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Aldeia Beija-Flor, no Amazonas, é exemplo de comunidade interétnica

Localizada na zona urbana do município de Rio Preto da Eva (a 57 quilômetros distante de Manaus), a aldeia Beija-Flor é o exemplo de um grupamento multiétnico dentro do Estado com maior população indígena do Brasil, no Amazonas 20/04/2012 às 18:25
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Com tanta diversidade étnica, a harmonia entre as famílias não é quebrada por conflitos
Elaíze Farias Manaus

Localizada na zona urbana do município de Rio Preto da Eva (a 57 quilômetros distante de Manaus), a aldeia Beija-Flor é o exemplo de um grupamento multiétnico dentro do Estado com maior população indígena do Brasil, no Amazonas.

Composta por cinco comunidades, na aldeia vivem aproximadamente 670 pessoas pertencentes a 12 diferentes etnias: tukano, sateré-mawé, munduruku, cambeba, baré, arara, tuyuka, dessano, aborari, mura, marubo e mayoruna.

Com tanta diversidade étnica, a harmonia entre as famílias poderia ser quebrada por conflitos. A aldeia, contudo, encontrou várias formas de evitar desentendimentos, além do diálogo: os rituais. Na prática, funciona assim: em datas comemorativas ou em atividades turísticas, cada etnia apresenta suas danças e rituais.

“Uma família tukano se apresenta, mas também uma família munduruku pode fazer o mesmo. Para diminuir ainda mais a diferença, um sateré-mawé pode se apresentar junto com o tukano”, explica Fausto Moryá, 38, cacique-geral da Aldeia Beija-Flor, pertencente à etnia sateré-mawé.

Esta fórmula é repetida sempre que a oportunidade surge ou quando as famílias decidem fazer festa para comemorar alguma data. É o que aconteceu nesta quinta-feira (19), para comemorar o Dia do Índio.

Visitas

Na maloca central da aldeia, os indígenas apresentaram algumas de suas danças, receberam visitantes (a maioria estudantes de Rio Preto da Eva) para conhecer a aldeia. Um grupo de estudantes universitários também foi ao local, para “conhecer na prática o que está conhecendo na teoria”.

“A nossa ideia é tentar romper a noção do indígena genérico construída pelo senso comum. Queremos que os alunos conheçam a realidade”, explicou a antropóloga e professora Elieyd S. Menezes, 28, que levou 32 alunos do curso de Psicologia da Faculdade Metropolitana de Manaus (Fametro).

Para Fausto, apresentar características de sua aldeia para o visitante é uma oportunidade de dialogar com a sociedade não-indígena. “Queremos dizer neste Dia do Índio que a nossa história não é apenas do passado, mas do presente também. É importante dizer que estamos sobrevivendo e que nossa cultura não é folclore”, destaca Fausto.

Sobrevivência

A Aldeia Beija-Flor existe desde anos 80.  No início dos 90, Fausto Moryá, nascido na aldeia Terra Preta, no rio Andirá, no município de Barreirinha (a 331 quilômetros de Manaus), com apenas 19 anos, ocupou o local junto com sua esposa, Carmem Andrade, na época também com 19 anos, e seus sogros. Carmem é indígena da etnia tukano e nasceu na região do Alto Rio Negro (AM). “Eu roubei minha mulher. Ela estava na Casa do Índio, para tratamento de saúde, e quando a vi peguei ela para mim”, conta Fausto, observado sorridente pela esposa.

A Aldeia Beija-Flor incorporou outras famílias de etnias diferentes, mas recentemente deixou de aceitar novos moradores “porque os atuais estão casando e tendo filhos”, conta Fausto.

A sobrevivência das comunidades vem de diferentes fontes. As principais são turismo, venda de artesanato e produção de farinha e banana para o mercado de Manaus. A comunidade, “depois de muita luta”, também conseguiu ter atendimento de saúde (um médico mora durante dez dias por mês no local) permanente e acesso à educação, por meio de uma escola inaugurada neste ano e que faz parte da rede municipal de ensino. As aulas são ministradas por um professor indígena.

Sobrevivência

A sobrevivência das comunidades vem de diferentes fontes. As principais são turismo, venda de artesanato e produção de farinha e banana para o mercado de Manaus.

Segundo Fausto, a comunidade Beija-Flor 3 é o segundo maior produtor de banana para o mercado de Manaus. Quando o estoque excede, as bananas são doadas aos pacientes da Casa de Saúde do Índio (Casai), em Manaus.

Doação

A comunidade Beija-Flor 1 atualmente o projeto de etnoturismo para ampliar a estrutura aos visitantes. Para isso a liberação de um recurso doado pela produção do reality show “Amazônia”, realizado pela TV Recorde no Amazonas no início deste ano.

A Beija-Flor faz parte de uma lista de comunidades contempladas com a doação de R$ 300 mil. Na semana passada, Fausto conta que a titular da Amazonastur, Orenir Braga, que recebeu a doação do programa confirmou o valor de R$ 75 mil à comunidade Beija-Flor.

Ainda sem prazo para receber a doação, a comunidade pretende construir um Centro Cultural, cinco chalés, um café etnoregional, uma barragem para piscicultura de criação de matrinxã e revitalizar da etnotrilha, chamada de Selvagem. A trilha já está em atividade.

“Estamos aguardando a liberação dos recursos por parte da Amazonastur para dar início ao planejamento e execução das obras”, diz Fausto.

Contato

A Aldeia Beija-Flor, onde são localizadas as principais e onde está situado o Pólo Base, fica na Rodovia AM-010, KM 78. O telefone para contato é 9297-2982, inclusive para marcar visita de grupos de turistas.