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Após denúncia de desmatamento de APP em Manaus, moradores se dizem intimidados

Após denúncias de desmatamento ilegal, funcionários da empresa responsável pela obra estão ‘rondando’ casas do entorno 14/06/2012 às 08:31
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No entorno do terreno onde está localizada a obra, na Zona Leste, há uma comunidade
Maria Derzi Manaus

Depois das denúncias sobre o desmatamento em uma Área de Proteção Ambiental( APP) no entorno do lago do Aleixo e do igarapé Castanheira, na Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste de Manaus, os trabalhos de terraplanagem da área desmatada, que tem 11,4 milhões de metros quadrados, foram interrompidos. Mas os moradores, antes preocupados com o meio ambiente, agora temem retaliações.

Os moradores que denunciaram a devastação dizem que estão sendo intimidados por funcionários da empresa Concrecicle Comércio de Materiais Reciclados para Construção, responsável pela obra. “Eles vêm, param o carro e ficam olhando para a gente. Nós nós sentimos intimidados”, disse a líder comunitária Neuza França.

O pescador Aldemir Rodrigues Serrão confirmou que os trabalhos na área pararam. “Hoje (ontem) não apareceu ninguém lá. Eles tiraram a máquina e ‘tá’ tudo parado. Mesmo assim, não veio ninguém dos órgãos de meio ambiente para resolver a situação de uma vez por todas. Tenho medo  deles voltarem quando as denúncias ‘esfriarem’”,disse.

Denúncia
A irregularidade, que vinha sendo denunciada pelo Movimento SOS Encontro das Águas e pelo Instituto Amazônico da Cidadania (Iaci), será encaminhada ao Ministério Público Estadual (MPE), para questionar o posicionamento dos órgãos ambientais sobre as licenças concedidas à empresa. Segundo o presidente do Iacii, Hamilton Leão, o posicionamento da prefeitura fere o Plano Diretor.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informou que constatou irregularidades no avanço sobre a área de preservação permanente pelo empreendimento.

O órgão deve tomar as medidas necessárias para o embargo da obra e punição do responsável, que ainda terá que recuperar a APP. Pelo segundo dia seguido, A CRÍTICA tentou contato com a empresa, através dos telefones 3615-38XX e 3618-44XX e também pelo e-mail concrecicle@concrecicle.com.br, mas não obteve resposta.
    
Sejus promete tratar esgoto de presídio
Sobre o esgoto a céu aberto, proveniente da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), que continua a desaguar no leito do lago, a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejus) informou que está com o processo licitatório pronto, aguardando os trâmites legais, para aquisição de Estação de Efluentes.