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Área de Preservação Permanente perde as características no Águas Claras em Manaus

É cada dia pior a situação de igarapé e das matas ciliares, que desde 2008 sofrem com invasões que promovem queimadas e loteamentos irregulares 15/08/2014 às 11:31
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Nas margens da nascente de igarapé, buritizal foi derrubado recentemente
Rosiene Carvalho ---

Com obras para urbanização em andamento há mais de um ano e todas as ruas sem asfalto, o loteamento Nascente das Águas Claras mudou completamente as características do local desde 2008, quando uma série de invasões promoveu queimadas, desmatamento e construções de moradias irregulares no local que abriga nascentes de igarapés.

Pouco verde restou do que se configurava a Área de Preservação Permanente (APP) no Águas Claras. Um das nascentes de igarapé foi registrada ontem pela reportagem próximo a uma rua identificada pelos moradores como NSD8. A nascente estava completamente comprimida por construções de moradias, com a água cheia de lixo como garrafas pets e com aparência de lamaçal.

De um lado estão moradores que vivem há quatro anos no local em casas de alvenaria. Estes dizem não ser invasores e responsabilizam os moradores do outro lado da nascentes, que vivem em construções de madeira e compensado, pela degradação do meio ambiente.

A dona de casa Maria Nazaré Santos, 50, que mora há quatro anos no local, afirmou que sempre teve cuidado com a nascente do igarapé que fica nos fundos de sua casa. “Eu até represei a nascente. Há quatro anos eu tirava água daqui para lavar o meu cachorro. Agora não dá mais, está tudo sujo”, declarou. Maria afirma que comprou o terreno onde construiu sua casa e que aquela área é um loteamento.

O frentista Ericlei Batista, 28, que ocupa um terreno às margens de um dos lados da nascente do igarapé há um mês estava ontem no local com a mulher e os três filhos. Disse que se a prefeitura determinasse um valor mensal para que ele pagasse pelo local, ele o faria. O frentista disse que não quer nada de graça, apenas tirar a família do aluguel. “Hoje não derrubamos buritizeiros, mas vamos derrubar para poder construir nossa casa. Poluído este local já está. Jogam esgoto aqui. A gente só precisa de um lugar para morar”, declarou.

A dona de casa Joiciane Brito, 28, afirmou que os filhos dela já apresentaram problemas respiratórios por causa da fumaças das constantes queimadas. “As queimadas e derrubadas de árvores deixaram bichos sem casa. Apareceu cutia no nosso quintal, até jacaré”.