentável.
As  recomendações mais votadas por internautas de todo o mundo, entre 500 propostas na Plataforma Digital dos Diálogos, foram as seguintes.
Água: Assegurar o suprimento de água por meio da proteção da biodiversidade, dos ecossistemas e das fontes de água.
Cidades Sustentáveis e Inovação: Promover o uso de dejetos como fonte de energia renovável em ambientes urbanos.
Energia Sustentável para Todos: Tomar medidas concretas para eliminar subsídios a combustíveis fósseis.
A Economia do Desenvolvimento Sustentável: Eliminar progressivamente os subsídios danosos e promover mecanismos fiscais verdes.
Desenvolvimento Sustentável como Resposta às Cri ses Econômicas e Financeiras:  Promover reformas fiscais que encoragem proteção ambiental e beneficiem os mais pobres.
Desemprego, Trabalho Decente e Migrações: Colocar a educação no centro da agenda dos objetivos para o desenvolvimento sustentável.
Segurança Alimentar e Nutricional: Promover sistemas alimentares que sejam sustentáveis e contribuam para melhoria da saúde.


Blog com Benedito Braga, vice-presidente do Cons. Mundial de Água

 “A água deve ser colocada no centro decisivo  do desenvolvimento. As previsões do Malthus (Thomas Robert Malthus) não se realizaram porque a tecnologia se moveu na área dos alimentos. Mas o uso eficiente da água no setor agrícola depende da ciência e da tecnologia. O setor de água é mais afetado das variações da mudança do clima. Os serviços de saneamento também são extremamente importantes. O desafio da variedade climática e da mudança climática é uma coisa que vai influenciar o setor de recursos hídricos mais intensamente. É preciso uma estrutura hídrica mais resiliente, como reservatórios de grande porte que serão necessários para usos múltiplos da água. Temos que ter coragem e disposição no tema da reservacao de frente. O tema da água está nos três pilares do Desenvolvimento Sustentável: Crescimento econômico, social e ambiental”, disse o pesquisador, ressaltando que um dos desafios é combater  a poluição dos oceanos pelo plástico por meio da educação e da colaboração comunitária.