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Amazônia
MEIO AMBIENTE

Projeto BioREC incentiva atividades econômicas que reduzem impacto à floresta

Com o BioREC, o Instituto Mamirauá assessora pequenos extrativistas para gerar renda e conservar a floresta 20/05/2017 às 08:44 - Atualizado em 21/05/2017 às 20:29
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Manejo florestal sustentável é aposta das comunidades tradicionais. Foto: Ricardo Oliveira/Divulgação
acritica.com Manaus (AM)

Quando a floresta desaparece, todos são prejudicados. Mais do que uma máxima ambientalista, esse é um princípio que há tempos é sabido por comunidades que vivem em contato íntimo com a natureza. Inclusive, as que têm na extração de madeira uma fonte de renda. Na Amazônia, o projeto Mamirauá: Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade em Unidades de Conservação, o BioREC, incentiva atividades econômicas que reduzem o impacto na floresta, como o manejo florestal sustentável.

“O manejo florestal é um planejamento do uso da floresta de forma que se trabalhe a conservação e a sustentabilidade da floresta”, diz a técnica em manejo florestal Elenice Assis do Nascimento.

Ela faz parte do Programa de Manejo Florestal Comunitário do Instituto Mamirauá, que presta assessoria há mais de uma década à comunidades que fazem uso econômico de recursos florestais madeireiros e não madeireiros no Estado do Amazonas.

Calendário

As atividades se concentram na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, localizada a cerca de 600 km da capital Manaus. Ao lado da pesca e da agricultura, o manejo florestal compõe o calendário ribeirinho, com destaque para a extração e venda de madeira. Todo o processo é acompanhado pelos técnicos do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), e segue a legislação estadual que regulamenta a atividade.

A cada realidade, um tipo diferente de manejo florestal. Elenice Assis explica que o manejo florestal madeireiro praticado na Reserva Mamirauá é específico para áreas de várzea.

A várzea é um ambiente mutável, que segue a dinâmica de cheia e seca dos rios. Por isso, a extração de madeira manejada costuma ser feita em apenas três meses do ano, entre dezembro e fevereiro, quando as florestas não estão inundadas pelo nível da água.

“Mas o manejo madeireiro não se resume à retirada e venda da madeira, ele é um conjunto de técnicas e metodologias que envolve as comunidades durante boa parte do ano”, ressalta Elenice.

Com o projeto BioREC, a equipe de Manejo Florestal do Instituto Mamirauá realiza capacitações de exploração de impacto reduzido e orienta atividades prévias à extração madeireira, como o levantamento de estoque, classificação e cubagem de madeira, tudo de maneira científica.

Capacitações

Entre 2014 e 2016, o BioREC promoveu capacitações anuais em mais de uma dezena de associações e cooperativas de extrativistas na reserva.

“A meta é que essas organizações de manejadores se fortaleçam cada vez mais e façam o manejo florestal de forma independente”, diz a técnica do Instituto Mamirauá.

Em 2017, quatro das associações extrativistas mais antigas da Reserva Mamirauá fizeram o manejo florestal madeireiro de forma autônoma.

Estímulo à copaíba e andiroba

Além da madeira,   as árvores oferecem outros produtos e formas de uso que são estimulados pelo projeto BioREC para gerar renda e conservar as florestas. É o caso dos óleos de andiroba (Carapa guianensis) e copaíba (Copaifera spp.).

As espécies, nativas da Amazônia, são muito usadas pela medicina natural no tratamento de machucados e dores.

O BioREC realizou mapeamentos junto com as comunidades da Reserva Mamirauá e Amanã e identificou áreas de ocorrência de árvores de copaíba e andiroba, existência do uso tradicional e o interesse para o manejo e extração sustentável das oleaginosas. Pesquisas biológicas estão em desenvolvimento para conhecer o potencial produtivo dessas áreas.

O projeto investiga o aperfeiçoamento da tecnologia para extração do óleo de andiroba, experimentação e capacitação para o manejo sustentável das espécies de interesse, capacitação para o uso dos equipamentos e para a extração do óleo, pesquisas sobre a qualidade dos óleos extraídos e promoção de oportunidades de comercialização.

Cartilhas gratuitas

Outra forma de disseminar as práticas e manejo florestal nas comunidades é por meio de publicações. Uma delas é a cartilha “Princípios de Manejo Florestal” que pode ser baixada gratuitamente pelo link mamiraua.org.br/cartilha-principios-manejo.

As cartilhas mostram as etapas do manejo florestal, e estão divididas em quatro temas que, ao final, vão formar uma coleção. A primeira publicação trouxe o tema “Princípios do Manejo” e a segunda “Levantamento de Estoque”. A terceira, ainda em processo de criação, é a tema “Impacto Reduzido”. A quarta e última será a da “Comercialização”, fechando a coleção.

“As cartilhas têm como público os manejadores, além de pessoas jovens e que não têm entendimento de palavras técnicas, com linguagem mais simples”, explica Elenice Assis. 

O tema “Manejo Florestal Comunitário” também subsidia ações de educação ambiental dentro do projeto BioREC. Algumas dessas ações são disponibilizadas em forma de conteúdos interativos que podem ser utilizadas por professores. Esse material também está disponível para download no site mamiraua.org.br/biorec-ea, com um infográfico sobre as etapas do manejo florestal e uma trilha ecológica. Essa parte é desenvolvida pelo grupo de educação ambiental do projeto.

Entreposto

A partir das suas experiências, o programa BIoRec propôs um projeto para a criação de um entreposto de madeira manejada que tem, como público alvo, a população de Uariní ((a 565 quilômetros de Manaus).

A ideia ainda está na fase de reuniões de viabilidade com o Idam, o municípios de Uariní, associações como a de moveleiros e outros grupos. No último dia 16 houve o primeiro encontro entre as partes.