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Árvore é problema para urbanos, diz especialista

Ambiente hostil, pragas, doenças e obstáculos como fiação e calçamento são as principais dificuldades enfrentadas 17/04/2012 às 08:30
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Segundo biólogo Sérgio Brazolin, mau planejamento dos grandes centros urbanos dificulta sobrevida de árvores
Milton de Oliveira Manaus

Árvores localizadas no perímetro urbano estão em ambiente estressante, que não lhes permite o desenvolvimento adequado das raízes como acontece em parques e selvas, devido às calçadas, canteiros e a outros obstáculos de uma grande cidade como Manaus. A afirmação é do biólogo e especialista em arborização urbana do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) Sérgio Brazolin, que participa do Treinamento em Diagnóstico e Análise de Risco de Queda de Árvores, esta semana, no auditório do Parque Municipal do Mindu, bairro Parque 10, Zona Centro-Sul.

De acordo com o especialista, o mau planejamento dos grandes centros urbanos dificulta ainda mais a sobrevivência de uma árvore.

“Isso acontece aqui como em São Paulo por exemplo. Então, a condição urbana para a árvore é difícil. Você tem a fiação elétrica, as condições do solo cimentado e as pragas de cupins que atacam as árvores”, revelou.

Ainda conforme Brazolin, a árvore é um ser vivo que está também, sujeita a doenças. “Diante desse conjunto de obstáculos de elementos urbanos envoltos à árvore, um dia ela adoece, morre e cai porque estava fragilizada”.

Para o especialista em arborização, a queda de árvores em uma ventania, por exemplo, não está totalmente relacionada à força do vento, mas, em boa parte, à fragilidade de suas raízes.

“Em Manaus, vocês têm sorte de não ter ventos muito fortes. Então, isso é favorável. Já em São Paulo, em um único dia, podem cair 60 árvores devido à debilidade das raízes, que não conseguiram se fixar no solo”, falou o Brazolin.

Para fazer um laudo sobre as condições problemáticas a que as árvores estão sujeitas ou à arborização de uma zona urbana, o biólogo recomenda preparação. “A queda de uma árvore prejudica não só o meio ambiente, mas pode matar pessoas. Então, é importante fazer um diagnóstico acertado da situação”, falou.

Além dos fatores urbanos e do clima, a queda de uma árvore pode ser provocada pela ação do homem. “É comum nas grandes cidades, o homem cometer o que chamamos de injúria contra as árvores, ou seja, furos, raspagens, cortes, onde o cupim ou fungos podem entrar e fazê-la apodrecer rapidamente, levando-a à morte”, frisou.

Outra forma de causa de morte de árvores, conforme ele, é o envenenamento do tronco. “Isso é comum nas cidades”, concluiu.

Mangueira envenenada em conjunto
No último fim de semana, um caso de envenenamento de árvore em Manaus foi divulgado. O crime aconteceu no Conjunto Ayapuá, no bairro da Compensa, Zona Oeste, onde uma mangueira com mais de dez anos de existência foi morta por meio da utilização de óleo diesel colocado entre o solo e o tronco. A árvore fica ao lado do Bloco C1 do conjunto.

Para o especialista em arborização urbana, Sérgio Brazolin, as pessoas não percebem os benefícios das árvores nas grandes cidades. “Fazer sacrifício de árvore, isto é, matá-la é crime e a pessoa que faz isso tem uma mente muito curta”, ressaltou. Ele afirmou também, que a arborização traz conforto térmico à população, a biodiversidade, atraindo as aves, retém a poluição e embeleza o bairro e a cidade.

Cuidados
Segundo os especialistas, as podas devem ser feitas com ferramentas adequadas para cada tipo de poda e de planta. Não devem ser feitos cortes irregulares e, para isso, os instrumentos utilizados devem ser bem afiados. Cortes de galhos com espessura maior que 3 cm devem ser protegidos com pastas cicatrizantes à base de cobre.