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Amazônia
FLORESTA

Em um ano, Amazonas desmatou equivalente a 135 mil campos da Arena da Amazônia

Apesar do anúncio de desaceleração do desmatamento feita pelo governo federal, não há o que comemorar, segundo especialistas 20/10/2017 às 12:40 - Atualizado em 20/10/2017 às 15:26
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Desmatamento no Amazonas chegou a 965 km² no último período analisado (Foto: Márcio Silva)
Silane Souza Manaus (AM)

Entre agosto do ano passado e julho deste ano, a área desmatada no Amazonas chega a 965 quilômetros quadrados, o que corresponde a 135,1 mil campos da Arena da Amazônia. No período, a taxa de desmatamento no Amazonas teve uma leve desaceleração de 15%, na comparação com o período anterior. A estimativa é do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), divulgada no último dia 17, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Apesar de interromper a tendência de alta, não há muitos motivos para celebração, uma vez que a taxa de desmatamento no Estado cresceu 42% de 2014 para 2015 e 54% de 2015 para 2016. “O pior uso que um país pode fazer de um rico e vasto recurso natural como a Amazônia é simplesmente queimar esse recurso natural jogando dióxido de carbono para a atmosfera”, disse em entrevista para A CRÍTICA o pesquisador Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP).  Para ele, o governo brasileiro deve implantar novas medidas para inibir o desmatamento. “Porque todos nós perdemos nessa falta de visão de como explorar o recurso natural riquíssimo que é a floresta amazônica”, acrescentou.

“Reduzir o desmatamento e investir em reflorestamento de áreas degradadas na Região Amazônica é importante tanto para o Brasil quanto para o nosso planeta como um todo”, afirmou o pesquisador, que também preside o Comitê Científico do Programa de Grande Escala Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC).

Em toda a floresta amazônica, o desmatamento estimado pelo Prodes 2017 atinge uma área de 6.624 quilômetros quadrados, uma diminuição de 16% em relação a 2016, ano em que foram apurados 7.893 quilômetros quadrados. Mas o resultado também não é comemorado com euforia.

“Adicionamos 6.624 quilômetros quadrados desmatados na Amazônia – somando tudo desde o início da série histórica, é uma Alemanha e um Portugal destruídos”, informou o pesquisador sênior do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) Paulo Moutinho. “Enquanto ficarmos comemorando as quedas das taxas, vamos fechar os olhos para o fato que estamos apenas destruindo florestas em um ritmo mais lento, mas a destruição continua”, completou.

O diretor executivo da WWF-Brasil, Mauricio Voivodic, por sua vez, informou que apesar da pequena queda, ainda não podemos comemorar. “A taxa deste ano ainda é maior do que a média dos últimos nove anos. E o Brasil não pode seguir destruindo seu patrimônio natural desta forma”, afirmou. 

Governo comemora

Durante a divulgação do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) 2017, na terça-feira,  o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, afirmou que os números correspondem às expectativas e creditou a redução à intensificação do comando e controle na Amazônia.

Segundo ele, o fortalecimento das operações decorre da recomposição orçamentária dos órgãos de fiscalização vinculados ao Ministério do Meio Ambiente (MMA). O ministro destacou ainda ações como o manejo florestal e o papel das reservas extrativistas para a conservação do bioma. “Só vamos acabar com o desmatamento quando valorizarmos a floresta em pé”, declarou.

De acordo com o MMA, medidas para estimular uma economia florestal sustentável na Amazônia estão entre as ações que buscam o controle do desmatamento do bioma.

Ranking do Prodes

Segundo as estimativas do Prodes/Inpe 2017, os estados com maior redução de desmatamento são Tocantins (55%), Roraima (43%), Acre (34%) e Pará (19%). Os dados consolidados serão divulgados no primeiro semestre de 2018.

Meta é reduzir

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) informou que “a meta é retomar a curva decrescente e reduzir o desmatamento para 350 km² até 2020  e,  posteriormente, alcançar o desmatamento ilegal zero”. A pasta apontou que, juntamente com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), realiza constantes iniciativas para combater o desmatamento em todo o Amazonas.

 A constatação de redução do desmatamento é muito positiva. Contudo, é preciso estar sempre vigilante e intensificar cada vez as ações do Estado para manter a curva decrescente do desmatamento, aponta a secretaria. Conforme a pasta, cada região possui peculiaridades, mas a realidade do Amazonas está ligada às queimadas, resultado da ação direta e predatória do homem. Para a secretaria, as Unidades de Conservação (UCs) são instrumentos fundamentais para combater o desmatamento e a degradação florestal.