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Brasil quer apoio das Nações Unidas para uso do Passaporte Verde na Copa do Mundo

Campanha  Passaporte Verde será usada durante a Copa do Mundo com objetivo de divulgar ações ambientais e sustentáveis e reduzir os impactos que setores como o turismo, podem produzir sobre o meio ambiente    09/10/2012 às 14:53
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Seminário, em setembro, que definiu os projetos de Sustentabilidade das cidades sede da Copa de 2014
Carolina Gonçalves/Agência Brasil Brasília

O governo brasileiro quer o apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) para incrementar o uso do Passaporte Verde na Copa do Mundo de 2014. Representantes do organismo internacional estão reunidos nesta terça-feira (9) com técnicos do Ministério do Meio Ambiente (MMA) para definir quais estratégias preparatórias poderão ser desenvolvidas em parceria.

O Brasil quer que o incremento da campanha Passaporte Verde esteja incluído na lista de cooperação, que será definida até o final do dia de hoje. A campanha tem sido usada, em território nacional, para divulgar ações ambientais e sustentáveis e reduzir os impactos que setores, como o turismo, podem produzir sobre o meio ambiente.

A proposta brasileira é fazer com o que o passaporte também funcione como estímulo para que torcedores e participantes da Copa do Mundo adotem práticas sustentáveis previstas para as cidades-sede brasileiras.

“Estamos pensando em inovações consideráveis para comunicar [relacionar locais e ações sustentáveis nas cidades] e, também, atrair a adesão das pessoas [para que adotem estas ações durante o evento]”, explicou Cláudio Langone, coordenador da Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade para a Copa do Mundo de 2014.

Sem adiantar detalhes, Langone explicou que a expectativa é rastrear a adesão das pessoas às práticas sustentáveis previstas para os dias do evento, como as instalações dos estádios.

“Nossa prova de fogo será no final [da Copa do Mundo], se tiver uma pesquisa aleatória questionando se as pessoas perceberam iniciativas de sustentabilidade durante o evento”, disse Langone, acrescentando que a resposta negativa apontaria para um fracasso do país na inclusão da sustentabilidade como característica do evento. “O Passaporte Verde e as Compras e Contratações Sustentáveis são temas que o Pnuma pode nos dar uma contribuição importante e devem ser definidos como prioridades no final do encontro de hoje.”

A construção das 12 arenas nas cidades-sede da Copa do Mundo estão seguindo exigências previstas na certificação adotada pelo Brasil. De acordo com informações do MMA, todas as obras reaproveitaram o material de demolição e adoção de mecanismos de energia eficiente, com lâmpadas de menor consumo e que são acionadas automaticamente. Muitos projetos de reforma ainda incluíram a construção de reservatórios para captação da água da chuva que será reutilizada para irrigação. Grande parte do material utilizado, como madeiras e tintas, são certificados.

“Muitas empresas não tinham estes produtos e tiveram que demandar dos fornecedores. Com a demanda, você incorpora isto no portfólio de ofertas”, avaliou Langone. O Brasil já ocupa o quarto lugar no mundo em construções sustentáveis. “É um mercado emergente e o fato de ter obras do tamanho de arenas como indutor deste processo já é um legado.”

Apesar de diversas iniciativas sustentáveis já estarem em andamento, as metas ambientais ainda não estão definidas em números. Tanto governo, quanto setores da sociedade civil e de empresas, ainda não têm clareza sobre como será, por exemplo, a mensuração das emissões de carbono e compensações, ou ainda, os investimentos que serão feitos em áreas protegidas próximas às cidades-sede.

Ainda assim, representantes do ministério mostram tranquilidade em relação aos prazos. “Começamos a trabalhar no final de 2009. Em maio de 2010, criamos a Câmara Temática e temos câmaras em todas as cidades-sede”, relatou Langone. Diante de um alerta feito por técnicos do Pnuma em uma avaliação sobre o desempenho ambiental da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, o coordenador do grupo responsável pela sustentabilidade do evento no Brasil disse: “Vamos ver na reta final, se começar antes do que começamos poderia trazer melhores resultados. Na minha avaliação começamos no tempo adequado”, acrescentou.

O porta-voz do Pnuma, Nick Nuttall, diretor da Divisão de Comunicação e Informação Pública do organismo, disse que o Brasil tem desenvolvido um trabalho importante e admitiu: "Se há alguma crítica, tem que ser dirigida ao Pnuma, que foi moroso para oferecer apoio. Mas, o Brasil começou a trabalhar antes e esperamos poder acelerar este processo.”

Sobre a avaliação dos resultados ambientais conquistados pelos sul-africanos, Nuttall destacou avanços, como as mudanças no sistema de transporte de Joanesburgo e o sistema energético adotado na Cidade do Cabo. Quanto aos resultados finais aquém do esperado, o porta-voz do Pnuma acrescentou: “Os eventos refletem a realidade do mundo. Vivemos em um mundo em que o meio ambiente ainda não é prioridade dos governos e empresas como gostaríamos que fosse.”