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Casal resolve trabalhar e morar num barco recreio durante cheia na calha do rio Purus

Antônio Alves e Francisca de Nazaré foram obrigados a sair de casa, por causa da cheia no município de Lábrea, e atualmente trabalham e moram no barco 'Vovô Osvaldo', que faz linha para Manaus para garantir a sobrevivência 20/04/2015 às 11:45
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Antônio Alves e Francisca de Nazaré tiveram que sair de casa porque a água do rio Purus invadiu a residência do casal
Kelly Melo Manaus (AM)

“Esse ano tivemos que levantar o assoalho de casa três vezes. Mesmo assim, a água chegou na varanda e tivemos que sair porque não tivemos condições de ficarmos lá”. Esse é o relato do casal Antônio Alves Medeiros, 44, e Francisca de Nazaré Bezerra dos Santos, 41, que foram obrigados a sair de casa, no município de Lábrea (distante 702 quilômetro de Manaus em linha reta), por causa dos efeitos da cheia na calha do rio Purus. Atualmente, Antônio e Francisca decidiram trabalhar e morar no barco “Vovô Osvaldo”, que faz linha para Manaus para garantir a sobrevivência, enquanto esperam o nível da água descer.

Dona Francisca contou que esse ano o nível do rio surpreendeu os moradores, apesar de estarem acostumados com as enchentes. Segundo ela, todos os vizinhos tiveram que deixar os seus lares por causa da alagação. “Tivemos muitos prejuízos. Não bastou levantar o contra-piso de casa, tivemos que mudar de endereço, tirar as mercadorias do comércio e levar para outro lugar e ainda perdemos material”, disse ela, que também é comerciante.

Segundo Francisca, os gastos chegaram a R$ 2,5 mil. “Já faz um mês que estamos trabalhando e morando aqui nesse barco, porque não dá para ficar lá. Só vamos poder voltar quando o rio secar”, afirmou. Enquanto isso, Francisca ajuda na administração da embarcação, auxiliando na compra de mercadoria e controle de passageiros. O o marido é o responsável em conduzir o barco aos municípios destinos: Beruri, Tapauá, Canutama e Lábrea.

A dona do “Vovô Osvaldo”, Neide Castro Freitas, 50, também contou que o cenário em Lábrea, assim como em outros municípios alagados, é de tristeza. “A gente vê as pessoas saindo pelas janelas de suas casas. Todas as ruas estão alagadas, as escolas estão sem aula. É muito triste ver tudo isso e não poder fazer nada porque é a força da natureza”, relatou.

Volta para casa

A agricultora Antônia Rosilandia Nogueira de Souza, 33, que voltou para Lábrea no fim de semana, está ansiosa para chegar em casa. Ela precisou passar dois meses na capital para realizar um tratamento médico, mas decidiu voltar. “Não tem lugar melhor que a nossa casa. Estamos acostumados com as cheias, mas a minha casa está só e não tenho ideia de como vou encontrar as minhas coisas. Só quero chegar lá, logo”, disse.