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Cheia no AM gera prejuízo de R$ 117 milhões

Número envolve gastos do poder público com desabrigados, obras de saneamento, perdas na agricultura e no comércio 21/05/2012 às 07:44
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Em Anamã, subida das Águas do rio Solimões prejudica produção de farinha
RENATA MAGNENTI Manaus

Os gastos com a cheia deste ano já correspondem a R$ 117.210 milhões. No entanto, o valor real vai muito além do registrado pelo poder público. Ainda não há números dos prejuízos amargados pelos comerciantes de Manaus e do interior, sem falar nas perdas, quase que completas, de municípios.

O Estado já recebeu R$ 10,5 milhões do Governo Federal. A Defesa Civil do Estado reverteu a oito municípios afetados (Envira, Eirunepé, Guajará, Ipixuna, Carauari, Itamarati, Juruá e Boca do Acre, R$ 850 mil, distribuiu 33.290 cartões Amazonas Solidário cada um no valor de R$ 400 e para a cheia em Manaus dispensou R$ 44 mil.

Os números, não param por aí. A prefeitura de Anamã, cidade que está, literalmente, “de baixo d'água” já recebeu R$ 20 milhões. E, na agricultura, as perdas ultrapassam os R$ 40 milhões.

A Prefeitura, segundo o secretário municipal de Infraestrutura (Seminf), Américo Gorayeb Jr, destinou R$ 15 milhões para drenagem profunda (tubulação subterrânea) e superficial (meio fio e sarjeta) de vias em Manaus. E, a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), distribuiu 2,5 mil cheques nominais no valor de cada um R$ 600 e, de acordo com dados do SOS Enchente, foram realizadas ações de R$ 16 milhões.

Amazonas ainda está no período de enchente e os números de investimentos e perdas não param de crescer. Ao menos 145 lojistas em Manaus tiveram suas lojas atingidas pela cheia e 47 destes empresários fecharam as portas e 113 pessoas foram demitidas.

De acordo com o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), Ralph Assayag, não é possível calcular as perdas destes comerciantes e, os que estão trabalhando, afirmam que o movimento caiu em média 50%.

A indústria não é afetada diretamente, mas na última semana, o presidente da Federação da Indústria do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, disse que poderia haver complicações quanto à liberação de insumos, já que para isso é preciso liberação de notais fiscais por parte da Receita Federal que tem a sede e a alfândega no porto também afetados pela cheia. Devido à subida do rio Negro, a Receita alterou o local de atendimento para continuar prestando serviços.

Em 2009, R$ 140 milhões foram gastos em benefícios aos atingidos pela cheia. De acordo com o senador e ex-governador Eduardo Braga, na época foram investidos R$ 60 milhões para obras em municípios. Deste montante, R$ 38 milhões foram liberados em 2011.

Segundo Braga, este ano o Estado solicitou do Governo Federal R$ 66 milhões. Deste total, 30 milhões foram previamente aprovados. O Estado guarda ainda a liberação de R$ 7 milhões e os R$ 350 milhões anunciados pelo ministro da Integração, Fernando Bezerra.

Anamã e Careiro têm perdas

Os municípios de Anamã e Careiro da Várzea decretaram na última semana situação de calamidade pública. Os prefeitos dos dois municípios disseram que, neste momento, é impossível saber qual a perda financeira que a cheia ocasionou.

Escolas, prédios públicos, hospitais, delegacias e milhares de casas estão “no fundo”. Esta é a realidade de grande parte do interior e da capital do Estado. A situação é pior do que a registrada em 2009. “Este ano já recebemos algo em torno de R$ 20 milhões, dois mil cartões Amazonas Solidário e mais de mil cestas básicas e sei que vamos precisar de muito mais ajuda”, disse o prefeito de Anamã, Jecimar Pinheiro.

De acordo ele, duas balsas já estão servindo como abrigo a dezenas de famílias. No Careiro 92 famílias pediram para sair de suas casas devido o risco de morte e estão abrigadas em barracas dentro de escolas que já está com maromba, segundo o prefeito Raimundo Nonato Leito.

Nonato disse que até a última semana o município havia recebido R$ 600 mil do Governo do Estado para comprar madeiras, mais quatro mil cartões Amazonas Solidário e 2.7 mil cestas básicas.

Produção agrícola é afetada

Na agricultura, o prejuízo devido à cheia ultrapassa os R$ 40 milhões. Mais de 13 mil famílias foram atingidas e, quando o nível do rio descer, a perda será ainda maior, por conta dos recursos que terá que ser injetado para fomentar a produção.

De acordo com o secretário de Produção Rural do Amazonas (Sepror), Eron Bezerra, os prejuízos amargados nesta enchente ultrapassam os gastos de R$ 12 milhões acumulados em 2009, na cheia que, até então, havia sido a maior registrada na região. “Isso porque de lá para cá a agricultura familiar cresceu 70%, principalmente, na área de várzea que teve grance expansão. É desta produção que vem o sustento de centenas de famílias”.

Somente em hortaliças o prejuízo estimado na produção é de R$ 5 milhões, se calcularmos que cada maço é vendido ao comerciante por R$ 0,50 e, revendido em média por R$ 1, o prejuízo dobra. Na produção de mandioca a perda registrada é de R$ 16 milhões e na produção de banana, as perdas, até o momento, chegam a R$ 7 milhões.

A Sepror está distribuindo sementes para que, quando o nível dos rios baixarem, os produtores possam voltar a cultivar e se reerguer. Segundo os dados da própria secretária, somente cerca de 3,1% das perdas desta cheia é provenientes de financiamento. No entanto, quem perdeu gado, por exemplo, terá que comprar outras cabeças para repor o que prejuízo que se teve e o novo investimento deverá ser alto.