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Árvore nativa da Amazônia pode ajudar na arborização de Manaus

Nova espécie, também conhecida como ingaí ou ingá-de-macaco, é de fácil adaptação às condições climáticas. Em áreas abertas, a ingá-chichica possui caule curto, copa ampla e muitas folhas 02/10/2012 às 09:23
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Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), espécie é pouco utilizada em Manaus, apesar de ter todas as condicionantes favoráveis
Carolina Silva ---

A escolha de espécies a serem usadas na arborização de Manaus sempre foi alvo de debates polêmicos desde os primeiros empenhos que deram início a este processo dentro da cidade. As escolhas feitas até então resultaram até mesmo em um projeto malsucedido e um prejuízo milionário quando se optou pelo plantio de palmeiras imperiais que sofreram problemas de adaptação na capital amazonense.

Desde então, espécies nativas como pau pretinho, ipê, jutairana, açaí, andiroba, visgueiro e copaíba, passaram a ser usadas no programa de arborização da prefeitura. Entretanto, a variedade de espécies pode ir além. Neste caso, uma opção considerada tecnicamente viável é a ingá-chichica.

Pouco conhecida, a espécie apresenta grande potencial para fazer parte da arborização de canteiros centrais das vias da cidade, praças e jardins. A descoberta é do pesquisador Afonso Rabelo, da Coordenação de Biodiversidade do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que há uma ano estuda a potencialidade da espécie.

“Eu tomei conhecimento da espécie por acaso, fazendo um estudo de frutos. Resolvi, então, estudar o potencial dela. Para a minha surpresa, fazendo um levantamento de pesquisa, eu constatei que a espécie tem potencialidade para arborização urbana e paisagismo”, disse Rabelo. O técnico especializado em sistemática de palmeiras e fruteiras nativas da Amazônia, explica que a ingá-chichica, também chamada por ingaí ou ingá-de-macaco, é uma árvore resistente a períodos prolongados de estiagem, solos com baixa drenagem e pouca fertilidade, além de serem de fácil propagação, terem crescimento rápido e resistente a pragas, como erva-de-passarinho.

Árvore ‘discreta’

“Ela é uma árvore discreta, embora possa medir até 15 metros de altura. Além disso, dá muita sombra, servindo, assim, para o meio-fio. Com os tratamentos culturais, como a podagem, pode-se direcionar o crescimento dela. À medida que ela for crescendo, vai podando, sem prejudicar o desenvolvimento dela e sem atrapalhar a passagem de veículos, caso sejam se plantadas em meio-fio”, acrescentou o pesquisador.

Ainda de acordo com o Rabelo, a ingá-chichica, quando cultivada em áreas abertas, possui caule curto, copa ampla, sendo muito ramificada e com folhagens abundantes.