Publicidade
Amazônia
Amazônia

Casca do cupuaçu pode resultar em novo insumo para indústria de polímeros no Amazonas

Estudo quer identificar elementos químicos na casca do fruto, oferecendo nova alternativa para indústria com insumo mais barato, sem riscos ao operador e de fontes renováveis 15/01/2016 às 13:30
Show 1
Projeto garante a geração de emprego e renda para as comunidades produtoras de cupuaçu
acritica.com Manaus (AM)

Um estudo desenvolvido pelo pesquisador, Rannier Mendonça, com apoio do governo do Estado via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), quer identificar elementos químicos presentes na casca do cupuaçu, fruto típico da região amazônica, que possuem afinidade com o grupo de polímero poliéster.

A pesquisa está sendo realizada na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O poliéster é muito utilizado na indústria automobilística e naval para a confecção de peças e cascos de embarcações.  De acordo com o pesquisador, alguns desses produtos possuem dimensões ou geometrias que necessitam de um tempo maior de manuseio da resina (polímero no estado líquido antes do processo de endurecimento), sendo então necessário adicionar um insumo químico chamado de retardante de cura.

Os polímeros são utilizados para a confecção de vários produtos, desde embalagens, para a indústria de alimentos, até artigos esportivos. O pesquisador explicou que a resina poliéster que a equipe de pesquisa trabalha é uma das mais utilizadas no mundo, pelo seu custo benefício. Segundo ele, a resina poderia ser ainda mais empregada se seu tempo de manuseio antes do endurecimento fosse prolongado. Por isso, alguns testes preliminares já foram feitos e a equipe constatou que a casca do cupuaçu tem um grande potencial para substituir esses insumos.

“Queremos entender como a casca do cupuaçu reage quimicamente com a resina poliéster, retardando o endurecimento. Já foram feitos teste empíricos, sem medições controladas. Apenas por nossa percepção, por já trabalharmos muito tempo com a resina. As primeiras medições devem ficar prontas em fevereiro deste ano no qual serão utilizadas as normas de cinética de cura (velocidade de endurecimento) por DSC (Differential Scanning Calorimetry)”, disse o pesquisador.

Ele explicou que esses insumos, normalmente, são caros e prejudiciais à saúde. Com o projeto além de oferecer uma nova alternativa para a indústria com o insumo mais barato, sem riscos ao operador e de fontes renováveis também garante a geração de emprego e renda para as comunidades produtoras de cupuaçu, que desperdiçam a casca do fruto.

Iniciação Científica

A ideia do trabalho surgiu a partir de uma pesquisa de iniciação científica, onde eram confeccionados corpos-de-prova da resina poliéster misturada a cascas moídas de frutos nativos da Amazônia. Ao adicionar certo percentual do pó da casca do cupuaçu foi percebido pela equipe de pesquisa uma alteração no tempo de endurecimento.

“Existem muitos trabalhos de pesquisa com adição de material particulado em resinas poliméricas, no entanto, ainda não encontrei nenhum mostrando alterações no tempo de endurecimento da resina poliéster”, contou.

Sobre o Universal Amazonas

O programa tem como objetivo conceder aporte financeiro para atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, em todas as áreas de conhecimento, que representem contribuição significativa para o desenvolvimento do Amazonas.

*Com informações da assessoria de imprensa