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Áreas verdes degradadas em Manaus se tornam verdadeiros ‘Jardins da Babilônia’

‘Corrente do bem' mobiliza voluntários em prol do meio ambiente e transforma lixeiras a céu aberto em jardins comunitários 26/04/2015 às 16:59
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Aproximadamente 20 mudas de árvores frutíferas já foram plantadas pelos voluntários no local onde ficava a lixeira
Luana Carvalho Manaus (AM)

Tudo começou quando um único morador transformou uma  antiga “lixeira viciada” em um jardim comunitário. Agora, um ajuda o outro e quem ganha é o meio ambiente. É desta maneira que moradores e voluntários estão recuperando outra área verde na rua Paulo Afonso, no Conjunto  dos Subtenentes e Sargentos, bairro Flores, Zona Centro-Sul. A área, que antes era tomada por lixo, está sendo limpa e bosqueada pelas mãos da própria comunidade.

Morando há quase 20 anos no conjunto, a aposentada Filomena Barros, 77, se emociona ao ver outras gerações zelando pela área verde do bairro. “Eu fiz esse trabalho há muitos anos, logo quando chegamos aqui, pois sempre foi uma grande ‘lixeira’. Limpamos e plantamos árvores e flores de todas as cores. Fizemos uma cerca para impedir que carrinhos com lixo entrassem. Mas depois de um tempo a comunidade se descuidou, o local foi sendo tomado por mato e alguns moradores voltaram a jogar lixo”, relembra Filomena, que agora faz parte do novo grupo de voluntários que trabalham em prol da recuperação do local.

O incentivo, segundo a psicóloga Lúcia Ferreira, 40, partiu de Charles Alves, um ex-administrador de empresas que largou o emprego  para se dedicar à agroecologia e transformar uma “lixeira viciada”, na rua 13, em um jardim comunitário, batizado de “Cajueiro da 13”.


Aos 77 anos, a aposentada Filomena Barros se emociona ao ver a comunidade trabalhando unida em prol do meio ambiente

O jornal A CRÍTICA contou a história de Charles, também conhecido como ‘Ceará’, em fevereiro deste ano. Depois da repercussão da reportagem, outros moradores e voluntários de outras zonas da cidade resolveram se juntar a ele no sonho de melhorar o ambiente em que vivem.  “Quando a gente viu, ele já estava trabalhando sozinho, junto com a esposa.  Depois vieram outras pessoas de outros bairros que se sensibilizaram com a causa”. Isso inspirou e também motivou a comunidade. “Temos macacos e aves de todos os tipos que dormem nesta área. Não podemos desanimar e deixar que destruam esse pedaço da nossa comunidade”, comentou Lúcia.

Os moradores começaram a limpar a área há duas semanas. Aproximadamente 20 mudas de árvores frutíferas já foram plantadas por crianças de uma escola municipal próximo ao terreno. O sistema é o mesmo utilizado no “Cajueiro da 13”, o de permacultura e sustentabilidade.

‘A união faz a força’

Os mutirões de limpeza acontecem aos sábados e reúnem aproximadamente 30 voluntários. Além dos moradores do bairro, também participam voluntários de outras zonas da cidade, como é o caso de Marco Eichmann, 34. “Sempre passava pelo jardim da rua 13 e ficava encantado com a paisagem. Certa vez vi o Charles trabalhando sozinho na área e resolvi parar o carro para conversar com ele. Viramos amigos e passei a ajudar, junto com a minha noiva”.

Limpeza, remoção de entulhos e replantio das mudas fazem parte das atividades. A comunidade também clama por apoio dos órgãos públicos. “Precisamos de calçadas para as pessoas caminharem”, lembrou o comerciante Antônio Carlos, 53.