Publicidade
Amazônia
Amazônia

Cheia redesenha novos cenários de habitação, transportes e comportamento

Barcos ancoram entre os veículos em plena rua, casas, árvores e postes  que não ficaram submersos viram pontos de referência e balsas se transformam em abrigos 02/06/2012 às 20:20
Show 1
Na marina do Davi, os barcos estão atracando no que era estacionamento
Florêncio Mesquita Manaus

A cheia que atinge mais de 300 mil pessoas no Amazonas tem mudado cada vez mais o cenário dos 53 municípios prejudicados com o registro de nível recorde dos rios. Em Manaus, praças, ruas, terrenos públicos e particulares e até casas continuam desaparecendo sob as águas.

Muitos locais são identificados apenas por prédios, postes e outros pontos, que indicam que ali existe uma estrada. Canoas ocupam o lugar de carros, em ruas que se transformaram na extensão do rio.

A mudança, que gera inúmeros prejuízos à população, se repete em todas as cidades afetadas. As palafitas são as construções mais prejudicadas, justamento por estarem às margens dos igarapés.

Em Manaus, são 21 pontos atingidos pela enchente. Entre os locais afetados estão os bairros São Geraldo, Bariri, São Raimundo, Raiz Betânia, Presidente Vargas, Glória, Aparecida, São Jorge, Comunidade da Sharp e Centro. Até o terreno da igreja da Matriz, Nossa Senhora da Conceição, no Centro, já foi alcançado pelas águas.

De igual modo, a feira Coronel Jorge Teixeira, conhecida como “Manaus Moderna”, teve que ser evacuada por conta da subida das águas. Situação semelhante ocorre com o terminal de ônibus em frente à Matriz. A circulação de ônibus articulados e biarticulados foi suspensa devido ao nível elevado da água no local. O trajeto de 129 linhas do transporte coletivo foi desviado para outras áreas do Centro.

Marina tomada

Apesar de não ser mais novidade para a população amazônica, o avanço das águas ainda atrai o olhar de curiosidade dos moradores locais. Na marina do Davi, Zona Oeste de Manaus, dezenas de embarcações estão ancoradas sobre a avenida Coronel Teixeira.

Flutuantes e as voadeiras que transportam, principalmente, moradores da marina do Davi para sete comunidades da região do Tarumã Mirim, estão atracadas sobre a avenida. Uma pequena praça que existia no local sumiu sob as águas. O único indício da existência da praça é um poste de iluminação pública e uma árvore, que estão parcialmente submersos e servem como pontos de referência.

Barcos no nível da rua

Na orla do bairro Educandos, Zona Sul, dezenas de barcos estão ancorados próximo ao Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC), com as águas quase no mesmo nível da rua. 

Até a rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho (RO), teve 14 trechos afetados pela cheia. Os pontos ficaram alagados, dificultando o tráfego de veículos para os municípios de Nova Olinda do Norte, Manaquiri, Careiro da Várzea, Autazes, Lábrea e Manicoré.

Em outros municípios do Amazonas, como o Careiro da Várzea (a 29 quilômetros de Manaus), a situação é pior. As famílias que ficaram desabrigadas no município tiveram que ser transferidas para uma balsa, que serve de abrigo.

Praia da Ponta Negra ‘emerge’

 A praia que deverá ser permanente, no Complexo de Lazer da Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus, voltou a ficar acima do nível das águas, depois de ser quase inteiramente inundada no início de maio, antes mesmo do rio Negro atingir a cota máxima.

A CRÍTICA mostrou a indignação da população sobre o projeto, que previa uma praia perene, e voltou ao local para conferir a obra. Somente com a areia de um trecho de 800 metros da praia, estão sendo gastos R$ 12 milhões, de um total de R$ 29 milhões empregados na primeira etapa da obra de revitalização da Ponta Negra.

Até a Prefeitura de Manaus concluir a praia permanente, devem ser usados 980 mil metros cúbicos de areia na obra. Na primeira semana de maio, a obra já tinha consumido 780 mil metros cúbicos de areia. Na época, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), informou que a construção será finalizada com a marca de 30,77 metros acima do nível do rio Negro, para garantir que a praia não seja inundada.

No entanto, o nível ficará apenas 50 centímetros acima da cota máxima de rio Negro, de 30,27 metros, prevista pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM).