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Cimi e liderança indígena denunciam morte no Vale do Javari por falta de atendimento

Indígena doente não teria sido removido em tempo hábil por falta de embarcação; Dsei/Vale do Javari rebate a denúncia 27/02/2013 às 16:03
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Mortes foram confirmadas pela nova chefe do Dsei/Vale do Javari
Elaíze Farias Manaus (AM)

Um indígena da etnia da região do Vale do Javari, no município de Atalaia do Norte (a 1.138 quilômetros de Manaus) morreu nesta segunda-feira (25) por falta de atendimento, segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e do presidente da Organização Geral dos Mayoruna (OGM), Vítor Mayoruna.El

Sebastião Mayoruna, cuja idade foi estimada em 60 anos (embora haja a versão de que ele teria mais de 70) morava na aldeia Fruta Pão. Nesta terça-feira (26), a assessoria de imprensa do CIMI em Manaus divulgou a morte, afirmando que o caso“o estado precário em que vive o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) de Atalaia do Norte".

De acordo com divulgações do CIMI, moradores da aldeia Fruta Pão chegaram a pedir a remoção do indígena doente, mas uma enfermeira identificada como Rose teria dito que o Dsei de Atalaia do Norte estava sem combustível para a embarcação.

“Na última sexta-feira, 22/02, o técnico de enfermagem que estava na aldeia Fruta Pão entrou em contato com o Dsei em Atalaia do Norte por radiofonia e solicitou a remoção do indígena. A resposta dada pela funcionária responsável, naquela ocasião, foi de que ele deveria permanecer em tratamento na aldeia porque os barcos estavam quebrados e não havia combustível”, diz trecho do relato enviado pela assessoria do CIMI.

Segundo o CIMI, com base em relato de Vítor Mayoruna, dentre o que ficaram sem atendimento estava o filho do cacique Chico Preto, da Aldeia Lago Grande. A criança apresentava vômito e diarréia e estava bastante debilitada.

A reportagem do portal acrítica.com ligou para Vítor Mayoruna, que confirmou a informação do CIMI. Segundo Vítor, a notícia da doença de Sebastião foi divulgada na semana passada por meio de radiofonia. Conforme Vitor, a remoção não ocorreu com a alegação de que não havia barco para o deslocamento do doente. Ele relatou também o caso de uma criança que “estava doente” que não recebeu atendimento por falta de atendimento.

Procurado pelo portal, o coordenador do Dsei do Vale do Javari, Heródoto Jean Sales, confirmou a morte mas negou que o pedido de remoção tenha ocorrido.

Sales disse que foi informado nesta terça-feira que o indígena tinha “mais de 70 anos” e que este morreu de falência múltipla dos órgãos. “O enfermeiro de lá disse que não foi pedida remoção alguma”, disse.

Indagado se o Dsei/Vale do Javari tinha problemas nas estruturas, como falta de combustível ou barco quebrado, ele também negou. “Nesses seis meses que estou no distrito esse é o segundo indígena que morre. Não sei por que o pessoal está fazendo confusão. Não sei por que a vigilância no Vale do Javari. Morre índios em outros Dsei e ninguém fala nada”, afirmou. Conforme Sales, “todos os índios que pedem remoção” são atendidos pelo Dsei/Vale do Javari.