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Besouros garantem a diversidade da flora Amazônica, diz estudo

Espécie é a mais comum, representando 40% do total de insetos existente na Terra; Amazonas é celeiro de grupo 21/02/2012 às 09:58
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José Albertino Rafael, 56, especialista há 33 anos: “Deus era entomologista para ter criado tanto besouro”; expedições continuam nos rios Negro e Amazonas
Ana Celia Ossame Manaus

Essenciais para a vida do planeta, principalmente pela fun ção de polinizadores de sementes, que exercem na natureza, os insetos estão “em alta” no Amazonas. Em quatro expedições realizadas por pesquisadores e técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em regiões fronteiriças do Amazonas, foram coletados nada menos que 350 mil exemplares, dos quais 170 são novos, informou o cientista José Albertino Rafael, 56, que atua há 33 anos como entomologista.

Os insetos foram recolhidos em expedições realizadas dos rios Nhamundá e Abacaxis, às margens esquerda e direita do rio Amazonas, fronteira com o Pará; nos rios Padauari e Araçá, no Alto Rio Negro; em afluentes da margem esquerda do rio Negro, região fronteiriça com a Venezuela; e, por último, nos rios Liberdade e Gregório, na fronteira com o Acre, no município de Ipixuna (a 1.368 quilômetros de Manaus).

Segundo Albertino, quando forem identificadas as coletas, é possível que o número de espécies novas registradas dobre. Expedições com esse volume de coleta, segundo ele, nunca tinham sido feitas e muito menos nas áreas visitadas pelas equipes. “As explorações realizadas anteriormente aconteceram mais ao longo da calha do rio Solimões, Amazonas e Negro, nunca nos afluentes desses rios”, explicou o pesquisador, destacando a importância da viagem pelo incremento à entomologia (parte da zoologia que estuda os insetos), com o conhecimento da biodiversidade.

Desconhecidas

Ao explicar que os insetos são o grupo de organismos mais diverso do planeta, Albertino diz que o papel dos pesquisadores agora é saber qual a função representada por eles na natureza, ou seja, se é útil ou prejudicial ao homem. Segundo ele, hoje, não se conhece nem 30% dos insetos existentes na terra e o fato de fazer esse levantamento da quantidade e diversidade que vive no Amazonas, dá a dimensão da riqueza nas demais áreas da região. Por isso, argumenta ele, a Amazônia é, reconhecidamente, a região mais diversa do planeta.

Contando com financiamento Programa de Apoio a Grupos de Excelência (Pronex), via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), a coleção de insetos foi a que mais cresceu no Brasil nos últimos anos, disse o pesquisador. Para ele, o trabalho exaustivo das equipes nas matas para montar as armadilhas em árvores e coletar as espécies, trouxe mais do que desafios para novas pesquisas. “Sem os insetos, a vida seria impossível na Terra, por isso desvendar tanta riqueza recolhida será importante para a sobrevivência do homem”, finalizou Albertino.