Publicidade
Amazônia
CHUVA DE GELO

Chuva de granizo em comunidade do interior de Manicoré foi registrada pelo Sipam

Na tarde de ontem, uma forte chuva atingiu a região e, logo depois, os moradores foram surpreendidos pela precipitação de pedras de gelo 17/08/2017 às 16:25 - Atualizado em 17/08/2017 às 16:28
Show 9e2ac121 bc47 41dc acea 3ee4511a4fae
Foto: Divulgação
acritica.com

A chuva de granizo ocorrida na tarde de ontem, quarta-feira (16), no distrito de Santo Antônio de Matupi, localizado no Km 180 da rodovia federal BR-230, dentro do perímetro do município de Manicoré, a 332 quilômetros de Manaus, foi registrada pelo Serviço de Proteção da Amazônia (Sipam). Segundo o órgão, as condições meteorológicas foram favoráveis à formação de áreas de instabilidade em decorrência de circulações em elevados níveis da atmosfera.

Segundo moradores informaram à reportagem, por volta das 15h uma forte chuva atingiu a região e, logo depois, eles foram surpreendidos pela precipitação de pedras de gelo. “Atingiram e danificaram alguns telhados e deixaram a população em alerta. Estávamos na sala quando começou a cair os granizos que perfuraram o telhado, que ficou igual uma peneira”, disse o policial militar Edicley.

De acordo com o Sipam, imagens de satélite confirmaram a formação das nuvens com temperaturas de -70ºC naquele horário, demonstrada pela intensidade e altura das mesmas. “A formação do granizo está associada diretamente à presença de nuvens de grande desenvolvimento vertical, as chamadas Cumulonimbos. Estas nuvens se formam a partir de três estágios de evolução, sendo a fase inicial, madura e dissipação”, explicou o Sipam, em nota.

Conforme o Sipam, para haver chuva de granizo é preciso ter condições favoráveis de calor e umidade e, a partir daí, o transporte de umidade para elevados níveis da atmosfera. “Nesta fase ocorrem processos físicos que transformam o vapor d’água em gotículas de água e cristais de gelo. Com a manutenção destas correntes de ar, alguns cristais de gelo em choque com as gotículas e/ou com outros cristais de gelo crescem e podem formar graupel e granizo. Então ocorre a dissipação”.

Apesar de comum, porque a ocorrência de chuvas de granizo é menor na região? De acordo com o Sipam, quando as pedras de granizo se tornam muito pesadas e as correntes ascendentes, as pedras não suportam o próprio peso e tendem a precipitar. “Ocorre um derretimento dos mesmos até chegar à superfície terrestre e a precipitação ocorre em forma de água. Em poucos casos (como o de Santo Antônio de Matupi), “as pedras de gelo tendem a cair porque acabam se tornando grandes ou a temperatura é baixa demais”.

Climatologia da região

Atualmente, a região amazônica se encontra no período seco, com uma diminuição das chuvas, conforme o Sipam. Porém, tais chuvas tendem a ser mais intensas. “Alguns estudos revelaram que durante o período seco há maior ocorrência de descargas atmosféricas na região e as descargas atmosféricas estão intimamente ligadas à formação de cristais de gelo dentro da nuvem, já que os campos elétricos se formam a partir do choque destas partículas”, completou o Serviço de Proteção da Amazônia.

“Ainda neste período, as chuvas são mais convectivas, ou seja, mais intensas e com volumes mais significativos em curto espaço de tempo. Por isso, embora a temperatura da superfície apresente valores mais significativos, os sistemas acabam a ser mais desenvolvidos verticalmente e a produção de cristais de gelo, graupel e granizo pode se tornar maior”, finalizou o Sipam. Desta forma, eventos como o de Santo Antônio do Matupi, podem ocorrer novamente.