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Cheia dos rios já afeta Parintins no Amazonas

Moradores de áreas de várzea, na zona rural, começam a mudança; na zona urbana, réguana Cidade Garantido ‘dá o alerta’ 25/03/2012 às 11:26
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Regiões do Paraná do Limão, do Espírito Santo, de Parintins e Itaborai são as regiões que apresentam os primeiros impactos; Defesa Civil vai sugerir ‘emergência’
JONAS SANTOS Manaus

O Município de Parintins se depara com a grande cheia anunciada. A elevação das águas do rio Amazonas já é supera em seis centímetros a cota de 2009, conforme aferição da régua fluviométrica da Capitania dos Portos, registrada na última sexta-feira (23). A Defesa Civil do Município deverá apresentar, esta semana, um relatório ao prefeito Bi Garcia (PSDB) e sugerir que Parintins decrete situação de emergência.

Na grande enchente de 2009, o novo porto da Ilha Tupinambarana alagou e a Cidade Garantido também foi inundada, obrigando os artistas a terminarem as alegorias para o Festival Folclórico, na área de concentração do Bumbódromo. No dia 23 de março de 2009, o nível do rio marcava 8 metros e na última sexta-feira alcançou a marca de 8,06 metros, de acordo com os dados fornecidos pela Defesa Civil Municipal.

No início deste mês, a equipe de Defesa Civil passou uma semana na zona rural de Parintins e visitou 28 comunidades. As regiões do Paraná do Limão, Paraná do Espírito Santo, Itaborai e Paraná de Parintins são as localidades de várzea que sofrem os primeiros impactos da cheia. “No Paraná do Limão, que é uma das primeiras regiões atingidas pela cheia do rio, as famílias começam a fazer a mudança para as áreas de terra firme”, disse o coordenador da Defesa Civil, Sebastião Teixeira.

“Estamos nos mudando porque a marca daquela grande enchente já chegou e não vamos ficar esperando alagar tudo. Temos vizinhos que já fizeram até assoalho. Lamentamos é que vamos perder toda a nossa plantação”, disse o pescador José Alfaia, de 49 anos.

Cidade Garantido

Em 2011, a régua media 6,33 metros e em 2010 assinalava um dado mais baixo ainda: 5,60 metros. Ainda no ano de 2011, o último registro do volume de subida das águas do rio Amazonas foi marcado no dia 2 de junho, quando a régua marcou 8,50 metros.

O instrumento de medição da Capitania dos Portos está instalada no porto da Cidade Garantido, que alagou em 2009 e já começa a vivenciar o mesmo processo este ano. Se tiver que se mudar para o Bumbódromo novamente, a diretoria pretende fazer a transferência com planejamento, bem antes de a água chegar aos galpões da agremiação.

Preparação Na sede, os bairros que ficam na margem dos lagos da Ilha também estão sendo invadidos pelas águas. “Estamos precisando de uma ponte de madeira nova aqui no nosso beco”, relatou a dona de casa Maria das Graças Silva, 58, moradora do bairro Itaguatinga.

“Fazemos o monitoramento de todas essas áreas e contamos com a ajuda dos agentes municipais de saúde. Já conversamos com esses moradores e estamos nos preparando para enchente. Vamos contar com a ajuda da Prefeitura e do Governo do Estado para realizar esse trabalho de prevenção e preparação”, disse Teixeira.

Prejudicados

O balanço da segunda fase de previsão de impacto da cheia elaborado com dados da Defesa Civil Estadual mostra que os municípios de Anamã, Anori, Autazes, Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Borba, Caapiranga, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Codajás, Iranduba, Itacoatiara, Manacapuru, Manaquiri, Manaus, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Urucará e Urucurituba serão prejudicados. Em Parintins a previsão é de que 10.852 famílias sejam atingidas.