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Ativistas chamam a atenção das autoridades sobre violência no Sul do Amazonas

Entre os alvos do movimento estão Ministério Público do Estado (MPE), Ministério da Justiça, SDH, Policia Federal, Ibama, Incra, Funai e Força Nacional, assim como a comunidade científica e a opinião pública 17/04/2012 às 16:09
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Famílias de agricultores de Lábrea, onde ocorre o maior número de conflitos
acritica.com Manaus

O grupo Coletivo Purus divulgou, nesta terça-feira (17/04), um documento denominado “Carta de repúdio às violências no Sul do Amazonas” no intuito de demonstrar indignação com relação à violência sofrida por extrativistas nesta região do Estado. Com a ação os autores do documento querem chamar a atenção das autoridades competentes sobre as mortes que foram registradas nos últimos meses, solicitando imediatas providências para a resolução dos conflitos agrários e a proteção das populações que residem nesta área.

Entre os alvos do movimento estão Ministério Público do Estado (MPE), Ministério da Justiça, SDH, Policia Federal, Ibama, Incra, Funai e Força Nacional, assim como a comunidade científica e a opinião pública.

O Coletivo Purus é uma rede que reúne pesquisadores e ativistas da sociedade civil que trabalham na região do Médio curso do Rio Purus, assim como comunidades e lideranças tradicionais que lá habitam. Ele foi constituído em abril de 2010, no Primeiro Encontro Purus Indígena realizado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Manaus.

Na carta elaborada pelo grupo, ele também chama a atenção para as mortes ocorridas no Norte de Rondônia fruto de conflitos agrários e destacam que no último dia 31 de março, “a senhora Dinhana Nink, jovem de 28 anos, mãe de três filhos, foi cruelmente assassinada na frente de seu filho de 5 anos, pelo simples fato de ser moradora do assentamento Gedeão (município de Lábrea, AM) que está sendo alvo, há vários anos, e entre outras diversas comunidades da região, de interesses de grileiros de terras”.

Segundo informações contidas na carta, ela já vinha sofrendo ameaças por parte de madeireiros, além de intimidações e agressões em novembro de 2011 por apoiar o movimento de denúncia da grilagem de terra no Sul do Amazonas.

Também é destacada a morte, ano passado, de uma importante lidera “(Dinho) que foi assassinada, sem que desde então fosse tomada nenhuma medida concreta para a resolução do problema, além da mobilização da Força Nacional para a proteção de alguns destes ameaçados de morte”.

De acordo com o grupo, situações com essa vêm se tornando cada vez mais comuns nos últimos cinco anos na região, que tem sido alvo do avanço galopante da frente agropecuária rondoniense e que casos, ainda isolados, de ameaças e intimidações já estão sendo registrados dentro de terras indígenas, como no caso da Terra Indígena Paumari do Lago Marahã, Comunidade Ilha da Onça.

O documento é concluído com os seguintes questionamentos: “Quantas mortes anunciadas serão ainda necessárias para que as autoridades do país tomem consciência da importância da floresta em pé? Quantas mães e quantos pais serão mortos diante de seus filhos antes que o governo abra os olhos para o que está acontecendo na Amazônia? Que modelo de futuro, que exemplo está dando o país ao mundo e às gerações futuras dando as costas para o que tem de mais valioso: a floresta e seus habitantes ? Quantas árvores serão derrubadas e quantas vidas serão tomadas para que finalmente se respeitem os direitos básicos à terra, à liberdade e à vida daqueles que vivem pela floresta e que por ela estão morrendo?”