Publicidade
Amazônia
Amazônia

Amazonas terá poucas chuvas e temperatura mais elevada nos próximos dias

Assim devem ser os próximos meses na região, após um abril mais seco que o normal, como revela a previsão do Sipam 23/04/2015 às 13:58
Show 1
A previsão do Sipam é que a temperatura será elevada, com pouca incidência de chuva ao longo dos próximos meses
kelly melo ---

Chuvas escassas e o clima mais quente. Essa é a previsão do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) para os próximos meses, já que a partir de maio inicia o período de transição da estação chuvosa para a seca.

Segundo o chefe de divisão de meteorologia do Sipam, Ricardo Dallarosa, as chuvas no mês de abril, no Amazonas, se mantiveram abaixo da média em relação ao ano passado. Geralmente o período concentra um volume de chuva médio de 300 milímetros/mês, mas até o início da semana havia chovido apenas 100 milímetros. No mesmo período, no ano passado, o acumulado foi 165,7mm.

“Esse volume corresponde a 11 dias de chuvas, quando o normal são 20 ou 22 dias. Tem chovido menos porque estamos iniciando o período de transição de estação (chuvoso para o seco) e as chuvas vão começar a migrar para o hemisfério norte da região amazônica”, explicou o especialista.

Abril não foi o único mês em que choveu pouco em Manaus. Em fevereiro, os radares registram apenas 210 milímetros, em 13 dias de chuvas. Os meses de janeiro e março tiveram chuvas dentro da normalidade: 300 milímetros (em 18 dias de chuvas) e 370 milímetros (em 23 dias), respectivamente. “Estamos no fim do mês e acredito que as chuvas vão ficar abaixo da média em relação ao ano passado, porque para alcançar a média mensal teria que chover nos próximos dez dias”, afirmou Dallarosa.

Apesar disso, o meteorologista alertou para a estação seca, que deve trazer temperaturas mais elevadas. “Maio é o mês de transição e as temperaturas devem começar a se elevar mais. O pico do calor é em setembro”, disse.

Baixa instabilidade

De acordo com Dallarosa, embora todos os dias chova na capital, essas chuvas são localizadas em alguns pontos da cidade. Isso acontece porque as frentes frias que entram no continente, migraram pouco para a região amazônica e foram desviadas para o oceano, o que fez com que essa migração provocasse pouca instabilidade, provocando, assim, chuvas isoladas.

“Normalmente, as chuvas são mais abrangentes nesse período do ano. Mas a atividade frontal foi prejudicada, isto é, as frentes frias causaram poucas instabilidade na Amazônia, devido a energia que vem do aquecimento. Por isso, às vezes chove forte em um ponto e próximo dali, faz sol”, explicou.

Preocupação com o volume de água

Embora as chuvas estejam diminuindo na Amazônia brasileira, existe uma preocupação com o volume de água no município de Tabatinga (a 1.108 quilômetros de Manaus), que recebe influência direta dos rios do Peru e da Colômbia, onde as chuvas foram mais intensas. Lá, o rio Solimões apresenta um nível mais elevado que o normal, podendo desencadear uma cheia recorde no município. Se isso se concretizar, a cheia do Solimões em Tabatinga pode influenciar em uma grande cheia no Rio Negro, em Manaus. Até a última segunda-feira, o nível do rio estava com 27, 66m, mesma cota alcançado no mesmo período do ano passado.

De acordo com o chefe de Meteorologia do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Gustavo Ribeiro, a previsão é de chuvas dentro do padrão climatológico para os meses de abril, maio e junho. "Matematicamente falando, a média diária do atual mês está em aproximadamente 5mm/dia. Neste período de transição entre as estações chuvosa e seca (ou menos chuvosa) é normal termos dias bastante chuvosos comuns ao período chuvoso, assim como é comum termos dias secos e quentes, comuns ao período seco (ou menos chuvoso)”, afirmou.