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CMA abre as portas dos pelotões para cientistas que querem desvendar a Amazônia

Pesquisadores poderão utilizar tanto as instalações quanto os equipamentos dos batalhões do Exército em toda a região sob a jurisdição do Comando Militar da Amazônia (CMA) 18/07/2015 às 14:19
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Pelotão de Fronteira de Cucuí, em São Gabriel da Cachoeira, unidade do Comando Militar da Amazônia, estão à disposição dos cientistas que quiserem desenvolver pesquisas sobre a Amazônia
Luana Carvalho e Nelson Brilhante Manaus (AM)

Quem diria! Há 51 anos, no auge da ditadura militar (1964), a notícia não passaria de uma brincadeira de muito mau gosto e com consequências desastrosas. Mas pode acreditar que é verdade. O Exército Brasileiro escancara as portas e oferece as estruturas da caserna para cientistas brasileiros fazerem experiências em zonas da fronteira.

Não é novidade que a Amazônia é dona da maior biodiversidade do mundo. Em poucos quilômetros quadrados, há mais espécies do que em toda a Europa. Há mais tipos de animais do que em toda a América Central. Uma única árvore pode servir de lar para mais de 1700 bichos invertebrados. No entanto, o Exército Brasileiro calcula que apenas 10% de todas as espécies tenham sido estudadas e catalogadas.

O projeto Pró-Amazônia defende que é possível agregar mais valor ao bioma, com mais descobertas científicas. Por isso, os pesquisadores poderão utilizar tanto as instalações quanto os equipamentos dos batalhões do Exército em toda a região sob a jurisdição do Comando Militar da Amazônia (CMA) para estudar o bioma.

Na última segunda-feira, o comandante militar da Amazônia, Theofilo Oliveira, e o diretor do Instituto Na Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Luiz Renato de França, apresentaram o programa Pró-Amazônia durante reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

O programa funcionará por meio de parcerias entre os ministérios da Defesa, Educação, e Ciência, Tecnologia e Inovação. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) liberou recursos para iniciar o projeto-piloto até o final do ano no Pelotão Especial de Fronteira (PEF) de Bonfim, em Roraima.

“Vamos começar a fazer os testes iniciais, para ver como tudo vai funcionar. Escolhemos começar por Roraima por conta da facilidade de acesso por terra, visto que iniciaremos com o piloto. Depois iremos estender para os estados do Amazonas, Rondônia e Acre”, explica o general Theophilo.

O anúncio oficial acontecerá numa conferência marcada para os dias 27 e 28 deste mês, no Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), com a presença dos ministros Jacques Wagner (Defesa), Aldo Rebelo (C&T) e do comandante do Exército, Eduardo Villas Boas, ex-comandante do CMA.O general Theophilo está confiante e otimista com os futuros resultados.

O objetivo principal é tornar o programa uma referência nacional de pesquisa e desenvolvimento da região amazônica. “A recepção da comunidade científica com o projeto foi melhor do que eu esperava. Eles estavam apreensivos de como chegariam às fronteiras, como seria a logística. Agora terão a seu favor elementos que conhecem profundamente a selva. Nossos soldados são índios, nativos, sabem entrar e sair da floresta sem se perder, sabem lidar com grandes intempéries e animais”, ressalta.