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Amazônia
COP23

Amazonas quer voltar a ter protagonismo na Conferência do Clima da ONU, na Alemanha

Em meio ao debate sobre metas, terceiro setor e governo locais defendem recompensa para valorizar homem da floresta. "O efeito do que acontece aqui vai refletir na Europa, nos Estados Unidos...”, explica secretário 04/11/2017 às 18:16 - Atualizado em 05/11/2017 às 09:09
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Sétimo maior emissor de carbono, o Brasil tem 51% de suas emissões vinculadas ao desmatamento, especialmente na Amazônia. Foto: Liana John/Divulgação
Felipe Irnaldo – Especial para A Crítica Bonn, Alemanha

A Conferência do Clima de Bonn (COP-23), na Alemanha, terá início nesta segunda-feira (6). Representantes de 197 países vinculados à Organização das Nações Unidas (ONU) debaterão o “livro de regras” do Acordo de Paris, um conjunto de diretrizes internacionais para frear as emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) e o consequente aumento da temperatura global.

O encontro acontece em meio a pressão de países da União Europeia para aumentar a ambição global das metas até 2020, mesmo com o indicativo de retirada dos Estados Unidos do acordo feito pelo presidente Donald Trump.

Sétimo maior emissor de carbono, o Brasil tem 51% de suas emissões vinculadas ao desmatamento, especialmente na Amazônia, alavancado pelo agronegócio no Mato-Grosso, Pará, Rondônia e Maranhão, e pressão em áreas como o Sul do Amazonas. A região ocupa cinco posições no ranking de estados que mais emitem no país, segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima.

Os desafios dessa agenda estão na pauta da delegação amazonense que embarca para Bonn. Na última semana, durante o Fórum de Governadores da Amazônia Legal, em Rio Branco (AC), Amazonino Mendes (PDT) confirmou presença, junto com o titular da pasta de meio ambiente estadual, Marcelo Dutra.

“O governo como uma oportunidade de implementação de soluções para a mitigação e resiliência nos parâmetros em que nos encontramos quanto à mudanças climáticas. Precisamos buscar o protagonismo nesse debate. O efeito do que acontece aqui vai refletir na Europa, nos Estados Unidos, no hemisfério norte”, explica o secretário.

Na frente de Organizações Não Governamentais (ONGs) locais estão a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam).

Bom exemplo

Com 95% de floresta em pé, o Amazonas espera assumir protagonismo na conferência. Isso porque o bioma absorve milhares de toneladas de carbono da atmosfera, e as libera em forma de oxigênio. Essa neutralização de parte das emissões da indústria, setor energético e transporte globais deve ser recompensada, defendem especialistas.

“Dentre as coisas mais importantes que precisa ser discutida é a valorização econômica do carbono da Amazônia. Esperamos discutir o papel das nossas florestas na redução das emissões de carbono no planeta como um todo. Por ser a maior floresta tropical do mundo, o estado tem papel estratégico nas negociações sobre o futuro”, explica Virgílio Viana, superintendente-geral da FAS.

Tanto o terceiro setor quanto o governo estadual acreditam que a saída para proteger a floresta é recompensar a região pelos serviços ambientais que ela presta. Isso garantiria recursos suficientes para fiscalizar áreas de pressão e também melhorar serviços em áreas de floresta, como educação e saúde.

Na COP 23 recursos para esta finalidade estarão em debate, como o Fundo Verde para o Clima (GCF), que desde 2014 já reuniu o montante de 10 bilhões de dólares advindos de países ricos para financiar ações de conservação em países em desenvolvimento. O desafio para o Brasil é estabelecer mecanismos de gestão e planejamento, o que o possibilitaria a receber esses aportes.

Estratégia brasileira

Apesar das recentes polêmicas voltadas à agenda ambiental, o Governo Federal levará à COP resultados colhidos desde Paris em 2015. Em relação à florestas, o Planalto espera apresentar o Plano de Recuperação de Vegetação Nativa, uma portaria interministerial que visa regulamentar e propor soluções para o reflorestamento em áreas degradadas. Também devem ser apresentados os números de redução do desmatamento em 2017, com indicativo de queda.

“Na parte negociadora, o grande objetivo é regulamentar vários dispositivos relacionados às mudanças climáticas, no “livro de regras” do Acordo de Paris. O Brasil tem interesse em apresentar suas ferramentas para a conservação, e entender quais os meios de tornar as metas uma realidade”, explica o coordenador das negociações do Ministério das Relações Exteriores (MRE) José Marcondes.

O ministro do meio ambiente, Sarney Filho, espera apresentar a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), iniciativa construída bilateralmente entre setor privado e sociedade civil para fomentar o uso de combustíveis com baixa emissão de carbono.

Dia sobre a Amazônia

A região estará em evidência durante o evento. No dia 8 de novembro, será  realizada a ação "Remoldurando o REDD+ no Brasil", para discutir justamente o mercado de carbono no país e possibilidades de captação para a conservação na região.

A Aliança REDD+, formadas por organizações como Idesam, FAS e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), promoverá um debate sobre "Estratégias para redução do desmatamento e o diálogo com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável", da ONU. O evento será sexta-feira, dia 10.

A região também terá um dia temático no Museu de Arte Moderna de Bonn, reunindo governadores e lideranças de alto nível para debater iniciativas e inovações para a região, no dia 14.